segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

segunda feira

Diante dos mais retumbantes trovões, a segunda-feira nasceu.
A madrugada balançava nos céus e nós, estremecidos, cobríamos a cabeça como se este mesmo céu pudesse cair e nos alagar com tanta chuva, raio e riso.
Na morna curva, adormeci, ainda trêmula e ainda úmida.
A manhã chegou lenta e resistente. Arrastou o sol com ela, como criança que puxa pela mão seu melhor amigo. E eu lavava roupas e mais roupas, rápida, com medo que o amigo fosse embora e me deixasse só e suja, meu varal como um cordel de cores e memórias impublicáveis, o cheiro bom da limpeza invadindo meu quintal. Do batente da porta da cozinha, um copo de suco de laranja fresco em minhas mãos, olho um horizontes de panos flutuantes e sorrio.
O " Choro do Zé" toca sem parar na minha sala. Repete, repete, repete até que a perfeição fique instalada e a emoção se espalhe. Eu me emociono de ver a dedicação e a vontade. Sim, eu cantarei essa também. Cantarei mais do que tudo só para te fazer feliz.
Um cheiro de café sobe por mim.
Os cachorros ainda amedrontados e sumidos. Não são dados a raios e trovões. Silêncio canino.
A jabuticabeira chorou folhas e mais folhas mas exibe , orgulhosa, seus minúsculos frutos e eu sorrio para ela. Sim...você é linda e forte.
Pego a vassoura e começo o ritual das segundas.
Mas meu coração percebe que algo novo começou. Novo como todas as segundas feiras de uma vida inteira.

2 comentários:

Anônimo disse...

começar uma segunda assim é uma benção.
sinto amor no ar.
e isso também me faz sorrir.

Luciana Farias disse...

minha segunda já foi completmanete preguiçosa, kkkkk

Saudades, mulé!