quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Tá bom! Já chega

Muito útil esse momento de profunda reflexão, Hades que me desculpe, mas tá na hora de voltar ao mundo ensolarado. Cansei dessa coisa toda. Como se eu passasse todas as noites vendo todos os filmes profundos e "cabeça" do cinema europeu. Como seu eu ouvisse todas as músicas que me levassem ao meu íntimo.
Cansei do meu íntimo. Muito escuro e bangunçado. Não vou conseguir arrumar tudo de uma hora pra outra. Igual faxinona pesada. Vou por partes. Um dia arrumo, limpo paredes, vidros, todos os cantinhos da sala. Depois vou pra cozinha. Banheiro e, finalmente, o quarto. Assim, de leve e calmamente.
E tem mais, se eu ficar nessa reflexão, refletindo pra cá, refletindo pra lá e ficar aqui, com essa cara dde cu, de que vai adiantar tanta reflexão? A questão é o que fazer com o que foi visto.
Mudança!
Pois que venha.
Primeira coisa que jogo fora na caixinha de recicláveis é aminha autopiedade.
Tá libertada a minha autopiedade.
Sai correndo por aí, minha filha. Se der vontade, sai pelada pela rua, chorando e mostrando as perebinhas. Se serve de consolo, não é o único ser do mundo a ter marcas pelo corpo e pela alma. Dá pra encontrar outros que morrem de pena de si mesmo e ficar naquela maluquice de um mostrar a cicatriz pro outro, quem tem mais, quem sofreu mais. Faz isso se der vontade, mas faz pra lá que eu cansei de você.
Outra coisa. É verdade. Eu querendo ou não tenho uma galerinha muito da barra pesada que salta em minha defesa. Como posso desprezar uma ajuda dessa? Não posso. Fazem parte de mim, parte da minha estrutura. E não atacam à toa, não saem por aí distribuindo destruição sem razão, ao léo. Se mordem e batem é porque alguém ou alguma coisa me atacou antes, me fez sofrer, me machucou. Amigos fazem isso, protegem. Não vou renegar uma coisa dessas, nunca em minha vida. Por favor, continuem fazendo o que são programados e criados pra fazer mas evitem os excessos. Estamos procurando o equilíbrio e a temperança. Às vezes um berro bem dado no pé do ouvido assusta tanto quanto um cacete óbvio. Pensem nisso. Mas não to aqui interferindo no trabalho dos outros. Vocês fazem o de vocês e eu faço o meu, mas somos uma equipe, né? Então...juntos...na paz.
Agradeço formalmente o fato de ser cigarra em mundo de formiga. Tudo bem que às vezes me sinto só, meio estranha com tantas coisas dentro de mim que querem e precisam ser transformada em música e choro, em canção e tristeza, em melodia e libertação. Poucas pessoas tem esse tipo de inquietação. Eu tenho. Me corrôo com isso, me come por dentro, me perturba. E quando eu, taurinamente teimosa, me recuso a botar pra fora, seja pra não perpetuar no cosmo minhas dores, seja pr medo de expor meu coração, quando eu faço aquilo que é contrário à minha própria natureza, ela, essa minha natureza criativa, se volta conra mim. Eu explodo por dentro e nem me dou conta do estrago que eu mesma fiz. Aceito minha sina de viver em chaga aberta, nua, exposta. Não adianta esconder o que pode transbordar.
Agora tô transbordando. Músicas saem de mim, escorrem, me sacodem, riem pra mim, choram baixinho. Doidas essas minhas músicas, estranhas, alguma músicas menores, outras são possibilidades muito boas, mas cada uma delas são minhas, minhas crias, pedaços de mim. Aceito e abraço cada uma delas antes que me matem por dentro.
Sim, to compondo cartárticamente. Dolorasamente. Intensamente. Insanamente.
Não me importo. Nunca quis a sanidade morna. Aliás, nunca quis nada morno.
E a gente pede e Deus dá.
Deu nessa merda toda.
Fazer o quê?
Cuidar. Só isso.
E tem mais, tem um prêmio aí. Quando tudo que eu sinto e vivo vira música, as emoções todas se despregam de mim, eu me liberto. Ou porque a emoção foi absorvida pelo mundo e assim transformada ou porque eu gastei toda essa emoção quando a música foi feita e aí eu é que me transformo.
Economizo anos de terapia e economizo um troco.
Vale à pena.

2 comentários:

Patricia(Gô) disse...

Aleluia senhor , aleluia ...rs
bjs mil ...saudades

Alan Pascal disse...

gostei quando você falou que as coisas sentidas e vividas viram música, quem dera eu ter essa capacidade