segunda-feira, 2 de abril de 2007

O mais longo amor

É em você que eu me escoro quando o mundo pesa em minha cabeça.
Em em seu corpo que eu escorrego as mãos, carícia distraída, quando minha mente vaga, perdida do agora.
Espero em você as repostas que nunca vêem e, mesmo assim, me acalanta a alma.
Meu melhor amigo.
Meu amor certeiro.
Parceiro.
Cumpadre.
Amante.
Confessionário exposto.
Janela aberta, um decote indecente do meu peito vão, fresta de porta, buraco de fechadura, diário violado. Você ,indecente, me relevando. Despudorado. Exibido.
Cúmplice.
Já chorei agarrada a ti, minhas lágrimas te molhando e tua estática presença era a minha certeza que nem tudo muda. Você não muda. Nós não mudamos.
Já senti ciúme. Menti. Fingi. Neguei mas agora confesso. É meu e de mais ninguém. Mesmo que gema melhor e mais alto em outras mãos, é em mim, é comigo, juntos, nós, um só. Só comigo. De mais ninguém.
Lindo.
Único.
Meu.
Nas minhas maiores alegrias, você estava ao meu lado.
Nas minhas mais profundas tristezas, estava comigo.
Nos silêncios tristes sua ausência era uma presença. A tua falta é desconfortável. Sinto tanto a tua falta que dói. Me falta. Eu sem você não me reconheço direito, eu sem você tenho os braços imensos e desengonçados, uma amplidão de vazio, eu sem você não sou eu de verdade.
Você, meu amado.
Você, meu amigo.
Você, violão quebrado, cheio de rugas, cheio de marcas, cheio de história.
Você.
Meu par perfeito. Feito à mão. Feito sob medida. Feito para mim, mesmo sem saber.
Você, meu espelho. Grande. Forte. Marcado. Manchado. Cheio de história. Cheio de coragem. Cheio de passado.
Nosso passado.
Você e eu.
Um só.
Meu violão tão querido.
Meu.
Querido.
Violão.
Obrigada.

14 comentários:

Clélia Riquino disse...

Lindo, Tati! Conhece esta canção, gravada por Fátima Guedes?:

Violão
Sueli Costa & Paulo César Pinheiro


Um dia eu vi numa estrada
um arvoredo caído
Não era um tronco qualquer.
Era madeira de pinho
e um artesão esculpia
o corpo de uma mulher
Depois eu vi
pela noite
o artesão nos caminhos
colhendo raios de Lua
Fazia cordas de prata
que, se esticadas, vibravam
o corpo da mulher nua
E o artesão, finalmente,
nesta mulher de madeira,
botou o seu coração
e lhe apertou contra o peito
e deu-lhe nome bonito
e assim nasceu o violão.

bjo,
Clé

Tatiana disse...

Não conheço não, Clélia.
Queria conehcer. Vou catar no emule!
Obrigada!

Clélia Riquino disse...

E esta, por Elizeth Cardoso?:

Violão vadio
Baden Powell & Paulo César Pinheiro


Novamente juntos eu o
Violão
Vagando devagar
Por vagar
Cantando uma canção
Qualquer só por cantar
Mercê da solidão
Vadiando em vão por aí
Nós vamos seguir
Outra rua, outro bar
Outro amigo, outra mão
Qualquer companheira
Qualquer direção
Até chegar em qualquer
Lugar
Qualquer que seja a morte a
Esperar
Jamais meu violão
Me abandonará
Se eu vivi foi inútil viver
Já mais nada me resta saber
Quero ouvir meu violão gemer
Até me serenizar

Clélia Riquino disse...

Vou colocar as duas no GOEAR pra você...

Bruno Ribeiro disse...

MEU VIOLÃO
Paulinho da Viola


Não posso passar sem meu violão
Não posso viver sem carinho
Quando eu não tenho ninguém
Corro e abraço meu pinho
Como ele eu seguro a saudade
E a tristeza de viver sozinho

Já vivi em minha vida
Momentos de intensa paixão
E no fogo da ferida
Eu até achava inspiração
Quantas vezes eu cantava
Quando não podia nem falar
É que meu violão me ajudava
A trazer a esperança
Dentro de um poema

Tatiana disse...

Afe,
não conheço nenhuma dessas canções.
Preciso conhecer!

Clélia Riquino disse...

Tati,

Veja se clicando aqui você consegue ouvir"Violão", com Fátima Guedes.

Bjo,
Clé

Susan disse...

Lindo,adorei...

Ana Paula disse...

eu tb preciso mandar pra vc "meu companheiro violão"do vlado lima...rs...é maravilhoso!

Arnaldo disse...

Gosto muito desta, do Sidney Miller:

Meu violão
(Sidney Miller)

Meu violão, meu coração que canta
Quanto mal espanta, quanta dor desfaz
Pois faz de conta que me fez contente
Que eu não choro mais
Fala o que sente seja o samba o que ele for
Mas de repente vem falar do meu amor
Pra dar ao samba um tom maior
Pra dar ao verso seu valor

Meu violão num toque tão ligeiro
Chegará primeiro quem melhor cantar
Por um segundo ninguém perde o mundo
Ninguém vai chorar
Virá meu tempo, vou-me embora quando for
Mas fica um samba pra falar do meu amor
Laia laia laia laia lala

Meu Violão já quis fazer feitiço e não pegou
Sem compromisso batucou verdades
Que ninguém falou cantou
E agora insiste no meu samba alegre
No meu choro triste na minha canção
Pra se fazer ouvir
Faz da esperança à melodia
E traz a luz do dia como inspiração

Meu violão, eterno companheiro
Que se fez parceiro na composição
Segue o meu passo que vai no compasso do meu coração
Leva comigo mais um canto, por favor
que eu tenho tanto que falar do meu amor
Um samba só, por Deus Nosso Senhor

Ronaldo Faria disse...

Dizia isso às minhas máquinas de escrever. Falo pro meu computador. E a tudo que me faz ouvir e ser, como você.
Cuide-se!
Ronaldo Faria

Clélia Riquino disse...

Tati,

Agora, clique pra ouvir "Violão Vadio", com Elizeth Cardoso.

Bjo,
Clé

Tatiana disse...

ente,
Eu não conheço nenhuma dessas canções!
Nenhuma!
Que horror!

Tatiana disse...

Clélia,
Eu ouvi!!!!
Ouvi a Fátima Guedes.
Lindo, lindo!