quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

Canibal


É isso que você é.
Quando me olha com esses olhinhos escuros, tua boca baba, parece que vejo o guardanapo quadriculado amarrado em teu pescoço e suas mãos segurando o garfo e a faca e eu estou ali, pelada em uma bandeja, esperando a hora que você vai me comer.
Canibal apressado porque nem me coloca em um caldeirão. Quer me comer crua mesmo. Só me deixa temperando em ervas finas para que seus odores entrem em mim e quando morda minha carne branca meus vapores subam por tua narina e você suspire.
Canibal de minha alma, tarado espiritual, maníaco dos sentidos.
Quer dilapidar meu patrimônio de sanidade e de sabor.
Quer me chupar todos os ossinhos, como se eu fosse um galinha cabidela e depois palitar os dentes, saciado de mim.
Um dia me irrito e quem te come sou eu. Pulo em teu pescoço e te sugo toda a virilidade, banqueteio-me em teus humores, saboreio teus ciúmes e desejos.
E quando estiver farta e melancólica, darei teus restos para o congelador. Assim te comerei mais tarde, na solidão das madrugadas.

5 comentários:

Moacir Caetano disse...

Muié do céu!
Que é que é isso?
Fiquei seu fãzaço!
Amor à primeira lida!

Pedro Camargos disse...

A revanche... Massa, Tatiana.

Aproveito para desejar-lhe um ótimo fim de ano, feliz Natal e boas festas. Abraços.

Ronaldo Faria disse...

Chico canta como ninguém as mulheres. Mas as mulheres se cantam melhor do que tudo.
Trocarei o autógrafo do Buarque...
Ronaldo

Lara disse...

Bão pá daná, tatiana!

pedro disse...

Delícia de texto!