terça-feira, 22 de agosto de 2006

Lá pelos meados de maio eu fiquei muito, muito triste. Escrevi aqui, mas depois apaguei porque não queria registrar dor alguma, queria recomeçar, queria ir para frente, mas tudo doía em mim.

Aí o Bruno Ribeiro, outro jornalista com alma de poeta, boêmio assumido, apreciador de boa música e letristas de canções que ouvimos por aí, como que pra alegrar um coração tristinho, me enviou duas letras e me autorizou a musicá-las. Eram meus presentes, uma das letras especialmente feita para mim ( e a próxima a ser parida) a outra não ( esta que musiquei), mas estavam em minhas mãos.
Maio, junho, julho e finalmente agora, em pleno agosto nossa primeira parceria nasceu. Como era a minha intenção, fiz um samba. Um samba doído em tom maior, um samba simples, mas eu queria que fosse um belo samba. Eu, criada em rodas de samba, não tenho o hábito de compor nesse estilo. Mas a herança é forte e eu firmei a vontade e fui em frente.
Incluí somente as palavras Campinas São Paulo e Sagrado. Todo o resto da letra é de Bruno e é com muito orgulho que apresento a nossa primeira parceria.
Valeu, parceiro.
Chorei muito, mas muito mesmo enquanto compunha.
Tenho certeza absoluta que esta letra deveria ser minhaeu deveria ter escrito, mas você achou primeiro e então, fazer o que, né?

QUERIDO AMIGO
( letra Bruno Ribeiro/ música Tatiana Rocha)

Escrevo para agradecer por ter me aturado
nas noites inglórias que eu quis morrer
Meu muito obrigado por aquelas manhãs
sem planos, projetos, pecados, maçãs

Já são duas horas e dorme a cidade
o amarelo do taxi, a tintura da dor
Por onde andarás se ainda trafego
em trilhos de bondes, estrada incolor

E a Mulher Maravilha que nunca sossego
por onde se esconde, na ilha ou no mar
eu nunca te nego - viola de cego
Você que se foi - farra de boi

Mas não tem de que, tem nada não
Esta carta é um beijo escrito à mão
que estala nas cordas do teu destino
e nas linhas das ciganas do meu violão

Obrigada, por tudo, ó meu relicário
ó meu antiquário, meu sábio chinês
Campinas , São Paulo
vinte e três de maio
do ano sagrado de dois mil e seis

7 comentários:

Tom disse...

Li agora um ano inteiro deste teu blog. Tem muita coisa séria, mas ri bastante algumas vezes. Hoje ando bem longe de Campinas, mas freqüentei o Ilustrada, no Cambuí. E isso foi há tanto tempo que nem vou dizer quanto, aqui diante de ti assim tão sarada. Vou dizer apenas que foi no meio do caminho. E depois de te ouvir dizer que não gostas mais de cantar chão de giz, ou te ouvir perguntar pra si mesmo para que serve o cantar, eu me intrometo a dizer, agora sem nenhum efeito etílico e com os olhos limpos da fumaça dos cigarros, que serve para alguém guardar para sempre a lembrança da tua imagem tocando o violão e cantando sapato velho: Coisa Rara!

Tatiana disse...

Ô, Tom
Não consigo relacionar um rosto ao teu nome. afinal, já faz tempo demais! Mas seja sempre muito bem vindo aqui, entre, puxe um banquinho, abra uma cervejinha e ouça augumas velhas canções.
Eu, até hoje, canto Sapato Velho feliz da vida.
Obrigada, viu?
Hoje eu estava precisando de um denguinho lietrário.
Valeu!

Anônimo disse...

Puxa, que tudo esta letra. A música deve ter ficado linda também, quero ouví-la!!! Tati, você tem uma luz muito rara. Admiro muito, viu?
beijos da amiga.
Marina

Ronaldo Faria disse...

Lindas: a música e a dupla. Parabéns. Cuide-se!
Ronado Faria

Bruno Ribeiro disse...

Estou emocionado por ter virado seu parceiro. Que muitos outros sambas venham pela frente! Ouvirei hoje à noite a gravação e depois comento devidamente! Obrigado!

Tatiana disse...

Vou descobrir um jeio de colocar a música no blog!

Anônimo disse...

Simplesmente belissima, de uma sensibilidade ímpar.