sábado, 13 de setembro de 2008

Preciso agradecer

Me vi mais uma vez em cena hoje. Fazia anos que eu não estava no palco daquela forma que nem é teatro, nem é só um show. Uma mistura de uma coisa e outra.
Me senti confortável. Me senti muito bem falando os textos, olhando nos olhos do ator enquanto dançava um maracatu muito doido da música do boto.
Voltei pra casa pensando nos caminhos que a vida da gente dá. Tudo que eu fiz no passado está se juntando agora bem ali, na ponta do meu nariz.
Os espetáculos de teatro que fiz, tantos que nem sei dizer quantos. Aprendi a me comportar no palco com o povo de teatro. Um ano inteiro de minha vida trabalhando direto com música e teatro.
As trilhas para espetáculos que eu fiz. Aprender a pensar na cola da mente do diretor. Produzir no estúdio. Ver a música que eu fiz no violão ser preenchida por muitos sons, por tanta coisa. Nascer toda formosa. Tem música que fiz pra teatro que eu gosto tanto quanto algumas que gravei em meus cd's. Morro de orgulho e mostro toda pimpona!
Tantos shows que fiz nesse mais de vinte anos de carreira. Saber lidar com os músicos. Saber tirar deles o que eu precisava sem que eles se sentissem tolhidos por mim. Pirar junto com eles. Sorrir e suar junto.
Produzir todos os meus cd's.
Perceber que as aulas que dei, e simplesmente odiei, durante um ano inteirinho não tinham sido em vão. Eu não sabia, mas se não fosse aquele ano dando aula de iniciação infantil eu não teria feito as canções que geraram o cd infantil e que hoje é um show do cacete.
Hoje, voltando pra casa após o ensaio, percebi que eu estou usando tudo que eu vivi nestes anos.
Nada foi em vão, mesmo quando eu achava que seria uma perda de tempo. Eu é que não percebia a sabedoria que o destino tem.
Isso tá na minha cabeça.
A vida tem uma sabedoria que está acima da nossa compreensão. Saber se deixar levar pela vida, pelo inusitado, pelo improvável, pelo doloroso porque tudo isso faz parte da trama maior.
Eu to no meio do teciso mágico que a vida teceu pra mim. Nada está errado, tudo está no seu devido lugar, na sua forma correta do jeito que tem que ser. Nada acontece por acaso.
Caramba, como percebo isso com total clareza. Nada é por acaso!
Agora, nesta segunda, eu finalizo um perído de sete anos de minha vida. Sete. Um número mágico, místico. Um setênio, né, meu amigo?
Um setênio muito importante pra mim.
Percebo que neste últimos sete anos eu virei uma outra pessoa, tanto no profissional quanto no pessoal.
Cresci muito enquanto artista. Amadureci. Encarquilhei. Rachei. Trinquei. Me poli. Criei, criei pra cacete!
Tive parceiros que eu nunca nesta vida posso esquecer e só tenho que agradecer, mesmo que tenha quebrado um tremendo de um pau com alguns e não os veja mais hoje. Mas o que eu sou, eu devo a eles e à sua passagem por minha vida.
Geraldo Franco por perceber que eu era uma mulher de palco e me chamar pra trabalhar com ele nas peças de teatro, nos musicais, nos infantis. Entre nesse universo porque ele acreditou em mim.
Sebastian Marques por ver em mim a compositora que eu nem sabia que tinha e me convidar para fazer a primeira trilha de teatro que originou o primeiro cd. Ele abriu uma comporta em mim.
Luhli que fez a direção musical do meu primeiro cd. Minha madrinha, minha amiga, minha irmã bruxa. Não escondo a ninguém que minha música tem muita influência da música dela. Foi por suas mãos que eu entrei no universo dos estúdios e da música autoral.
Paulo Oliveira que fez os arranjos do meu primeiro cd. Nunca fui tão calada em minha vida como quando ele trabalhava e eu, sem nem pestanejar, tentava aprender por observação. Aprendi.
Rodrigo Montanhaur. Primeiro baixista que me acompanhou por muitos anos. Parceiro mais antigo, primeiro músico que veio comigo desde o começo da carreira de compositora.
Carlinhos Rosa era quem estava comigo quando precisei fazer o show de lançamento do cd. Meu mágico harmônico. Me ensinou - talvez nem saiba disso - a pensar em arranjo, a criar sobre o já criado. Meu amigo muito querido.
Lean Mendes. Viu nascer as músicas do cd infantil. Sonhou comigo, viajou comigo. Me mostrou outros timbres e me ensinou a amar.
Gustavo Souza. Parceiro mor. Gravou meu primeiro cd, produziu comigo praticamente todas as trilhas de teatro que eu fiz e bancou a idéia do projeto do cd infantil. Gravei com ele o segundo cd ao vivo dentro do seu estúdio e foi quem deu a idéia da gravação do dvd. Nem sei o que seria de mim sem esse cara. Aprendi tanto com ele que nem sei como descrever. Muito menos como agradecer.
Bruno Sotil. Sei lá..meu amigo..meu quase irmão. Foi cunhado por um tempo. Companheiro que , se eu puder, levo comigo pra onde eu for. Sua percussão me estimulou a pensar ritmicamente, a sentir ritmicamente. Uma puta precisão que me dá apoio e segurança.
Ugo Castro Alves. Meu valete. Meu braço direito. A extenção da minha criatividade. Com ele mergulhei nas harmonias, na criação e onde eu ia, ele ia. Uma dupla poderosa. Devo eternamente esse apoio irrestrito à minha carreira. Vestiu a camisa de verdade e nunca me deixou na mão quando eu precisei.
João Paulo Gonçalves. Esteve em todos os grandes shows desde o lançamento do último cd. Agora está sendo meu ponto de segurança nessa empreitada do show-espetáculo, é com ele que eu conto caso eu tropece, caso eu me perca. Ele é a mão que tem que vir me socorrer.

