terça-feira, 17 de outubro de 2006

Amei intensamente um homem.
Amei com todos os meus sentidos.
Amei de todas as formas que uma mulher pode amar um homem.
Amei na escuridão da distância, amei mergulhada em saudade, sua voz cortando o país e eu amava pela Embratel. Amava cada pulso que contava e tilintava em meu peito, como chuva na janela, a sua falta.
Amei agarrada em seus pelos, jurei amor com olhos úmidos, amei aos berros de delícia, amei com ele grudado em meu peito, um menino grande que me suga a alma e leva meu sangue, em vez de leite.
Pinguei lágrimas em sua boca, agarrando seu rosto com as mãos escorri mil gotas em sua garganta, batismo nas minhas águas, mergulhado em mim, quase sufocado, me pediu o ventre e eu dei um vale com nascente. De todos os meus sulcos retirei os líquidos que nos tornavam sagrados. Ajoelhada, pesou sobre minha cabeça a sua espada e dentro de um círculo nos consagramos em um.
Trançando os dedos, testa à testa, boca à boca, umbigo vasculhando umbigo, atrito, calor, braços abertos abraçando o mundo e eu me misturei nele e virei mulher. Nunca me senti tão fêmea como quando sentia ele em mim, preenchendo a ausência natural que nasceu comigo. Ele era a parte de mim que eu sempre procurara. Era a minha falta e minha tranqüilidade.
Amei ardendo e amei cantando.
Entrei por caminhos que nunca tinha iluminado. Meus bicos dos seios como faróis na escuridão e seu sexo, meu cajado, meu norte, minha bússula naquela profusão de atalhos e possibilidades. Nunca andei só por estas estradas. Nunca me abandonou e eu agradeço por isso.
Teu olho no meu aquecia minhas coxas, fornalha aberta, caminho para minhas matas, e ele me devastava e eu só sabia sorrir, lânguida e feliz. Fui intensamente feliz em seus braços.
Amei este homem com loucura e entrega.
Disse, me leva e ele levou.
Disse, me toma e ele tomou em grandes goles, em torturantes e delicados movimentos, cada pedacinho de meu espírito tão irriquieto domado na simples pressão de seus joelhos em minha cintura. Uma forma de loucura, certamente.
Amei esse homem e ele me amou na mesma medida e isso me fazia amar ainda mais, um jogo constante de fome e fartura, sede e pileque.
Amei como só se pode amar assim uma única vez.
Mas pelo menos amei.
Completamente.
E fui amada como eu sempre desejei ser.
Posso adormecer tranquila porque essa certeza eu tenho. Com ele aprendi a amar.

7 comentários:

lucy in the sky disse...

Q texto visceral!
adorei!

bom poder chegar e dizer q amou e foi amada!
boa quarta

Ronaldo Faria disse...

Minha musa da MPB, volta pra ele. Faz como eu, voltei paa um passado que se encaixa no presente como dá. E como é bom... E como é bom redescobrir ser criança de novo, adolescente, homem, babaca em dizer sempre, em lambidas de ouvido, "te amo". E ouvi-la dizer: também! Volta. A vida é uma só, o tesão é um só, a paixão é uma só. Enquanto estivermos vivos, há sempre tempo de consertar os erros e desacertos. Como disse a moça acima, o que é visceral fica. E a vida são as vísceras. O resto, inclusive elas, vira comida de vermes. Se assim é, nos deixemos comer de paixão por nossos amores. Dá mais tesão e paixão. E continuamos vivos. Aliás, bem mais vivos! Acredite. E você entende disso mais do que eu, xerox de poeta carioca, cria de um Leblon qualquer, na fé. Cuide-se! E cuide dos seus amores. "Marca teu ponto na justa".
Beijos de outro apaixonado que recuperou um amor...
Ronaldo Faria

Ronaldo Faria disse...

Em tempo, minha devedora de CDs: "Quem tem um sonho não dança!"
Beijos...

Tatiana disse...

Ronaldo,
Por que não vei me ver cantar esta semana e pega seu cd????

Mamy disse...

Ai... lindo e excitante. Tomara que todos possamos viver e reviver isso.

ariadne disse...

Que lindo!!!! Estive no Unibanco esta semana pra pagar a faculdade e esqueci de levar o n. da conta!!! argh. Voltarei lá e entro em contato ainda esta semana.
Visita meu blog, poxa. :-(

beijos

Anônimo disse...

Que lindo mulher!
Pelo visto este amor é vivo em você e é o que te deixa viva.
Continue amando, continue viva.
Espero que seja amor de muito tempo e pra muito tempo.
Paz