domingo, 15 de outubro de 2006

Neste feriado fui lavar a poeira do corpo em São Tomé das Letras, Minas Gerais. Erámos um grupo pequeno, mas coeso: eu, meu filho Matheus e minha incansável companheira de viagens e afins, Fernanda Dias.
Fomos com barraca para curtir as sensações da natureza mais de perto e foi sensação demais com aquele temporal que caiu nas nossas cabeças.
Eu tenho até uma alma bicho-grilo, mas na chuva, em São Tomé, ah, é demais para mim.
Alugamos uma casinha e fomos curtir o que essa terra oferece.

São Tomé fica a 1400 metros acima do nível do mar e tem a fama de ser um local onde se vê disco voadores, et's, essas coisas todas. Uma terra mística que atrai doido de todo lugar, inclusive Campinas.
tem uma tal Ladeira do Amendoim que é coisa de alienígena mesmo. Você para o carro em uma descidinha. Desliga e o carro volta a subir a ladeira sozinho!!
Eu fiz o teste, filmamos inclusive, uma coisa de louco, coisa de ET, tenho certeza. Lá vai o carro subindo a ladeira enquanto a lógica diz que ele deveria descer a ladeira.
Vai entender uma coisa dessa!

Grutas. Muitas grutas. Eu descobri que gruta é uma coisa assim meio Hades demais para mim, muito Senhor do Infernos, bastante claustofóbico para meu gosto. Mas fui! Desci por caminhos escuríssimos, pisei em água parada de caverna, travessei o morro por debaixo da terra e saí do outro lado me achando a Indiana Jones de saias! Parece que coco de morcego é roxo, mas eu não vi nenhum também.
Lá tem uma caverna que o povo do lugar diz que se você entrar e andar, andar andar vai acabar chegando em Matchu Pichu. Eu andei uns quinze metros e achei muito abafado e resolvi voltar. O ar da gruta é pesado, parado, eu ficava com aimpressão que atrás de mim tinha um ser baforando em minha nuca, que Cérbero, o guardião dos portões do Inferno iria aparecer a qualquer momento e me morder as canelas. E não dá pra correr ali dentro porque é tudo apertadinho, é como nascer de novo, um canalzinho só que nos leva até a luz.
Decididamente não nasci para grutóloga ou cavernóloga. Sei que existe um nome técnico muito bonito para isso, mas eu não sei então fica esses mesmo.

São Tomé é rodeado de lindas cachoeiras. Fomos na Cachoeira da Lua que é muito linda e, para mim, a mais divertida porque tem uma corda pendurada na árvore que você pode se sacudir e cair no meio do lago onde desagua a cachoeira. Eu fui lá me sacudir mas não consegui saltar, meu máximo foi arrastar a bunda por sobre a água e cair completamente desprovida de charme. Bem, não se pode manter o charme em todas as situações.
Mas por outro lado eu consegui saltar cinco ( notem a quantidade: CINCO) vezes do alto do morro, uns cinco metros de altura, para cair no meio do poço. Praticamente virei uma perereca saltadora! Uma delícia. Logo eu que tenho medo de trocar lâmpada superei meus receios e arrasei. Fui tão bem que pude tirar sarro de meu filho Matheus e de um pobre rapaz que simplesmente travou lá no alto e não pulava de jeito nenhum.
Eu berrava:
-Vem Matheus!
-Vem, moço! Se eu pulei você pode pular também!

E os dois travados lá em cima.
-Matheus, se você pular, te dou vinte reais...
Nunca vi ninguém pular tão rápido, tanto que nem foto consegui bater. Meu filho é um mercenário filho de uma égua e eu devo a ele cento e cinquanta reias.
Sou uma besta.
Aí eu continuava pro moço:
- Vem, qiue eu também te dou vinte reais.
E ele nada. Travadíssmo, xingando e todo apavorado.
E eu subia de novo, falava com ele.
- Isso aqui é como a vida. tem horas que a gente não pode pensar demais, não pode só levar em consideração os aspectos negativos, tem que agir, tem que se jogar na vida. Isso aqui é como a vida, um salto, um susto, um mergulho. Vamos...
- Tô com medo.
-É como uma paixão daquelas boas, a gente sabe que não devia pular, não parece lá muito ajuizado, mas tem que pagar pra ver.
Ele me olhava e nada de saltar.
-Jerôooooooonimo!!! - gritava eu mais uma vez e caía na água.
E berrava lá de baixo:
-Viva o estrogênio porque a testosterona tá em baixo aí em cima! Larga mão de ser cuzão! Vem! Salta! Esses homens de Taubaté não são de nada e olha que e vim de Campinas que tem uma fama péssima! Vou ficar com má impressão da sua terra! Salta que eu te dou vinte reais e um beijo na testa! Não pense! Se jogue! Arrisque, você consegue.
E ele saltou.
Com um medo da porra, mas saltou e eu morri de orgulho de um desconhecido de Taubaté que venceu o medo de altura, saltou cinco metros dentro da água escura da Cacheira da Lua e me confirmou o que eu sempre achei:
Sempre podemos vencer algum medinho besta que nos impede de viver.
Tem que se jogar, tem que arriscar mesmo!!
Segue algumas fotos da viagem...
To tão dolorida...descobri que tenho músculos que nunca utilizei na vida. Esse negócio de vida rural é pra quem tem preparo físico mesmo.
Ai, meu corpitcho véio de guerra.

Um comentário:

Carlos disse...

Depois de ver o que vc viu no pq Oziel, nada melhor q esse passeio. Lindo lugar!