quinta-feira, 20 de outubro de 2005


" Era uma vez um menino azul. Não sabia da existência de outro como ele e a solidão que o acompanhava tinha um cheiro de não e de nunca. Vivia navegando entre os mundos. Uma nuvem flutuante sem som porque tinha esquecido que língua era a mãe e sem parada porque tinha esquecido que chão era o pai.
Uma noite, olhando por de trás da lua cheia, viu um outro ser, tão estranho quanto ele. Um menino tal qual se via, só que a cor que brilhava em sua volta era de um amarelo pálido e triste. O menino amarelo cavucava a crosta lunar e comia migalhas da noite e, a cada mordida, uma lágrima virava estrela.
Seus olhos se encontraram. Um segundo pendurado no tempo.
Quem és? pergunta o menino azul
Não sei...acho que sou saudade. E você?
Eu? Nunca pensei sobre isso. Acho que sou tristeza.
O relógio do mundo pára.
Olhos mergulhados em olhos.
Um toque só.
E vão se misturando bem devagarinho, como tinta escorrida no céu, descendo pela parede dos tempos...até chegarem ao reino dos homens.
Alguns os chamam de " Os filhos malditos do céu" , aqueles que trazem dor e sofrimento. Não dá para evitar, já estão entre nós.
Mas existem outras pessoas que quando os vêem, vêem além do óbvio. Porque quando o azul e o amarelo se encontram se transformam em verde e quando são um só podem ser chamados de ESPERANÇA!"



Um comentário:

Mochileiro frustrado disse...

Adirei esse texto. Um quê de infantil, de cor, de humanidade que nunca falha. []'s