sábado, 27 de outubro de 2007

Ontem fiz uma guigue com dois músicos das antiga aqui.
Fui de lima porque o cara que seguraria a noite teve sei lá o que e eu caí de para-queda.
Já fui nervosa porque um dos músicos está passando por uma fase muito difícil. Ficou quatro anos em recuperação de drogas e álcool e deu uma escorregada. Agora tá todo estrupiado, perdendo trampo pra cacete porque enche a cara e faz merda.
Uma vez eu fui dançar em uma bar e ele fazia parte da banda. Me falou horrores de sacanagens e lambeu minha tatuagem das costas. Coisa de bêbado. Não dei uma muqueta nas fuça dele porque é um cara que eu conheci sóbrio e gosto muito, mas chapado fica um cu de anú.
Então, eu fui esperando alguma coisa desse tipo. E esperei um som sujo porque doido acha que tá fazendo um puta som, mas na verdade está fazendo barulho.
Me surpreendi.
Fizemos um som lindo de morrer. Nosso músico bebinho estava com uma equipe, todo mundo tomando conta dele, impedindo que ele chegasse perto de qualquer bebida alcóolica. Se ele saía do bar, ia um atrás para ver como estava a situação. Então ele tocou lindo, como toca realmente. Ele estava ali, a pessoa dele estava ali, a alma dele estava ali. Todo mundo estava ali.
Eu tirando sarro dele quando me avisou que era a hora de dar um intervalo.
"Gente, tá na hora de parar, dar um intervalinho, porque os caras aqui já tem idade e tem que descansar"
Ele quase teve uma síncope de tanto rir das minhas besteiras.
E o som!
Puta som!
Lindo, lindo, lindo.
Nunca tínhamos tocado juntos. E o trio botou pra quebrar.
Não tive nenhum problema, ele não quis lamber nenhuma tatuagem, não falou merda, não fez merda. Ao contrário, foi o cavalheiro que eu conheci, antes de votar a beber. Delicado, gentil, musical, atento à música que estava fazendo. Foi muito bom. No fim da noite, ele vieram me abraçar, os dizendo "que legal tocar contigo, que delícia de som, muito obrigado". Eu respondia " É nós, gente. Os coroas da cidade botando pra foder. Eu é que tenho que agradecer".
Aquela rasgação de seda entre os músicos da antiga. Porque depois de vinte anos tocando em Campinas, eu já sou músico das antigas!
Torço aqui para que ele vença essa batalha que não é pequena. Que ele consiga vencer seu demônio interior. Porque, gente, definitivamente, a cachaça é uma merda!
Em minha reza de hoje, o nome dele vai vibrar nos céus.
É só o que eu posso fazer.

5 comentários:

Claudia Lyra disse...

Poxa... tomara mesmo que ele continue bem. Ô vício do diabo!

Danny Reis disse...

Amém, Tati. Vício é um inferno!

Tatiana disse...

Não, é meninas..só na reza...ô batalha difícil essa

Lord Broken Pottery disse...

Tatiana,
Sei bem o que é isso. Em 1998 decidi parar de beber. Ia por um caminho sem fim. Bebia o dia inteiro, ficava bêbado rápido, tinha virado um chato. Peguei todas as garrafas de bebida que tinha em casa e joguei no lixo. Minha mulher nem acreditou. Decidi que não beberia mais. E de lá pra cá, realmente, mantive a promessa. Como? Para mim foi fácil. Sou um sujeito orgulhoso demais. Se disser pra você que parei de beber, nunca irei beber na sua frente, ficaria sem graça em me desdizer. Na época contei pra todo mundo, espalhei em todos os cantos que tinha parado de beber. Aí tive que me segurar. Hoje não gosto nem de licor em bombom.
Grande beijo

Tatiana disse...

É, Lord, alguma coisa tem que ser a mola . Que seja o orgulho.
Eu adoro ler as suas confissões, tão humanas, tão honestas.
E você é a prova que é possível, né?