quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

a madrasta má

Tô eu aqui, super espiritual, praticamente a irmã mais nova do Dalai Lama, a sobrinha da Madre Teresa de Caucutá, tentando aprender as lições que a vida me manda. Procurando entender as sutiliezas do perdão, da compreensão, da bondade, só que a merda dessa sutileza está escrita em letrinhas miúdas e não é mais tão fácil ler essas coisinhas miúdas, dói os olhos, cansa, mas eu continuo, incansável.

Mas o povo se esquece que eu sou humana. Humana demais. Dentro de mim não tem só essa vontade, talvez até necessidade, de elevar minhas frequencias energéticas. Dentro de mim tem coisa demais. Tem gente demais.

Do lado da mocinha, que só se ferra nessa história mas que no final vence todas as dificuldades e sai vitoriosa ,tem a madrasta má. Horrorosa. Muito má. Poderosa porque a sombra tem sempre esse poder de destruição e a destruição é uma coisa tão fácil de perceber. Tá aí, ela é óbvia e exibicionista.

Eu to aqui na minha batalha pessoal e o povo em vez de bater palminha pra mocinha fica provocando a madrasta má. Fazendo fusquinha pra ela.

Burrice. Faz isso não. Não é inteligente estimular essas minhas esferas inferiores, é tão fácil escorregar e sair por aí destilando veneno. Sou humana demais!! Eu posso escorregar e praguejar com toda a força do meu coração. E eu posso te garantir, tenho boca de se fudê.

Não quero isso. Ando com um esparadrapo na boca. Autorizei que me batam com força caso eu comece a fraquejar, afinal, assumi que posso escorregar. Estou aqui, agarrada na cadeira, rezando Pai Nosso, Ave Maria, Creio em Deus Pai, mas, Credo!, abusam de mim. Abusam dessa minha vontade de ser uma pessoa melhor e mais compreensiva.

Aí eu sinto. Tá subindo pela minha coluna espinhal uma coisa quente e vermelha. Esquenta meus rins, esquenta minha nuca, escorregua por minha guela, rodopia na minha língua e eu fico assim, como quem tosse e sobra catarro , a um passo de uma cusparada muito da nojenta, mas, puta que me pariu, definitivamente abusam de mim.

Respiro. Respiro mil vezes.

A madrasta, muito calmamente, me pede " deixa eu resolver isso?". Eu berro de volta " Não!". Ela me olha com aquela cara de enfado e sussurra "pode ser tão pedagógico". Eu retruco " cala boca, vaca!". Ela ri de mim e lixa as unhas.

Não está fácil. Não está fácil mesmo.
Pelo menos eu entendo que não é necessário chutar cachorro morto mas na hora da raiva a gente bem que pode pisar, chutar, mijar e praguejar sobre a carcaça. Só pra aliviar o estresse.
Que Deus me ajude.
E a você.

2 comentários:

Morena disse...

Muitas vezes é, quase que inevitável! Não nos deixam outro caminho!

Menininha bossa-nova disse...

Vixe!