quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O tempo, velho tempo e eu

Ontem dei uma entrevista para estudantes de jornalismo que estão fazendo um documentário sobre cantoras de Campinas. Mas especificamente, cantoras que trabalham na noite. Disseram que estão entrevistando cerca de trinta cantoras.
Onde elas estão?? Nesses anos todos de trabalho na cidade nunca vi tanta cantora atacando assim. Mas se dizem que tem, então tem...
Faço parte da "média guarda". As da velha guarda tem mais de trinta anos de carreira. Quando elas morrerem, eu viro velha guarda. Tá chegando perto esse momento. As da " jovem guarda" já me consideram referência. Louco isso, né? Faz tão pouco tempo e era eu que estava aí começando a viver e hoje dou entrevista sobre o que vivi. Queriam saber histórias engraçadas, fatos curiosos e as dificuldades da carreira.
Eu digo que não podem me dar intimidade porque me empolgo.
Falei sem parar duas horas e meia e acho que errei na mão, óbvio.
Tenho até medo desta edição. Se censurarem a gravação, haverá muitos " bips" em lugar de palavras de baixo calão. Escorregam de minha boca.
Porra.

Hoje recebo mais um convite para dar mais uma entrevista, para um outro grupo de jornalismo de outra faculdade que está fazendo um trabalho sobre a década de 90.
É. Eu já sou história. Virei história. Tô fazendo história. Que coisa, né?
Isso é bom e isso é ruim.
Me sinto um baú cheio de tranqueiras, de fotos amareladas, bilhetes escritos em papel de pão, papelzinho de Sonho de Valsa. E ao mesmo tempo tenho orgulho disso. De ser citada, de ser lembrada, de fazer parte da história musical desta cidade.
Fiz foi coisa mesmo e o que eu fiz está aí, registrado pra sempre de alguma forma.
Bom, né?

Jurei pra mim mesma que serei, nesta entrevista, muito mais comedida, não falarei um palavrão, não soltarei nenhum comentário chocante, não direi nada de absurdo. Serei absolutamente normal, leve e óbvia.
Porque eu, definitivamente, falo demais.

2 comentários:

Juliana Hilal disse...

Ãhã, quem você vai chamar para dar a entrevista no seu lugar? A Sandy?
Sem palavrão, sem comentário chocante e sem dizer nada absurdo, não é você, meu bem...rs
Definitivamente.
Bjs

Vivien Morgato : disse...

Eu sabia desse trabalho porque sou amiga da professora que está orientando.
E ela tb ia te ver cantar lá na época do Ilustrada.;0)
beijos.