segunda-feira, 6 de março de 2006


As aventuras aguáticas de Tatiana em Socorro.

Socorro é o nome de uma cidade que tem um monte de água e uns malucos descem por elas em botinhos minúsculos, pagam uma grana e adoram. Adrenalina, dizem. Sei.
Fui lá neste domingo e o rio estava nervoso. As chuvas aumentaram o volume das águas e elas desciam rápidas, fortes e escuras. Impunha respeito e eu, crecida na beira-mar, sei respeitar as águas quando elas ficam desse jeito.
Mas eu TINHA que molhar a cabeça, tinha que lavar a Alma de qualquer jeito então fui, junto com Silo, fiel escudeiro de aventura, em direção às pedras grandes onde poderia molhar todo o corpitcho.
Eu entrei na água, finquei os pés na pedra, me apoiei em outra pedra e fiquei co água pela cintura. Um frio de matar, não tinha coragem de dar aquela jogadinha de água, todos os pelos arrepiados, mas decidida a molhar a cabeça. Me senti uma baleia encalhada na praia. Metade seco, metade molhado.
E o rio descia em minha volta, formando ondas em minha volta.
Um casal de gordinhos ( deviam somar uns trezentos quilos) que estava próximo e se molhava com um fiapo de água que escorria da pedra ficou muito impressionado com a minha coragem e eu muito orgulhosa do meu feito. Silo sentado na pedra não se molhava mas estava a poucos centímetros de mim. Qualquer coisa, estenderia a mão e me puxaria. Aí eu resolvi me segurar nas pedras só com meus braços e deixar que a correnteza molhasse todo o corpo e eu ficaria balançando na correnteza, lavando a alma, o corpo, tudo que eu merecia.
Isso era a miha idéia inicial. Me pareceu muito boa. Mas o rio não. Quem disse que eu tiha força para me segurar nas pedras??? Eu fui sentindo que estava sendo, muito lentamente arrastada, meus dedos escorregavam da pedra áspera e eu olhava pro Silo e, baixinho, dizia:
- Socorro.
Ele me olhava de volta com aquela cara de quem diz:
- Sim, eu sei que estamos em Socorro.
Aí eu repeti mais um vez, só que agora começando a ter um acesso de riso nervoso.
- Silo, meu bem, socorro.
-O que é, Tatiana???
Eu falando muito baixinho, uma expressão calma e traquila, sem querer chamar atenção do casal que tinha me visto entrar na água toda cheia de certeza e coragem, respondi.
- Caralho, a correnteza vai me arrastar.
Os olhos dele esbugalham e ele prontamente me estende um pé cheio de lama para eu segurar.
- Meu querido, se eu largar esta pedra para segurar teu pé só paro de descer rio abaixo quando chegar em Ubatuba.
Ele começa a rodar na pedra, círculos no mesmo lugar e eu ali, pendurada pelas mãos, a expressão neutra e sentindo que a calcinha de meu biquini começava a escorregar pelo corpo e, daqui a pouco, a visão de uma bunda branca apareceria. Me imaginei descendo pleo rio, como shampoo desce pelo ralo, e a última visão seria aquela bunda branca rodopiando na água.
A visão foi tão terrível que descobri forças nas entranhas e consegui, sem charme e classe nenhuma, subir de novo na pedra e sair do meu sufoco.
Quando em terra firme Silo me olha e diz:
-Eu nunca vi ninguém pedir socorro daquele jeito! Pareceia tão calma, tão tranquila que nunca imaginei que estivesse em apuros.
- É a classe natural, meu bem.
Mentira. Foi medo mesmo que o casal me visse naquela situação vergonhosa, isso sim!
Agradeço aos anos de musculação, à minha yoga de fortalecimento de braços, ao meu excelente alongamento, aos anos de esporte, à gloriosa genética que me fez uma mulher muito mais forte que a média porque se não fosse isso, eu estaria sendo apanhada por alguma rede lá no litoral norte de São Paulo.
Trouxe lembranças de Socorro. Meio quilo de barro que entrou no biquini no momento de desespero e delicados arranhões no joelho.
Mas valeu à pena.
Da próxima vez, levo bóia e me amarro na árvore mais próxima.

5 comentários:

Ronaldo Faria disse...

Cuidado com Rio do Peixe. Não se deixe levar demais pela aventura. Mas seria engraçado vê-la chegar em Ubatuba, pois acho que iria encalhar antes no raso Tietê. E viva a classe!

O convite para você e o Silo (junto ou não com os guris) irem um final de semana para o sítio, nas Lavras de Cima, em Socorro, continua. É só marcarmos. Vale a pena no Verão e no Inverno é bom pra tomar pinga com um frio do cão. Para a festa junina dos Costas, que promete a 3ª empreitada em junho ou julho, o convite já está feito.
Cuide-se
Ronaldo Faria

Marina disse...

Haha. Adorei nosso domingo. Por sinal, adoro estar por perto de vocês novamente.

Que venham muitas cachoeiras, muitos domingos de sol!

Está dando tudo certo aqui no trampo novo. Por sinal, voltei a atualizar o Verbo Vadio. Vai lá!

Obrigada pelas palavras e por você ser assim (apesar de sempre estar tirando um sarrinho, sempre tem uma palavra sábia e amiga).

beijos no coração.

Bruno Ribeiro disse...

E num é que si isquici do passeio, minina? Quando dei por mim já era! Mas também a Luana tava com febre e princípio de gripe, ter ido seria suicídio na certa. Bão, novidades: esqueça o Radicais Livres. Aqueles caras são muito chatos, brigamos e o blog morreu! Inaugurei um que sempre quis fazer, voltado para a música brasileira, vai lá, bota nos favoritos, é tua cara! Inda vou falar de teu disco lá! Beijo.

http://www.patriafc.blogspot.com/

Márcia Nestardo disse...

hahahahahahahahaha!
Se eu tivesse um pingo de vergonha não diria pra uma amiga que morri de rir da sua bunda branca rio abaixo. Como diz o Ronaldo 'via a classe'.

É tão bom te ver de volta.
Meu tempo está cada vez mais apertado, mas não resisto ao teu blog. Leio tudo, de tudo que você escreve. Se eu não comento no dia, é puro egoísmo de quem quer se divertir sozinha e nem agradece a hospitalidade. Mas estarei sempre por perto.

Beijinho.

Taïs Reganelli disse...

...e você ainda queria que eu fosse?