Sei lá.
Precisava agradecer a cada um deles por tudo porque eu sou o que sou com a ajuda de cada um deles.
Preciso agradecer a Deus, aos santos, aos orixás, aos elementais, a esse povo todo do Reino dos Encantados por tudo que eu consegui. Não foi pouca coisa não. Foi coisa muita. Muita mesmo!
Preciso fazer meu canto de vitória mas eu não mereço isso tudo sozinha. Preciso dividir com cada pessoa que me ajudou nessa caminhada. O canto é meu mas é nosso também. Sozinha eu não teria conseguido. Sozinha eu não sou ninguém.
Muito, muito obrigada. Cada um deles foi um instrumento da minha transformação e um amigo importante. Quero que saibam que eu não esqueço essas coisas. Não quero esquecer. Quero lembrar, sorrir e agradecer mais e mais.

Estou fechando um ciclo importante, sinto isso. Sinto isso de uma forma tão palpável quando as teclas nos meus dedos.
Fecho uma era.
Fecho com chave de ouro sete anos de trabalho intenso, de dureza intensa, de correria intensa, de felicidade intensa, de tristeza intensa. Fecho um ciclo por que outra fase vai começar a surgir na minha frente.
Não faço idéia do que vai acontecer, mas algo vai acontecer. Já está acontecendo.
Fecho as portas de uma velha e amada casa, passo a chave no conhecido trinco e saio pela calçada.
Uma saudade imensa e uma ternura doída de tão intensa.
Não sei pra onde vou, mas sei que já estou indo.
Não sei quem vai comigo, mas sei que não vou só.

3 comentários:

Vivien Morgato : disse...

Bacana fechar um ciclo de forma harmônica, deixando debaixo do pé as coisas que doeram e levando as coisas que deram prazer.
Não sabia que vc conhecia o Sebastian...trabalhei com ele há milênios, quase em outra vida. Gente boa demais!
Grande beijo, gurua, sucesso sempre.

Morena disse...

Que, o mundo mágico te abençõe !!! Estarei aqui segurando a vibração !!!
Sucesso !!!!

mamão disse...

Colhemos o que plantamos!

Muita "Merda" pra todos vocês (é assim não é?)

Parabéns
mamão