terça-feira, 24 de julho de 2007

eu, um poço de delicadeza

Café da cidade super metido a besta.
Eu metida a besta, toda arrumadona.
Minha amiga chiquérrima, muito besta também.
Canelinha, por favor.
Veio com aquela espuminha, sabe? Aquela coisinha que fica sobre o café.
Não sei como mas meu peito direito entrou dentro da xicrinha, e eu fiquei com um peito espumante.
Minha amiga, avexada com esta situação ridícula, pega um guardanapo. Na hora que eu estendo o braço, derrubo o cinzeiro que voa. Ele realmente voa e acerta a mesa ao lado, bate bem no ombro da outra moça chiquérrima lá. As bitucas de meu cigarro se espalham pela mesa, pelo prato, por sobre o café, tinha cinza de meu cigarro até no cílio da pobre desconhecida.
Levei um susto e minhas pernas, sem querer, chutam por debaixo da mesa, a canela de minha amiga que grita. O copinho de água mineral com gás cai e escorre bem na xereca de minha amiga. Eu, com peito espumante. Ela com a xereca gaseificada.
Vem a garçonete na mesma hora que eu me levanto. Dou um cabeçada, meio de baixo para cima, no queixo da moça que vinha por trás e eu não vi. Ela morde o lábio e a boca sangra.
Um peito espumante. Uma xereca gaesificada. Um cílio cheio de cinza e uma boca sangrando.
Em dez segundos eu esculhambei o café chiquérrimo do Cambuí.
Mas o pior não foi isso. O pior foi a crise de riso nervoso que me deu e, infelizmente, só deu em mim. Eu ali chorando, escorregando naqueles bancos de couro metidos a besta , de tanto que eu ria, só minha gargalhada nervosa ecoava pelo café metido a besta.
Às vezes, eu não caibo em mim.

16 comentários:

Zéfiro, o retorno disse...

Tati, devia fazer uma seleção só desses xabus maravilhosos que vc dá. É de chorar de rir. Sua história do roubo do vaso de madrugada, o mambo ou salsa, sei lá, com o baixinho endiabrado, essa aí embaixo do pula pula de barriga cheia. São absolutamente o máximo! Faz uma antologia desses: "Pastelões e Papelões". O sucesso é garantido!
Juro que quero ir com vc a um restaurante fino,só que gostaria que chegássemos já um pouquinho bêbados para acelerar os acontecimentos.
Há Há Há

Tatiana disse...

Zéfiro,
Se eu for em um lugar chiquérrimo eu pareço chiquérrima. A merda é que o mundo é pequeno, as coisas ficam próximas demais das outras e eu, quando me expresso, me expresso mesmo. Com o corpo todo, sabe? e, sei lá porque, tudo cai quando está perto de mim.
E eu com algumas gotas de álcool, ai meu deus, do céu, sei não.
Sei não.

Claudia Lyra disse...

Diz pra mim que isso é um texto de ficção, diz pra mim! Hauahauhauhaua...
Tatiana, estou meio caladinha, mas continuo te lendo sempre, a cada atualização do blog. Só que, agora, pelo leitor de feed, o que não permite que eu comente os textos. Uma pena. Mas, ó... você SEMPRE me emociona. O post abaixo me queimou por dentro. Beijos!

Tatiana disse...

Não, Cláudia.
Não é de ficção.
Que merda, né?

Tatiana disse...

Cláudia,
Me queimou tb

Thaís disse...

Tenho um amigo que te descobriu em algum palco (mais ou) menos besta de Campinas. Não importa. Tem um tempo já que me chamou pra ver também; mas, chovia quase como hoje. Passou. Hoje ele me escreveu; pra dizer que lembra de mim em Negros Olhos (porque sua música de certo não lhe cabe somente). O fato é que fui ver qual era. Será que tinha site? Fui que fui. Vim parar aqui. Te descobri de peito espumante e achei o máximo! Volto mais.

Luciana Farias disse...

HAHAHAHA... vamos montar o clube das desastradas mor??? :-)))

Beijocas!!!

Morena disse...

Concordo, plenamente, com o Zéfiro.
Como vc mesma diz: Deus te deu muita boa vontade mas, não te deu jeito.
Bjs

Ana Paula disse...

AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH..
se fosse qquer outra pessoa no mundo q tivesse escrito isso, eu duvidaria, mas com vc eu sei q td isso é absolutamente possível e quase normal..rs....
vc riu sozinha pq eu não estava perto... imagina eu com essa minha risada q já me rendeu várias expulsões de sala de aula na vida presenciando uma coisa dessa?
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHA
:)

Perla disse...

hahahaha...
Eu imagino a cena...rsrs

Adriana disse...

Se eu estivesse perto, amiga, eu ia rir que nem uma desesperada. Eu num guento! Eu rio de tombos, trapalhadas e gagos, sempre! Não há exceção, nem quando é comigo. Uma vez caí na rua (uma das milhões de vezes, diga-se de passagem) na posição "Napoleão perdeu a guerra" e cadê que eu conseguia levantar, de tanto que eu ria, que nem uma mula, estatelada de quatro, no chão da rua???
Ah, Nenê... Tu arrasô nessa! hehehehehehehe

bjks de Nini

Carô disse...

Tão tão, TÃO a sua cara, hahahahahahaha :-)!
Beijos, querida, tô com saudades!

Sonhos de Crochê disse...

Tati, escreve um livro. Adoro teus textos
Beijos

Vivien disse...

Que petúnia...rsrsr
Eu gosto de lá, é metido a besta,...mas é gostchoso.;0)

moacircaetano disse...

hahahahhaha...
daria um ótimo curta-metragem!

ana vidal disse...

Hilariante, Tatiana, seja ou não ficção.
Também sou muito distraída (já me aconteceram coisas incríveis por causa disso) mas não tão desatrada assim.
Vim parar ao seu blog através de Lord Caco e já fiquei fã. Vai já para os meus links de visita habitual. Gostava de conhecer mais sobre as suas canções, até porque sou letrista. E adoro cozinha, também.

Um beijo
Ana

http://portadovento.blogspot.com
http://pasteis-de-nada.blogspot.com