sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A música é uma terapia. Mas ontem quase escorreguei e fiz terapia-catarse. Ando mexida mesmo. Muito sensível às coisas, chorando como uma besta por aí. Só nessa semana chorei três vezes por razões completamente diferentes!
E não é de tristeza somente. É..é...alguma coisa que eu não sei o que é. Uma sensação muito estranha tem me acompanhado. Não sei explicar o que é, mas é. Isso está me incomodando, me fazendo ficar de orelha em pé, com medo de atender telefone por receio de ouvir alguma coisa ruim.
Não sei, não sei mesmo. E queria não saber mesmo!
Sensibilidade demais é uma merda também. Sentir tudo por dentro das carnes é ruim em alguns momentos. Especialmente quando não sabemos identificar que diabo é isso!
Aí, quando se está assim, a flôr da pele, algumas músicas são realmente um perigo.
Estava lá tocando. Final de noite, hora de começar os lados B, aquelas que a gente ouve quando está a fim de abrir o peito.
Na minha frente três mulheres pirando com aqueles Chicos preciosos. Público chiquérrimo, diga-se de passagem.
Resolvi botar pra fuder e quem quase se fode sou eu.
A canção me pegou. Me pegou assim, rápido. Estava cantando legal em um compasso e no outro..caramba...a música me pegou. Me pegou tão ligeiro que eu perdi o rumo, perdi o que estava fazendo no violão, obrigando o músico que me acompanhava a segurar sozinho aquela harmona difícil pra cacete de uma música que ele conhecia pouco e nunca tinha tocado. Segurou o resto da música todinha só no ouvido. Danado o moço. Quando eu vi , estava absolutamente emocionada, meu violão deitado nas minhas coxas, meus olhos marejados de lágrimas, uma vergonha do cacete de ficar desse jeito na frente de um monte de gente desconhecida, a voz embargada meio vascilante.
Isso é o pior! Porque se você tá cantando, se emociona e fica tudo lindo, tudo bem, né? Mas se você está cantando e a emoção te rouba a música, aí fica difícil.
Tirei força do duodeno pra cantar até o fim. De olho fechado, rezando que a água que saía de mim evaporrasse logo, magicamente, que ninguém se desse conta do que tinha acontecido comigo.
Quando a música acabou, fui mexer nas pastas, arrumar alguma coisa no chão, sei lá o que fiz. Disfarcei.

É...tem música que realmente é foda.
Tem horas que eu maldigo Chico Buarque.
Filha da puta de merda.
Como é que ele consegue fazer isso comigo?

5 comentários:

Marina F. disse...

Aiai.
Eu também miacabo. Mas é bom amiga, é assim que botamos pra fora.
bjs.

Menininha bossa-nova disse...

Chico é um salafrário. E nós somos umas manteigas tontas. Mas deliciosas, vai! Tem horas que é mesmo ruim sentir tanto tudo, mas confesso que não me trocaria, que não queria ser diferente, e aposto que vc tb não. Lembra daquele lance "quem sabe na próxima"? Vc não é assim, e nem eu, e no fundo a gente agradece. Beijo!

Juliana Hilal disse...

Ai menina. Devia ter ido.
Queria ter estado lá.
Eu te entendo tanto...Eita mulherada à flor da pele. Fase, viu.
Beijos

Anônimo disse...

to morrendo de curiosidade ...que musica era?....aliás Ivan Lins cantou trechinho de " ei minas , é hora de partir " , batata lembrei devc chorando e quase chorei tbm...grrr...bjo Gô

Anônimo disse...

queria poder estar ao seu lado, mais uma vez.
bate uma saudade grande...
muita mesmo...
só posso te agradecer por tudo.
com amor...o mesmo de sempre...