terça-feira, 15 de maio de 2007

Bem, bem, bem...
Olhe eu aqui outra vez.
Eu não sei ao certo o que acontecia nos céus, mas um monte de gente estava de bode ontem. Parecíamos um bando de bodes e cabras berrando pra lua que minguava.

E eu tô em pleno surto psicótico-criativo-musical. Parace que eu destampei e todas as canções que eu deixei de fazer estão batendo na porta de minha cabeça.
Acordo com ela. Durmo com ela. Se eu não pego o violão e resolvo, ela me perturba, me cobra, me machuca.
Eu nunca entendi esse povo que faz música sem sofrer, como se soltasse um peito. Fummmm. Nasceu a canção. Assim, simples e suave.
Caralho, eu sofro pra dedéu, realmente entro em trabalho de parto, fico ali, me contorcendo toda, minhas vísceras musicais me agoniando. Se eu soubesse que passaria por isso, não queria ter isso não! Vai se foder que é uma agonia sem fim!

A primeira vez que eu tive um surto desses eu tinha acabado de ter meu filho caçula. Fui convidada a fazer a trilha de um espetáculo de teatro de rua. Tinha menos de um mês para fazer quinze canções. E fiz. Mas fiz assim, desse jeito. Eu me lembro que um dia estava dando banho no meu pequeno e aí a música veio em minha cabeça. Berrei pro pai " vem segurar o menino aqui que to tento a idéia de uma música!". E o pai de Matheus só ria dizendo" vai, mulher! ". E eu sentava com o violão nas mãos e ficava horas para fazer uma musiquinha de merda, de quatro estrofes. E o filho lá, na mão do pai porque a mãe tava fazendo música completamente alheia a sua prole. Pelo menos a sua prole de gente. Porque a prole-canção eu tava era paparicando, lambendo, cuidando.
Uma noite, acordei sem razão. Levantei, sentei no sofá da sala e alguma coisa me agoniava. Ando pra cá, ando pra lá, acendo mais um cigarro. Até que pego o violão e sai uma canção inteirinha, de uma vez só, letra e música pronta. Volto para cama e durmo em paz. No outro dia, pego o violão e me lembro de cada palavra e de cada acorde. Era uma música sonâmbula precisando nascer e eu era o canal disponível naquele momento.
Em outra situação eu estava na sala de casa absolutamente absorvida com uma canção. Aquela expressão de maluca. Um amiguinho d emeu filho mais velho entra em casa. Fala comigo. Resmungo alguma coisa. Meu filho diz : "Nem adianta falar com ela. Tá no momento Bethoven! Só quer saber de música. Nem te dará bola".
Realmente não dei.

Agora eu to do mesmo jeito. Assombrada por canções. Como uma médium que acabou de descobrir que pode falar com espíritos e tem aquela fila de alma penada na porta, esperando sua vez de mandar um recadinho do além.
A pilha de letras que me mandaram para que eu musicasse ainda não diminuiu. Peço paciência aos meus futuros parceiros, deixem essa fase passar. Velhos, mulheres e crianças na frente, não é? As minhas canções solitárias, falando daquilo que meu coração precisa falar para ser mais leve e menos dolorido, precisam sair primeiro, precisam abrir espaço, precisam se sentir queridas e amadas. Só assim elas deixaram as outras canções, aquelas que faço a quatro mãos, possar nascer também.
Eu já disse para um parceiro lá de Sampa: não desista de mim, não. Não é desfeita. É só essa urgência de ser voz e som, essa coisa que me pega de tempos em tempos, essa histeria criativa.

Eu to até achando que quem me fez desejar apagar o blog foram as canções-almas-penadas. Elas que estavam se sentindo abandonadas por mim, por eu dar mais atenção à escrita solitária que o blog oferece, do que a música.
Fui atacada por canções órfãos.
Vai ver que foi isso.
Mas aí, da Bahia como sou, tomei meu banho de cheiro, acendi minha vela pro anjo de guarda, fiz uma canção de guerra muito da porreta e melhorei absurdamente.
Aí recebi denguinho e cafuné, pude chorar as minhas pitangas sem constrangimento nenhum e acordei outra mulher.

Viu só?
Não devem me levar muito a sério.
Eu não valho um tostão furado.

5 comentários:

Danny Reis disse...

Você vale é ouro, mulher!
:)
Beijo!

Anônimo disse...

Você não vale nada mesmo....haha...ainda bem. Também estou fervilhando de idéias...quero te ver! Sábado t^^o aí! beijo.
Má F.

Anônimo disse...

Desisto nem a pau!!!!!!!!!!!!!!

Gil

Vivien disse...

ótimo momento criativo, o que ouvi, adorei.;0)

Cristiano disse...

O parceiro de Sampa manda dizer
Com papel e caneta, pra variar
Que novas canções estão sempre a nascer
Que a vida foi feita pra se harmonizar...