terça-feira, 17 de abril de 2007

Dezoito anos!

Hoje meu filho mais velho faz dezoito anos.
Impressionante.
Dezoito anos.
Ainda me lembro do peso que minha barriga fazia. Me lembro daquela barriga imensa, meu corpo completamente transformado, uma menina tendo filho e eu me sentindo uma mulher, absolutamente segura que tudo iria dar certo.
E deu.
Me lembro dele caindo debaixo da cama e eu, como louca procurando, e aquele pensamento absurdo que me martelava a cabeça: abduzido? Via ficção demais naquela época.
Minha primeira tentativa de cortar as unhas. Cortei o dedo do bichinho e eu chorei mais que ele.
Eu cantando as canções de ninar. Cantando Nana Caymmi, cantando Clube de Esquina. Não sei como ele foi ter um gosto musical tão ruim, ele cresceu ouvindo música de qualidade.
Ele chorando no meu colo a morte dos Mamonas. Eu chorando também.
Eu dormindo antes dele e ele me colocando a coberta.
Antes de entrar na sala de cirurgia, ele no meu colo, doidão com o pré-anestésico, dizendo:
-Mamãe, aqui está cheio de micróbios. Muitos micróooooobios.
E eu olhando em volta e pensando " será?".
Seu charme avassalador aos três anos.
Ele aprendendo a andar de bicicleta sozinho, se ralando no muro, mas decidido a ser independente.
Eu socando o velho maluco que tinha batido nele. Os cachorros mordendo e eu espumando.
Sua primeira namoradinha.
Seu primeiro desgosto amoroso. "Quer que a mamãe vá lá e xingue essa moça de boba, meu bebe?" Suas gargalhadas no meio da tristeza.
A volta por cima. Meu orgulho.
Seu porre fenomenal. Vexame.
Eu dando camisinhas. Muitas. Várias. E ele rindo de minha preocupação e guardando todas elas, jurando de pé junto que ia usar, só para que eu me acalmasse.
A primeira moça aqui em casa. Eu passada. Um choque. Mas resignada.
Nossas conversas longas.
Suas músicas toscas tocando aos berros. Minha vergonha.
Sua alegria no vestibular.
A forma que abraça o irmão e pergunta:
-E nossa mãe?
Meu peito treme por ele.
Meu filho amado.
Um homem agora.
Na faculdade!
Meu filho que eu dei o peito agora tá atrás de outras tetas.
Quer voltar para onde um dia saiu.
Destino dos homens.
Regressar. Sempre regressar.
Meu filho virando gente grande.
Ele, minha ampulheta.
Ele, metade de mim.
O mesmo sorriso.
A mesma cara.
o mesmo nariz.
Mas o senso de humor é do pai, sem dúvida.
O gosto musical eu não sei de onde veio. Talvez, uma mutaçao. Vai saber.
Meu filho tão amado.
Se você me fizer vó logo, eu te renego.
Por dois segundos.
Depois amoleço outra vez.
Meu filho.
Dezoito anos de mãe eu faço hoje.
Minha estréia. Meu melhor papel. O mais importante de minha vida.
Meu amor que não deixa uma única réstia de dúvida.
Meu filho.
Ai, eu acho que to emocionada com isso.
Meu filho agora é responsabilidade dele mesmo.
Nossa.
Passou rápido demais e eu nem vi.
Meu filho é um homem e eu ainda me sinto aquela mocinha grávida acreditando que tudo daria certo, com o realmente deu.
E ainda dará!

12 comentários:

Vivien disse...

Tenho certeza que ele vai adorar esse texto-presente. Parabéns pra vcs dois.bj.

Anônimo disse...

Nossa, emocionei......ele tem mesmo uma mãe especial, tá lindo.
Beijo ...saudade

Leonor disse...

Que lindo!
Adorei!

Morena disse...

Amo muito esse menino, também!
Toda a felicidade , do mundo, para ele.

claudia lyra disse...

Ai Tatiana... você me faz chorar tem hora...
Meu filho também tem 18 anos, cê sabe, né?
Ai Tatiana... me emocionei... por mim e por você...

Perla disse...

Lindo, querida... Tbm me emocionei.
Parabéns pro seu "bebê".
Abraços

cIÇA disse...

LEMBREI-ME DISSO AQUI:

Para elas
(Alzira Espíndola e Alice Ruiz)
Poesia: Alice Ruiz


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amor que se dedica
amor que não se explica
até quando se vai
parece que ainda fica
olhando você sair
sabendo que vai cair
deixar que saia
deixar que caia

por mais que vá sofrer
é o jeito de aprender
e o teu caminho
só você vai percorrer
se você vence, eu venço
se você perde, eu perco
e nada posso fazer
só deixar você viver

enchemos a vida
de filhos
que nos enchem a vida

um me enche de lembranças
que me enchem
de lágrimas

outro me enche de alegrias
que enchem minhas noites
de dias

outro me enche de esperanças
e receios
enquanto me incham
os seios

amor que se dedica
amor que não se explica
até quando se vai
parece que ainda fica
olhando você sair
sabendo que vai cair
deixar que saia
deixar que caia

por mais que vá sofrer
é o jeito de aprender
e o teu caminho
só você vai percorrer
se você vence, eu venço
se você perde, eu perco
e nada posso fazer
só deixar você viver

só olhar você sofrer
só olhar você aprender
só olhar você crescer
só olhar você amar
só olhar você...

voz em poema e vocal: Alice Ruiz
violão e voz: Alzira Espíndola
violão: Luiz Waack
calimba: Décio Gioielle

Anônimo disse...

Meus olhos ficaram mareados...

Juliana Marchioretto disse...

eu juro que fiquei completamente arepiada com esse texto lindo... me emocionei também. coisa linda isso.

parabéns pra vcs.
beijo grande.

Zéfiro Encantado disse...

Toda felicidade aos dois!
Você é uma mãe porreta, dessas que todos gostariam de ter.
E mais uma coisa... Você nasceu também para escrever.
Um dom a mais para você administrar. Quando se convencer, finalmente disso, verá que tem mais um filho: seus textos.
Sou pai, me espelhei,fiquei emocionado ao ver a vida voar nesses flashs backs com que você a retratou.
Demais!

Ana Paula disse...

...buáááááááááááááááá...

Monika disse...

O meu filho já teve 18 hoje 32 mas pra mim sempre menino,e quando o vejo me lembro a menina tb que era qdo ele nasceu pois era eu que tinha 18... e ainda eu babo, me preocupo, e muitas vezes ele ainda me faz chorar de alegrias, de suas lindas composições, de raiva que tenho dele afinal somos do mesmo signo e saiba esses merdinhas são pra sempre! Dura horrores