sexta-feira, 9 de abril de 2010

meu inferno astral reflexivo

Vésperas do meu aniversário.
Mais um aniversário. Meus quarenta e três aniversários não me pesam no coração, talvez pesem um pouco nos peitos mas, afinal, vestindo 46 de sutiã e depois de dois filhos mamando feito loucos, isso era de se esperar.
Meu corpo segue o caminho natural de todos os corpos. É, minha filha, sua bunda vai cair. Ou seus peitos, suas bochechas, seus dentes, seus cabelos. Em alguns corpos caem mais. Em outros, fica mais fácil disfarçar. Mas ninguém vence a lei maior: a da gravidade.
Fazer o que? Aceitar os fatos e perceber que nem tudo está perdido. Primeiro porque não virei um jaburu martelo de bigode, apesar de ter que depilar o buço de tempos em tempos. Estou bem dentro dessa carcaça aqui. Comparando com algumas pessoas, tô ótima! E já estou naquela fase da vida que se alguém dá prioridade a uma bunda, um peito ou a inexistência de rugas na cara, merece ter aquilo de deseja. Que não sou eu, diga-se de passagem. Aquele papo do vinho.
Olho minha mente e acho que ando meio esquecida. Na verdade, continuo esquecida como sempre fui, sei que tem uma substancia no peixe que é boa pra memória, mas me esqueci qual é. Continuo sagaz e com essa tendência para a felicidade.
Continuo acreditando que a felicidade começa e acaba na mente. Faço um esforço danado para que isso continue porque não acha graça em ser infeliz. Acho chato, pelo menos para mim e não tenho vontade de conviver com os infelizes. Eles não me entendem direito e eu acabo me sentindo uma feliz idiota superficial. Profundidade dá nisso. Chega-se no fundo do poço.
Ok, estou sendo engraçadinha. E felizinha.
Minha memória ruim me ajuda muito em separar aquilo que vale à pena lembrar. Já me fodi muitas vezes e nem lembro disso. Esqueci o quanto sofri e chorei. Não vale à pena lembrar disso tudo. Deixa o tempo apagar, assim abro espaço para o novo.
Meu riso continua frouxo e minha capacidade de pensar, dizer e fazer bobagens continua intocada. Rio de mim na mesma proporção que rio dos outros. Minhas bobagens são "ridas" em cozinhas e salas. Delícia.
Faz tempo que não tenho um peti e saio distribuindo por aí. Fico satisfeitíssima com isso. Tô ganhando na minha batalha eterna contra meu lado descontrolado: minha ira. Talvez a idade esteja me dando sabedoria e autocontrole. Pode ser. Ou pode ser cansaço. Não, isso não é. Ainda tenho gás para uma baixaria. Mas não uso. Mas poderia.
Continuo amando e desamando. Isso é ótimo. Tô vivinha da silva e não amarelei diante das vicissitudes do amor. Me deixo levar pelos vai e vens da maré e sempre que posso pego umas ondas nas espumas de Afrodite e Eros. Só que agora eu faço isso tudo sem culpa. Sem culpa de sofrer ou de não sofrer. Sem culpa por amar demais ou por amar de menos. Sem culpa!
A única coisa que o tempo aumenta, sem piedade, é a saudade. Sempre tem uma saudade nascendo e morrendo em mim.
Saudade de meus filhos. Saudade de amar como amei aquele cigano filho da puta. Saudade de me sentir amada como me amou aquele mesmo filho da puta. Saudade do frio na barriga. Saudade do futuro que virou presente. Saudade de minha mãe, demeu pai, de algusn amigos, de alguns lugares, de uma emoção, de um jeito, de um gosto, de um tom de voz ou de um toque na pele.
Saudade dói como dói um joelho podre antes da chuva. Aparece de repente e some quando o sol reaparece.
É...o meu ano vai começar outra vez.
Recomeçar outra vez.
Faço isso quantas vezes estiver escrito para eu fazer.
Até o último dia de minha vida, eu vivo toda. Corpo e alma. Por dentro e por fora. Até o último segundo eu estarei bem aqui, no agora.
E gosto muito disso.

2 comentários:

CHEL disse...

saudade é a unica coisa que vem, chega, fica e cada vez que se renova, que reaparece por uma outra coisa, ou pessoa, dá um gosto de nostalgia... ela está sempre ali! tudo de bom nesse seu novo ano. beijos

Georgiana disse...

Eu tenho saudade das primeiras coisas de tudo... a ansiedade do primeiro beijo, do primeiro amor, do frio na barriga e isso a gente nunca mais tem de volta, né??? Mas há outras primeiras vezes de novo, né?