terça-feira, 1 de abril de 2008

Amar é...

Eu nunca escondi que sou adepta do casamento, dessa coisa de viver junto, dividir as contas, acordar e dormir todo o dia com a mesma pessoa. Eu gosto disso porque acho que é a forma mais reveladora de conhecer alguém e quando você conhece o lado podre do outro, o lado desromantizado, o lado humano mesmo do seu bem e , mesmo assim, você quer ficar junto, eu chamo isso de amor real.
Uma amiga me disse uma vez que amar as qualidades é fácil, amar além das qualidades é que é o negócio mais complicado! Ela está certa.
É claro que existem vantagens e desvantagens na vida de casada.
Ter um parceiro mesmo, daqueles que você pode contar como foi seu dia, sonhar junto, pensar no futuro junto, isso é muito bom.
Rachar as contas também é uma vantagem, não é verdade?
Dormir agarradinho, esquentando o pé frio no outro, é uma delícia.
Ouvir no pescoço a frase mais piegas do mundo e sorrir, toda mole, porque amor é uma coisa piegas e meio cafona.
Deixar bem claro que o objeto do nosso foi escolhido entre tantos. Você é o meu escolhido. Eu sou a sua escolhida entre tantas. No meio de uma multidão nos encontramos. E não foi à toa. Estava escrito para ser porque as coisas acontecem do jeitinho certo que tem que acontecer. Nada nem ninguém pode interferir na ordem natural das coisas.
Ter um projeto comum. Isso é importante demais. Temos a nossa vida, os nossos sonhos individuais, mas ter um alguma coisa que você quer fazer com seu bem amado, uma projeto, um sonho, alguma coisa que seja para se fazer a dois. Alguma coisa de " nosso". Aprender a ser "nós" em alguns momentos e nunca deixar de ser " eu" também. Isso é um exercício de auto conhecimento muito valioso que só quem vive junto passa. Manter o "eu" dentro do " nós".
Cuidar e ser cuidado. Saber que se você está doente ou triste o outro vai vir e te dar colo. Poder fazer aquela comidinha que o amado gosta só pra ver sua cara feliz. Amor cotidiano cheio de pequenas delicadezas. Amor cheirando a sabão em pó e amaciante. Amor de cozinha. Amor nas pequenas coisas sem grande importância mas que fazem toda a diferença.
Poder sair sozinha e ir em uma festa sem se preocupar se a festa tem gente disponível interessante. Uma libertação. Quando estamos sozinhas existe sempre uma expectativa sobre nossas cabeças e quando vamos em um lugar desses, uma festa, qualquer local cheio de gente e estamos acompanhadas ( mesmo que no momento estejamos sós) ficamos mais livres para descobrir as outras pessoas. Afinal você não está ali procurando a sua cara metade. Já temos, né? Podemos conversar livremente, conhecer mesmo qualquer um. E ainda podemos negar gentilmente qualquer investida sem medo de magoar ninguém. Igual quando oferecem alguma coisa estranha para você e você agradeça gentilmente dizendo que já jantou em casa. Uma pessoa casada já jantou em casa. Isso é...fora aqueles casamentos que dão espaço para pequenos lanches por aí. Eu sou absolutamente contra lanches fora de hora. Sou daquelas que toma café da manhã, almoça, lancha e janta em casa. Nossa Senhora, essas metáforas gastronômicas estão ficando complexas, mas acho que me fiz entender.
Casamento é exercício de convivência.
É não perder a ternura jamais. Mesmo com ele acordando mau humorado e rosnando pro mundo. Vai passar. Dar espaço pro outro ser um mala. Isso é generosidade também.
Casamento é um ato de coragem também porque não dá pra fazer linha quando se vive com outra pessoa. Seria por demais cansativo. Então nós deixamos que os panos que nos cobrem caiam lentamente. Mostramos a nossa face mais real nas pequeninas coisas. Se somos rancorosos, aparece. Se somos loucos, a loucura salta aos olhos. Se somos agressivos, o outro aprende a desviar do golpe.Ou seja, casamento é revelação e isso é desconcertantemente fascinante. Você ser o que é realmente.
Quando a mulher casa, ela pode parar de carregar peso. Bujões de gás, armários de casa, filtro de água, tudo isso fica com o parceiro. No meu caso, uma benção já que me protege as costas e evita os calos nas mãos.
Não se mata mais baratas e ratinhos. É só gritar de forma trêmula que lá vem seu Príncipe Salvador que dará cabo naquele monstro. Você não precisa vencer seus medos naturais ( você é capaz disso, tudo mundo sabe) e deixa que seu amor seja seu herói por um dia. Matou a barata-dragão! Acabou com o rato-monstro. Que coragem! Que virilidade! Vem cá, meu herói!!
Os homens precisam matar alguns monstros para se sentirem vivos. Eu só aprendi isso casando.
A vida de casada é cheia de armadilhas também. Tem que se manter os olhos abertos e olhando intensamente para dentro de nós. Nunca esquecer quem somos. Jamais permitir que as coisas se misturem além do saudável.
Tem que se ter muita coragem porque hoje casamento não é para a vida inteira. Você até deseja que seja, mas está todo mundo separando o tempo todo, a realidade tá ali, na nossa cara. A possibilidade do fim existe e é real. Aí que entra a coragem. Coragem de se jogar assim mesmo. Coragem de tentar, de se expôr, de mostrar aquele lugar no peito que é frágil demais, que é delicado demais, que vai doer terrivelmente se alguém meter o dedo ali. E mesmo assim topar.
Casamento é uma viagem ao Evereste sem oxigênio. Uma aventura na alma do outro. Um mergulho em um mar desconhecido.
É por isso que eu acredito em casamento.
Eu gosto de riscos, de entrega, de coragem, de partilha.
Se é para ser, que seja inteiro, que seja tudo, que seja tanto que me atordoe.
Aprender a ler o outro só pelos olhos. Deixar que te invadam pela retina. Guerrear ombro a ombro. Juntos contra o mundo. Juntos pelo mundo. Juntos. Principalmente isso. Juntos.
Não é lindo isso?

5 comentários:

Marina F. disse...

Puxa, que lindo.
Também quero me abrir pra isso logo logo.
beijos casadouros.

Tatiana disse...

E você é uma excelente " marida"! Se eu fosse homem, casaria com você fácil!
beijos, minha amiga

Anônimo disse...

Casamento é um tipo de acordo.
Mas só funciona quando existe amor de verdade. E, muitas vezes, nem o amor consegue segurar.
Casamento é uma forma de aprendizado.
Toda sorte do mundo no seu!
Beijos aqui de além mar!
Lúcia

Mônika Mayer disse...

É EXATAMENTE isso!!!! Pena que poucos vejam assim...

Abraços, seu blog é 10!

silvia disse...

tenho um pouco de aversão, medo desse tal casamento...mas dentro disso tudo que voce falou ae...é legal mesmo viver esse tipo de relação...mas como dizia minha avó...encontrar um amor é como procurar uma agulha no palheiro...isso que dá em pencas ae fora não presta e perece/apodrece com o tempo hahahahahahahahaha