domingo, 20 de setembro de 2009

fugidinha do ensaio

Agora mesmo o pau come lá na minha sala. Samuel precisa dar uma estudada no improviso, coisa que sempre me surpreendeu. Não é improviso? Pois é, não é tão improvisado assim, tem que estudar antes.
Tenho um pouco de pena do meu vizinho da esquerda que sofre com nosso barulho. Espero que a vizinha da direita ( aquela que assassina gatos) tenha todas as notas ressoando dentro do ovário, da cabeça e do duodeno. Pelo menos a música não é mal executada. Isso já é um lucro pros vizinhos. Eu poderia estar aprendendo a tocar violino, por exemplo. Seria pior.
Tem gente que acha que vida de artista tem glamour. Queria que me vissem descascando alho e cebola pra fazer uma comidinha especial pro Samuel que é um ser estranhíssimo. Não come nem arroz, nem feijão (!). Então lá fui eu ao fogão fazer uma molho especialíssimo para uma massa especialíssima. Sim, eu seduzo os músicos com comida, é meu golpe baixo, é o jeito que eu tenho que fazer que eles queiram ensaiar. Soco comida bucho a dentro!
Minha panela de pedra borbulha um delicioso molho de carne moída e linguiça, muitos temperinhos e uma pitadinha de pimenta.
Ontem fiz bife a parmegiana e pudim de leite. Assim garanti a presença do percussa magrelo que realmente precisa comer e fiz meu filho feliz da vida. Na madruga, brigadeiro. E assim vamos.
Agora, nesse exato instante, estão lá, ensaiando o improviso ( realmente não me conformo com isso) e eu já começo a sentir um friozinho na barriga porque amanhã é o dia da gravina.
Nessa formação de percussa e piano temos três músicas prontas e ensaiadas, mas eu ainda quero ter uma outra na manga, caso me sobre tempo. Não sei se será necessário, mas prefiro prevenir.
Sim, to agoniadinha.
Não, não vou ao samba hoje. Não dá pra fazer farra antes do dia da gravação. Seria irresponsável de minha parte.
Ontem fomos jogar sinuca e é com grande satisfação que digo que foi meu primeiro jogo com meu filhote. Três satisfações, na verdade: joguei com meu filho, ganhei do meu filho e ainda pude berrar na cara do Cris ( percusssionista magrelo e metido a besta que sempre ganhava de mim na porra da sinuca) um CHUPA!!! bem do gritado. Adorei. Meu parceiro Bruno arrasou. Mas eu, milagrosamente, estava jogando pra cacete. O difícil era manter a cara impassível diante de tanta cagada. Absolutamente blasé. Comentei com o filhote que era uma coisa rara um filho sair para jogar sinuca com a mãe e ele concordou, mas acho que preferia ter ganho. Fazer o que? Eu realmente estava encantada.
Sim, eu to sendo prolixa. Tô meio que nervosinha. Sabe aquele friozinho na barriga que sobe pra garganta e desce pela coluna? Pois é. Isso aí.
As três canções que vou gravar não são fáceis de cantar. Nenhuma é fácil. Chuva de Caju, parceria minha com Ugo e Gil Filho, me exige um controle de potência de voz em tons altos. Não é fácil não berrar quando o tom é alto. A melodia é meio tortinha e eu, como sempre, me empolgo. Morte, parceria com Alexandre Lemos, é difícil porque exige que eu use quase toda a minha capacidade do diafragma para dar conta de cantar as frases todas sem desmaiar por falta de ar. Dividir direito o tempo da respiração é meio que foda, especialmente porque o tempo que a música ficou é diferente. Tenho que ficar atenta. Frevo Pimenta, outra parceria minha com Ugo, é quase uma embolada de tanta letra. Melodia do piano e a voz correndo juntinhas e a música está cheia de convenções que eu tenho que atentar também. Incrivelmemente até agora não toco violão em música alguma. Que coisa, né? Mas isso está rolando e eu aceito os caminhos que o próprio cd está tomando. A gente não amnda em um cd. Isso é certo. Paira sobre todo cd uma entidade criativa que tem vida própria. Essa que se apresneta aí é meio descabelada, como eu e ao mesmo tempo suscinta.
Cacetada, tenho que manter a calma.
Eu, nervosinha como estou, tenhoo ímpetos de cozinhar. Nunca tive isso, que coisa estranha.
Ficarei gorda depois desse cd.
O povo me chama lá na sala e minha panela está no fogão, borbulhando e precisa ser vista por mim.
Gente, pode me mandar boas energias que eu to aceitando.
Olho gordo e inveja eu, muito finamente, mando enfiar no próprio cu. Mas torcida boa eu agradeço de coração.
Deixa eu ir antes que me arrastem pelos cabelos.
Depois eu conto como foi a gravina.
Beijos

PS: nërvosinho básico....

9 comentários:

Menina Eva disse...

Boa sorte, boa semana!

Zénérso disse...

Eu sei como é! Mas vai na tua. Boa sorte e continuo na torcida. O que importa agora é o teu cd! Pô, brigadeiro, massa com molho especial e tal... Onde fica essa parada!?!?!?!?

Fernando disse...

Boa sorte na gravina, querida. Leva pro estúdio toda a energia, todo o tempero, toda a bruxice, magia, mandinga, rezas e encantamentos (o talento, logicamente já vai nas veias...). Leva lanchinho pros meninos, pra eles gravarem felizes, e água pra você, muita água, de preferência benta, benzida por você mesma. Deixe em casa todo o nervosismo, tensão, insegurança, neuras, ansiedades, e coisas que tais. Se precisar mesmo delas, depois pega de volta. O resto é simples, você sabe: fecha os olhos, abre a voz, abre o peito, abre a alma e canta! É nosso ofício, é nosso dom, é nossa benção... Se vem do coração, o universo compactua, e atua...

Carô disse...

Vai dar tudo certo querida!!! E eu fico rezando que o ataque de cozinheira dure, perdure... e que seja infinito enquanto dure, que estou a.d.o.r.a.n.d.o, hahahahaha

Morena disse...

Oribande abafú

Tatiana disse...

Obrigadinha...ai!

Menininha bossa-nova disse...

Yeah, que legal!! Das que vc falou, só conheço Morte, mas a-do-ro!!

Quebra tudo lá e depois me conta.

Danny Reis disse...

Mas o seu CD é o quarto! O quarto filho... Dá um nervosinho, mas você já fez outros 3. Acaba tirando de letra, com todas as dificuldades. E eu, que tô na minha primeira gestação? Mãe de primeira viagem? Afe, medo, isso sim! Pelo menos acho que alguém me entende nesse mundo... rs
Acho, né?
Beijos e boa sorte!

Tatiana disse...

Danny
Te entendo perfeitamente. ô se entendo.