segunda-feira, 20 de julho de 2009

reflexões

Agradeço imensamente minhas características que me fazem "eu".
Nossa Senhora, ficou esquisito.
Agradeço por ser como eu sou. É isso.
Simples.
Uma ciranda bem da dançada, uma coisa bem facinha de entender, pisa aqui no tempo, vai girando, sente a música que no fim tá todo mundo no mesmo pique. Rapidinho todo mundo pega a letra e sai cantando..."ô cirandeiro ô cirandeiro ò a pedra do seu anel brilha mais do que o sol". Aquela festa!
Eu lá quero ser tango? Nem fudendo! Ter que pensar no que vai fazer, o pé vem pra cá, agora gira pra lá, o outro tem que saber o que você vai fazer, tudo meio que ensaiadinho,tudo com regra, uma coisa meio que matemática...estou usando metáforas, peloamordedeus, tenho nada contra o tango, acho até engraçadinho, mas que é muito mais complexo do que uma ciranda, ah, isso é!
Tô a fim de complexidades não. Quero nada confuso, cabeludo, difícil de entender, que tenha que pensar muito, que tenha que sofrer então,mas nem quero que passe por perto! Quero a simplicidade de uma ciranda. Ponto.
A vida passa muito rápido, escorre pelos dedos. Se a gente não se cuidar, não ficar atento, quando se dá conta, sofreu pra cacete em vão, chorou rios de bestagens, se agarrou em defuntos podres, em sonhos tolos, em expectativas fajutérrimas, que perdeu um tempo do caralho!
Não sofro um milímetro a mais do que o indispensável e o incontrolável! Que morra à mingua meu sofrimento porque eu não alimento essa porra.
Não é nada de mais, uma escolha de como viver. Simples assim. Sou simples assim. Não quero nada além dessa simplicidade.
Uma boa vista pra se ver, um bom papo, um bom chamego, um violão encostado em algum canto, um trabalho que me faça sorrir, uma graninha pra cerveja e pro samba, um samba feito na mesa da cozinha, um refrão bom, um projeto , um olho lá na frente, no futuro, uma vontade de viver, de ver, de sentir, de cheirar, de provar, uma vontade absurda de estar feliz.
Simples assim.
Não consegue acompanhar? Nasceu com dor por todo o canto? Dói viver? Sofre sem razão clara, tem angustia generalizada? Dois caminhos: ou enfrenta uma terapia braba ou se fode. Ou muda esse padrão ou se fode. Ou assume que não consegue e fica por aí, todo fudido.
Mas eu to lá, lá no meio da roda dançando ciranda. Tô bebendo água de bica, tomando café de bule, conversando com o mundo todo, confraternizando, sentindo, cheirando, sorrindo, chamegando, cantando pra quem quiser me ouvir, gargalhando indecentemente.
Como eu disse, sou simples demais para as complexidades desse novo mundo.

6 comentários:

Rafael Torinho disse...

Vc é igual a arroz e feijão.
Os outros pratos até alimentam. Mas ninguém vive sem a simplicidade de um arroz e feijão!

Tatiana disse...

Mas quero ser arroz soltinho e feijão cheio de tranqueira!!!

Anônimo disse...

Você é uma mesa farta, isso sim!!

Georgiana disse...

Avisa quando estiver passando pela cidade. Acho que não vou poder embarcar com você a não ser perca a eira e a beira. Mas, avisa.

Menininha bossa-nova disse...

Bonito... cirandeiruda!

Vivien Morgato : disse...

Perfeito, é por aí mesmo.
vida passa enquanto o povo tem piti, é tudo muito rápido...
beijos, saudades de vc.