sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O marido n°3

Tive seis maridos e meio. Pra facilitar, arredondo pra sete. Uma quantidade significativa, concordo.
Alguns eu não quero ver nem pintado de ouro, outros eu mantive contato, um certo afeto. Mas foi com somente um que ficou uma amizade.
É o marido número 3 e, como ele mesmo disse, o último que ficou no pódio com medalha de bronze, depois dele só medalhinha de honra ao mérito.
Leonino super leonino, um humor ótimo, animadérrimo.
Eu digo que ele foi meu melhor marido em matéria de viagem, de companheirismo na estrada. Nunca viajei tanto como viajei com ele. De carro, de moto, não tinha tempo quente. Em qualquer praia a gente parava, algumas vezes de barraca direto na areia, passávamos horas jogando frecobol porque nós dois juntos botávamos pra quebrar. Não me lembro de briga alguma e como não posso confiar na minha memória, fiquei muito feliz de ouvi-lo contar a mesma coisa. Nunca brigamos! Erámos uma dupla muito animada e ativa. Eu com meu violão e ele com o pandeiro, conga e bongô. Viajávamos assim, com instrumentos, sem destino certo e sempre muito, muito duros. Foi uma época de vacas magrérrimas mas conseguíamos fazer milagre com o mínimo de grana.

Um marido excelente em alguns aspectos. Por exemplo, me emprestava a motinho DT 180 pra eu sair de Santos, cruzar São Paulo e vir tocar aqui em Campinas porque naquela época eu morava a semana em Santos e vinha para cá nos fins-de-semana. Nunca ouvi uma observação que eu iria me perder, que eu não devia ir, que era perigoso ou, pior de tudo, que eu tivesse cuidado com moto dele.Nunca ouvi isso, muito pelo contrário, botava pilha pra que eu fosse mesmo, me dava a maior força! Um companheirão!

Mas aí separamos, casei com um, com outro. Ele também, casou aqui, depois acolá e toda vez que a gente se encontrava, nesses anos todos depois da separação, um estava enrolado com alguém. Então era aquela coisa de não dar muito espaço pra ciumeira de marido ou namorado. Conversávamos e tudo, saíamos, mas ficava aquele cuidado pra não pisar no calo dos outros.

Ontem pudemos ter aquela conversa. Me ligou porque estava no aeroporto de Campinas por uma hora somente e eu decidi ir lá, longe pra caralho, pra falar com o camarada, que por sinal é ex-marido. Iria também se ele fosse só um amigo mesmo.
A sua decisão de embarcar naquela mesma noite foi abortada quando eu comecei a relacionar tudo que tinha pra ver, pra ouvir, os lugares que iria mostrar pra ele.
Desmarcou tudo, devolveu carro alugado e foi raptado. Por mim.
Passamos horas rindo e nos divertindo com as nossas histórias daquela época. Me contou histórias que eu não me lembrava mesmo! Coisas que ficaram presas na sua memória e que quando ele me mostrava, eu me sentia como se tivesse olhando um álbum nosso, só que com os olhos dele. O que ficou para ele do que foi nós.
Muito doido isso e muito legal também.
Eu olhava pra ele e pensava que, graças a Deus, ele não tinha virado uma mala sem alça! Ainda era o mesmo cara que me fazia rir horrores, espirituoso, uma mente ágil, esperto, interessante ainda. Ou seja, seria um cara que eu gostaria HOJE de ter como amigo.

É muito louco esse negócio de você ter um ex marido, que virou amigo mas que você não conversa legal a mais de quinze anos e quando conversa adora do mesmo jeito que adorava antes e ainda com a percepção das sutilezas que só a maturidade dá!
Doido demais isso!
É o mesmo cara, mas é outro cara! Um outro cara muito legal, por sinal, muito mesmo.
Você tem a intimidade total entre duas pessoas que já foram um casal com a curiosidade pra descobrir o que tem de novo ali, o que mudou, o que está do mesmo jeito. Dá uma mistureba interessante e muito confusa também. Doida.
Um encontro único pelas suas peculiaridades, mas também único porque foi muito divertido.
Percebi que ele é, de certa forma, a minha versão masculina. Seguimos em pistas diferentes, mas seguimos um caminho muito parecido que nos levou a um lugar bem próximos. A mesma vontade de viver, de fazer coisas, encontrar pessoas. A mesma delícia em relação a música. O mesmo super hiper mega bom humor. Sagaz. Espirituoso. Excêntrico. Inusitado algumas vezes. Completamente independente. Abusado. Direto e reto como um trator com as palavras. Franco de doer. Como eu disse, muito parecido comigo. Um espelho torto que reflete uma imagem distorcida, mas parecida. Muito parecida.

