sábado, 10 de fevereiro de 2007

solidão musical dói também

Desacostumei a tocar só. Ter sempre a banda perto de mim, pelo menos um dos meninos junto comigo, é um conforto fácil de se acostumar. Ter solos para eu poder descansar a minha voz, ou ter o ritmo me ajudando a balançar o povo, ou simplesmente a diversão dividida.
Tocar sozinha está se transformando em uma coisa muito triste.
Ontem senti falta, passei a noite toda sentindo falta, faltando em mim e no som que eu faço.
Ontem faltava!
E isso para mim é, de certa forma, uma coisa difícil de lidar porque eu já tinha acostumado a ser só. Fecho trabalhos longe, em outras cidades, pego o carro, pego estrada, passo algumas horas sozinha na direção pensando na vida, chego no bar, monto o som, passo o som, sento no meu banquinho, toco solitariamente. Consigo cantar e tocar, acompanhar tudo que acontece no bar, inclusive as conversar porque faço leitura labial, então me divirto observando o povo para diminuir o tédio que a solidão sempre traz para mim. Acostumei a ser só. Antes nem ligava.
Mas agora...agora que eu sinto que me falta. Me falta o outro, me falta o olhar cúmplice, me falta a risada escondida diante do escorregão na harmonia, me falta a conversa sem palavras, me falta o delírio diante de um momento especialmente bonito, me falta a proteção do outro, me falta. Caramba, simplesmente me falta!
Não me incomodo com a solidão da vida diária. Fico muito bem em minha própria companhia. Gosto de estar comigo.
Mas atualmente percebo que a solidão na música é muito mais doída do que eu imaginava.
Um dos momentos mais lindos que eu vivi em minha vida profissional foi no show do Sesc. Quando acabamos o show, todo mundo estava ligado. Nós, a banda e a platéia. Uma energia única que ligava todo mundo. Saimos do palco e ali, do ladinho da escada que levava aos camarins, antes de abrir acesso ao público, toda a banda se abraçou, uma abraço tão cheio de amor e cumplicidade, tão forte, tão verdadeiro. Nunca senti tanto amor girando em volta de mim e de uma banda. Éramos mesmo uma única coisa, uma única célula. E isso me encheu o peito felicidade e acho que me mostrou que eu preciso do outro, muito mais do que eu imaginava.
Então ontem, quando eu tocava só, senti muita falta daquilo que tenho vivido. Me senti desamparada e abandonada. Me senti sem um pedaço de mim. Me senti estranhamente deslocada em um palco porque o outro me faltava.
Acho que desaprendi a ser só.

8 comentários:

Bruno Ribeiro disse...

Eita, mudou de novo o visual? Tava tão bonito daquele jeito! Achei que tu tinha acertado a mão...

Bjo

Tatiana disse...

Só pra variar, só pra mudar...

Arnaldo disse...

Mas acho que tudo em itálico fica meio cansativo pra ler. Sei lá. É só um palpite!

Clélia Riquino disse...

Eu tb acho. Desconfortável pra ler...

Clélia Riquino disse...

Gostei, no entanto, da volta da cor salmão, ao fundo.

claudia lyra disse...

Uma coisa que acho que nunca conseguiria fazer é tocar sozinha em bar. Sei lá... acho que sou muito travada mesmo.

Clélia Riquino disse...

Tati,

Agora, comento o post, através de uma canção da Fátima Guedes:

Eu
Fátima Guedes


Eu sou uma voz, eu sou uma figura
Sou o meu sonho de o ver realizado
Hoje eu descobri o mais incrível
Sou quase inacessível
Estou tão longe dessa estrela

E um dia tem muitas horas,
Muitas horas, muitas horas
Viver é esbarrar com elas e senti-las
No quarto, no espelho, no colchão
A minha solidão
Não deixa que elas me toquem

Estrela não tem luz própria
Quase ninguém sabe disso
Eu sinto muita saudade
Do brilho dos meus amigos
Sinto falta de você
Seu eu pudesse querer
Queria você comigo

O você da letra, pode ser um ou vários, podem ser seus músicos... Mas eu, particularmente, acho que você tem luz própria!

bjo,
Clé

Clélia Riquino disse...

Em tempo: Gostei do lilás e a fonte, sem itálico, fica bem melhor!