quarta-feira, 28 de junho de 2006

Hoje eu fui à reunião de final de bimenstre da escola de meu caçula e, sem dúvida, é bom ouvir elogios sobre teu filho, o peito enche de satisfação, um sentimento de serviço bem feito, uma recompensa pelo trabalho que é educar um filho.
Mas aí,no meio de uma conversa com uma das professoras dele, falamos sobre a questão do comportamento em sala de aula. Eu sou muito taxativa: FALTA EDUCAÇÃO CASEIRA MESMO!
Um absurdo um moleque mandar a professsora tomar no cu, inconsebível um filho meu me mandar calar a boca, voariam alguns bofetes, com certeza. Não estou aqui defendendo a violência generalizada, mas respeito é bom e eu gosto!
A professora me contou que tinha acabado de conversar com um pai e dito a ele que se ele não segurasse seu filho ele perderia o controle sobre o rapaz, que faltava educação caseira mesmo, faltava limites firmes.
Sim. Isso é um fato. Os pais modernos vivem eternamente culpados por deixarem seus filhos sozinhos, longe dos seus olhos, por não poderem estar 100% presentes. A culpa faz com que os pais permitam mais do que deveriam. Os que tem condições financeiras dão mais do que essas crianças necessitam. O tênis da moda que custa sete cestas básicas. Um computador profissional que vale um carro usado. Cursos e mais cursos para ocupar a cabeça,para ocupar o tempo, quem sabe assim evitam que o filho se meta em encrencas. Uma bobagem, porque se queima fumo na esquina da escola, se conhece gente de todo o tipo em qualquer lugar, se aprende a fazer merda muito cedo e com muiota facilidade.
Eu bem sei disso porque com quinze anos pude criar um jeito muito bom parar poder dirigir o carro de minha mãe escondido, quando ela viajava. Tirei uma cópia da chave e escondi. Ela entrava no avião e eu entrava no fiat dela. Até que bati na pilastra da garagem e tive que vender a única jóia que ganhei na vida, um anel de ouro pelos meus quinze anos, mentir que perdi, usar um cheque em branco que ela tinha deixado para lavar o carro, passar uma tarde inteira esfregando, aspirando e lustrando e mesmo assim me fodi. O carro limpinho e desamassado foi parado em uma blitz e eu fui detida. A sorte que o policial que me parou era um conhecido meu, já tinha me visto nas rodas de violão que rolavam na praia que eu frequentava e permitiu que, caso eu tivesse algum documento do carro em casa, poderia ir embora. O amigo que estava comigo teve que sair correndo quase dois quilometros para a minha casa, ser parado por outra viatura porque branco correndo é atleta, preto correndo é ladrão, levou uns tabefes, quase morreu de susto e humilhação, avisar a empregada que ligou para minha mãe em Manaus para perguntar se tinha algum documento em casa para liberrar o carro.
Bem...uma grande de uma merda.
Minha punição foi terrível. Fiquei obrigada a acompanhar minha mãe em todos os mercados, assumi as compras do mês, tinha um talão em branco para quando ela viajava, eu que pagava as contas, economizava o dinheiro, resolvia tudo...e de ônibus!!!! Peguei muito a linha São Cristóvão- Barroquinha por causa disso. Nem queiram saber como é a Barroquinha. Esse nome já diz tudo!!!!!!
Aprendi a lição porque doeu na pele a minha ânsia de autonomia e liberdade.
Me fodi mas aprendi a lição..

4 comentários:

Ronaldo Faria disse...

Infelizmente, o ser humano só aprende assim (incluo-me nessa lista): se fudendo! É a hora de escolher outro caminho para não se fuder mais ainda lá na frente. Ou seja, a vida é isso: dois caminhos sempre...
Momento Pasqualle: Até este verbo tem dois sentidos... Um que literalmente fode com a gente. E o outro que é foda de bom.
Cuide-se!
E obrigado pela visita. Não se preocupe: a minha Primavera nasce a cada dia.
Ronaldo Faria

Vinicius Rigoletto disse...

Oi Tati, não sabia que vc tinha sido tão "terrível" assim, rs... muito bom ler seu "diário impessoal" fico rindo atoa. Boa semana pra vc. Bjão!!!

Ronaldo Faria disse...

Na crítica que saiu hoje do Buchecha, no Correio, no Caderno C, página 3, falo de você. Mas você "não pagou mico" (tá lá no blog também). Cuide-se!
Ronaldo Faria

moacircaetano disse...

um cstigo ou uma palmada de vez em quando nunca mataram ninguém!