A medalha é de bronze, mas hoje eu daria pra ele a de ouro porque ele merece.

12 comentários:

Mariane Costa disse...

Entrei aqui por indicação de um amigo e, com certeza, voltarei mais vezes. Gostei.
Agora vamos combinar, sete maridos? Papai do céu! Quem merece medalha é você..rs

um beijo e boa semana

Kaique disse...

Sabia que você ia gostar.
Que história em Tatiana

Tatiana disse...

Uai..é uma questão de otimizar o tempo...
hahahahahahhahahahahahahahahahahhaha

Anônimo disse...

Caramba...
Pelo jeito eu não fiquei nem com a medalha de honra a mérito, já que fui só um namorado. E daqueles rápidos.
Mas acho que tive certificado de participação, né, Preta???
rs
Saudades de você, mulher.

Georgiana disse...

E eu achando que um só já dava trabalho... Mon dieu!!! Ensina a desapegar, deixar ir de vez... tem tanta gente que carrego comigo que pesa no ombro. Tem receita isso?

Tatiana disse...

Georgiana,
Receita eu não sei se tem. Mas eu penso em algumas coisas que me ajudam a passar pelas fases de separação.

1- Nada fica do mesmo jeito pra sempre. Não adianta segurar, apertar, grudar porque tudo muda mesmo.

2- Nada acontece fora de ordem, de forma errada. Tudo tem seu tempo e seu mistério. Às vezes a gente não entende, mas por isso que é mistério.

3- Ninguém morre de amor.

4- Homem nenhum pode me fazer desacreditar de mim. Hoje, aos quarenta anos, eu sei quem eu sou, o que eu posso, o que eu não posso. Sei dos meus encantos e de minhas merdas.

5- Acabou? Poxa...que chato. Mas eu não morri, né? Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.

6- Foi um bom homem? Lembre com carinho. Foi um filho de uma puta? Esqueça pra sempre.

7- Tem sempre alguém aí precisando de outro alguém.

8- Olhar pra frente. Porque o que passou, passou. E o que passou já não dá mais pra mudar. Aprenda, mas olhe pra frente.

9- Homem é tudo uma merda mesmo. Como toda mulher também é. Se quer achar o Príncipe Encantado, tá fudida e mal paga. Aceite o cara do jeito que é. E aceito o fim de tudo do jeito que é.

10- E eu lá quero ficar presa a alguém ou alguma coisa? NUNQUINHA!!
Quero é viver! Quero é ser feliz!
E eu não preciso de ninguém, necessariamente, pra ser feliz.
Se tiver parceiro, massa. Se não tiver, me divirto comigo mesmo, com os amigos, com a vida.

11- Logo depois da separação é difícil, dói, é triste. Mas depois que essa fase passa...afe maria..é bom demais!!!
Eu digo que eu gosto tanto de casar só pra poder separar e curtir essa fase porreta que é a volta por cima depois da separaçao.
Não tem coisa melhor!
hahahahahhaha

Carô disse...

Também dou ouro pra esse marido, Mesmo porque ainda atravessava junto quando a gente tocava com ele. Leoninos, são phoda (hahahaha)

Anônimo disse...

Alma Gemea, não sei porque a gente nunca fica com a Alma Gemea, sabe que ela existe porque ou esta sempre do lado ou porque surge do nada como se nunca tivesse ido. Beijo

ariadne disse...

Eu não sei se teria tto fôlego. Pe é preciso ter muita fé na vida pra começar de novo . é preciso acreditar muito. Um marido já tá bom , por enqto :-P

Tatiana disse...

Carô,
Você sempre foi puxa-saco dele. Assumidérrima!
E ele de você!

Tatiana disse...

Anônimo...
ai, caralho!

Tatiana disse...

Ariadne

É verdade. Marido dá um trabalho danado!
Mas eu gosto de casar! Fazer o que?