segunda-feira, 19 de maio de 2008

Maníaca


Eu vivo tendo fases em que me meto de cabeça em alguma coisa e fico louca, só penso naquilo, só faço aquilo.
Já tive a minha fase de pintar e texturizar paredes. A casa que eu morava era multicolorida, cada ambiente de uma cor. Me dava a louca e eu começava a pintar uma parede as duas da manhã e só parava quando estava tudo pronto. Tive minha fase de pintar vasos de cerâmica ( pintei dezenas e dava de presente se alguém elogiava ), de plantas, de fazer tinturas de ervas, elixires de pedras, de sabonetes mágicos, de resolver problemas de lógica e, é claro, de fazer crochê.
Acabei meu xale. Ficou do jeito que eu queria, exceto o fato que eu poderia ter feito ainda maior, mas mesmo assim, está uma belezura que dá gosto de ver. Acabei o danado e fiquei desfilando com ele pra lá e para cá. "Posso usa usar assim...prender assim...enrolar na cintura...não tá lindo?"
Acabei de acabar e já me deu uma tristezinha. E olhe que foi difícil fazer meu xale. Os gatinhos me perturbavam, puxavam as linhas, subiam em mim. O companheiro tinha seus ataque de ciúme - nunca vi isso! ciúme de crochê!- e vivia me perguntado se eu ia ficar a noite toda com aquilo na mão. A casa me pedia atenção, vassoura e pano de chão. Mas ele nasceu.
E agora?
O que faço?
Me sinto sem objetivos. E me parece claro que isso é uma asneira só porque eu tenho um monte de compromissos e objetivos adiados pelas mais diferentes razões. Tô com muita coisa pra fazer. Mas o que eu quero mesmo é começar do zero mais uma vez e ver que eu to criando mais uma coisa, quero voltar àquele estado alterado de consciência que é uma beleza para acalmar a minha mente, para me ocupar nas noites com programas ruins na televisão.
Pensei em um treco que as pessoas da revista com a receita chamam de pelerine. Sei lá o que é pelerine. Pra mim é um tipo de poncho torto muito do lindo. Farei em laranja, a cor do entusiasmo, da alegria e da força de vontade. Cento e noventa pontinhos para começar, um atrás do outro. Ai que delícia. Não pode errar porque senão dá tudo errado. Preciso de atenção, cuidado e muita, muita paciência. Aliás, é o meu maior defeito como crocheteira. Quero ver logo tudo pronto e sair mostrando pras amigas, matando elas de inveja quando me perguntarem onde eu comprei e eu, toda gabola, direi:
-Eu que fiz, meu bem. Eu que fiz.
Sim, sim, sim! Tô maníaca outra vez.
Eu sei.
Mas mania é coisa que a gente tem mas não sabe por quê...já dizia a canção.
Diga se não vai ficar divino em laranja.

8 comentários:

Anônimo disse...

Nossa lindo Tatiana!
Demais, acho que quero um, vermelho ficaria lindo também.
bjs

Tatiana disse...

Bem..se quer, tá na hora de comprar lã e agulha de crochê.
Sabe fazer correntinha?
E ponto alto?
Se sabe, já dá pra começar!
Eu achei meu xale um luxo!

Anônimo disse...

Você faz uma touquinha pro meu biléu???

Tatiana disse...

Desculpe, anônimo engraçadinho
Eu só sei fazer peça grande. Miudezas me enterdiam.

Rodrigo disse...

Foda, Tatiana!

Belo post, como sempre. Eu me lembro de Minas Gerais, minha avó interdida
com as agulhas e as linhas. No cair da tarde, fazendo crochê.

Estava lendo as entrevistas também aqui no COISA RARA,dei muita risada.

Valeu pelos os textos, ajuda a levantar o astral e seguir em frente.

beijo

Tatiana disse...

Ai, como eu queria passar uma tarde com a sua vó lá nas Minas Gerais

Rodrigo disse...

Tatiana, quando quiser.

É uma beleza de pessoa.

Mônika Mayer disse...

Tatiana, pode ficar maníaca sim, porque teu trabalho é de primeiríssima!!

Quando eu bordava, meu ex-marido tinha crises e pitis. Liga não,que passa. rsrsr

Ah, só prá lembrar: deixei um mimo prá vc lá em casa. De coração!

Beijinho, boa semana.