quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Meu espírito suíno e meu humor escroto

A mesa repleta de mulheres. Um botecão conhecido da cidade. Cervejas na mesa. Gargalhadas soltas. O clube da Luluzinha.
Do nada aparece um moço por detrás de uma das moças e abraça pelas costas. Ela se assusta, olha e reconhece. Fica feliz, trata bem, ri junto. Ele senta ao lado, conversa jogada fora, papo de botequim e eu começo a perceber que a minha amiga está ficando incomodada, se mexe na cadeira, o moço murmurando sei lá o que no seu ouvido. Ela fala mais alto do que o normal: - Rapaz, você nunca me tratou assim, nunca me disse essas coisas! O que que está acontecendo?? E ele lá, encarnando o Zé Pilintra na boa, já com muita cachaça na cabeça.
Seríssima, olho no olho dele e digo:
-Não estou gostando do seu comportamento, moço. Explica pra ele, Ana.
Ela, sacando a jogada na hora, emenda.
- Sabe o que é? Eu sou casada mesmo, mas a minha namorada é ela e você tá me deixando em uma situação desconfortável. Tô super sem graça!
Eu seríssima. O resto da mesa às gargalhadas. Ela gargalhando. Eu seríssima.
Ele me olha , aquela coisa de medir adversário.
- E o que que tem? Não to fazendo nada de mais!
-Ah, tá sim! Tá alisando sem autorização, tá fazendo graça demais pro meu gosto e eu to ficando brava com isso.
- Qual é teu nome, moça? - olha feio para mim.
-Tatiana - E dou um aperto de mão de caminhoneiro, macho pra caralho, quase quebro o dedinho mindinho do coitado.
Minha amiga, assumindo o papel de vez:
-Meu amor, deixe disso. Ele já tá indo embora. Eu vou até pagar a conta. Vamos junto comigo. Fica assim não! Peloamordedeus, nossa história é maior que isso! Vem, amor, vamos acertar a conta.
Levanto da mesa, minhas botas salto quinze me deixando com quase 1 e 90 de altura, ele me olhando de baixo para cima, uma cara de cu, não sabe o que falar, fica gaguejando alguma coisa que parecia ser eu não sabia que tu tinha virado sapa.
Muito macho, falando baixinho e olhando no olho dele.
- Quando eu voltar, não quero te ver mais aqui, tá me ouvindo? Quando eu voltar pra mesa quero você bem longe daqui e não quero mais ver você perto dela. Entendeu?
Uma boca aberta e um olhar surpreso.
E saímos de braços dados ouvindo a mesa quase cair no chão de tanto que riam. Só as meninas, é claro.
Quando voltamos ele realmente não estava mais lá e as outras disseram que ele ficou muito sentido com o ocorrido, afinal, dizia, sempre beijou e abraçou a Ana, que não tinha nada de mais aquilo tudo, que ele era só afetuoso mesmo e que não justificava uma reação tão drástica da minha parte. Que sapatão era uma merda mesmo, tudo machona, tudo metido a valente e que essa vida não era justa.

Uma das moças olha para mim e diz:
-Puxa vida, nenhuma amiga me salvou desse jeito. É muito eficiente mesmo.

E eu saio do botecão, de braços dados com minha amada, me dobrando te tanto rir e pensando que eu, de sapata, mando muito bem.

4 comentários:

Ronaldo Faria disse...

Muita calma nessa hora... No máximo bi...
Beijos
Ronaldo Faria

Claudia disse...

Caracaa!!!!!! EU TAMBÉM JÁ FIZ ISSO!!!!! Hahahahahahahaha... e olha que só tenho 1,50m de altura... hahahahahahahaha...
Sei lá... acho que homem morre de medo de sapatas... haahahahahahahaahaha

Tatiana disse...

Mas não funciona que é uma beleza???

Anônimo disse...

Funciona! Ô se funciona!!!!