sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

Final de ano, mulheres invadindo salões, acertando as arestas e eu aqui imóvel. Se salão precisasse de mim para sobreviver estaria em apuros.
Detesto salão.
Detesto ter uma pessoa puxando meus cabelos para fazer escova, o calor me queimando o couro e a orelha. Ter gente me futucando as cutículas, me arrancando os pelinhos da sombrancelha. Um bando de sádicos, isso sim.
Detesto os papos de salão. Detesto, detesto, detesto.
Mas vou de vez em quando.
Hoje uma colega tentava me convencer a pintar os cabelos de vermelho, uma coisa assim, vários tons de vermelho. Eu seria uma caipora sedutora com meus cabelos em fogo. Seria um sucesso.
Veja se eu que ainda não tenho cabelo branco vou meter tinta no bichinho pra depois ter que ir de 15 em 15 dias fazer retoque e gastar dinheiro. Jamais!
A última vez que caí neste papo me arrependi seriamente. Estava em Santos e fui dar aquela cortadinha nas pontas básica no meu cabelão quase na cintura. Cabelo bom, meio de índio, preto e abundante.
O cabeleireiro dizendo que estava medonha ,com aquela cara de hipponga, Madalena Arrependida, careta, ultrapassada, agora o último grito da moda ( aaaaiiiiiii) seria suporte, um tipo mais delicado de permanente. Minhas madeixas ficariam sedutoramente cacheadas, com um volume nunca visto.
E a anta aqui, topou.
Quando eu saí do salão eu era outra pessoa. O suporte foi feito, mas deu errado. fizeram em mim um permante de um tamanho mínimo, cortaram a franja de um jeito que eu fiquei parecendo um poodle gigante. Ou a Elba Ramalho em noite de ventania, não sei o que era pior.
Meu filho, na época, com dois aninhos, chorou quando me viu e pediu a mamãe, que para ele, não era eu. Fiquei uma semana em casa, sem sair, esperando abaixar aquela coisa medonha. A franja não descia de jeito e maneira, apontando pro céu minha estupidez. Não voltei mais naquele salão mas tenho certeza absoluta que o terrorista que fez aquilo comigo mudou de profissão porque roguei uma praga tão grande, mas tão grande que deve ter entortado todos os dedinhos da filho de uma puta!
Esperei mais um ano para ter meu antigo cabelo de volta.
Ano passado cortei o cabelão e assumi um corte mais discreto. Foi a mudança mais radical e confesso que sinto muita saudade de meu cabelão grande e pesado. A sorte que cabelo cresce e tudo pode voltar ao normal.
Eu? Pintar de vermelho? Em mechas multi-tonais???
Nunquinha, minha filha. Nunquinha.

8 comentários:

Lara disse...

Tatiana, cabeleleiros são os reis da retórica, eu tenho certeza. Esse bando de desgraçados... "aparar as pontinhas" = surecar o cabelo todo; "dar uma mudada" = aproveitar prá descontar todas as minhas frustrações na cabeça dessa pamonha aqui.

É muito sadismo, viu.
Deve ser por isso que os próprios não cortam os cabelos.

Tatiana disse...

sim..são um bando de recalcados, recalchutados e recriados.
Uns vãndalos, uns biltres, uns decepadores de cabelos.

pedro disse...

Se médicos precisam de habilitação pra clinicar, professores pra lecionar e músicos para trabalhar, porque esses desgraçados não tem um conselho universal intergalático de aparadores de jubas?

Eu já entrei em depressão por causa de um corte de cabelo.

É coisa séria, eu garanto!

Ronaldo Faria disse...

Saí do jornal às 23h22 de ontem. Fiquei revendo um documentário da Leila Diniz que repassei para CD e dormi às 2h30, por aí. Cheguei aqui às 7h58 de hoje. Vida, minha vida... Mas vamos lá! Um Feliz Natal (mesmo sendo ateu) a você e os pimpolhos e um toque: talvez o vermelho seja por conta das cores do Papai Noel. Mas somos um país tropical. Logo, se for para fazer listras capilares, tente o verde. Ao menos estou "acordando" na redação com um texto legal!
Obrigado por me incluir em Poesia Cotidiana.
Ronaldo Faria

Dani disse...

Nem me diga... já passei por uma situação quase igual. Me deu raiva só de lembrar.
Mas, mudando de assunto, um Feliz Natal por aí. Abraço.

ariadne disse...

Eu detesto salão , odeio conversa de salão . Mas faço o cabelo toda semana , escova , puxão , pacote completo. Chego lá com fone de ouvido , enfio a cara num livro e deixo o cidadão puxar .
Mulher é bicho esquisito mesmo...

:-)

beijos

Rosa ALbertí disse...

Cááára!!!Q apuuuuros!!!!
Tb já tive váááárias experiências deste tipo...mas, acho que meu maior inimigo sou euzinha messss...imagine q uma vez quase fiquei careca - literalmente falando...ôps...escrevendo - , pois inventei de colocar dois tubos de tinta para fazer luzes nas madeixas toooodas...claro... fiquei com os cabelos brancos...sem falar que começou a sair fumaça do couro...kkk... hoje eu dou risadas mas, antes chorei mooooito, cááára...fui ao posto de saúde - vê se isso é lugar de ir!!!Mas, eu era uma mulher desesperada...fazer o q?!Era a primeira coisa q passou pela minha cabecinha...kkk
O médico olhou bem pra minha cara...riu com a maior ironia e ...disse para eu raspar e usar peruca...quase voei no pescoço do infeliz!!!
Claro que não seguí seus conselhos sádicos...lóóóógico...o q euzinha fez?ããã?
Fui no cabelereiro...aí a infeliche cortou Maria-Jão...e não podia passar química nenhuma...meeeeeu Deeeeus!!!
Tentamos a única saída: henna.
Concluindo: Fiquei com o cabelo mais loko da parada: cor cenourão!!!
Cááára!!!Q experiência...hoje, com os cabelos cor vermelhão - por opção...ufa...batendo um palmo abaixo dos ombros, tô mais feliz...nuuuuunca mais invento de experimentar mais nadica de nada...
O trauma foi taaanto, que eu aprendí a té a cortar as pontas...
Beijim, miguxa!!!

Márcia Nestardo disse...

Olha, também já fiz muita besteria do tipo ficar loira com as luzes ou descolorindo a juba por inteiro. Precisei de litros de creme e dúzias de elásticos, pra me convencer que meu cabelo escuro é melhor do que aquela palha amarela que fica depois.
Hoje trato o castanho básico do jeitinho que ele pediu, mantendo a virgindade dos fios... mas o rebelde insiste em não me respeitar.