terça-feira, 8 de agosto de 2006

Cheguei em casa, com meu filho, pra lá das dez da noite e encontrei meu vizinho, o eterno bêbado da rua, sentado na frente do meu portão. O porre era tamanho que nem andar ele conseguia, ia arrastando o bundão etílico pelo asfalto.
Tila, minha cachorra fedorenta, tem verdadeiro horror do bêbado. Latia para ele feito doida, ele xingava a cachorra, uma confusão dos infernos e eu fiquei com medo de abrir o portão e Tila aproveitar a situação e comer o bebum de uma vez.
Parei o carro e ouvia ele dizer:
- Moça, me dê....me dê...
Não ouvia a frase toda porque a cachorrada uivava, ladrava. Um pandêmônio. Meu filho olhava com olhos esbugalhados.
Caráio, ele tá, mais uma vez, pedindo ajuda para levá-lo até sua casa. Já fiz isso algumas vezes e não é fácil. Ele bambeia de verdade e minha mãe já caiu no chão quando tentou ajudar.

Prendi os cachorros, abri o portão, coloquei o carro dentro e lá fui eu levantar o bêbado e rebocá-lo para sua casa que fica a três casas da minha, na descida.
Puxo o homem, levanto, ele balança e começa fazer sua cena. Chora, fica dizendo não não não, tropeça, geme. Ele tem um problema nas pernas que só piora a situação. Vamos, meu filho, porque se você ficar na frente d eminha casa, eu não durmo e se a cachorra sair, ele te come! Vamnos para casa que eu te levo.
E ele chorava e gemia.
Para andar uns três metros, eu levei quase dez minutos com o filho da puta. Quase caí junto umas três vezes quando resolvi pegar a besta do bêbado e , literalmente, carregar para casa.
- Ó, meu filho. Vou te carregar porque assim não chegaremos nunca!
- Eu acho bom! Muito bom. - E chorava ainda mais, fedendo a cachaça barata.
Peguei os braços do tal, passei por meu pescoço, ele fungando em meu cangote e lá fui arrastando o ébrio ladeira a baixo, ele como um saco de batata, a ponta do tênis sendo comido pelo asfalto. E o bebum chorando e pedindo perdão e dizendo que eu tomasse cuidado porque ele não queria cair no chão de jeito nenhum. Um moto boy passa e me dá uma buzinadinha de apoio enquanto berra:
-É a marvada!! É a marvada!!!
Rapidinho estava eu largando o homem na porta de sua casa.
Serviço cumprido!
A esposa chegou e falou:
- Vai dormir na rua, filho de uma puta! Aqui que você não entra!!!
Saí rapidinho porque ele podia pedir uma carona de volta pro bar e meus pulmões não estavam aguentando mais porque carregar um homem da minha altura não é mole não!
Voltei pra casa toda suada, fedida, sentindo uam necessidade urgente de banho mas achando que meu fiho me acharia uma heroína, tão bondosa em carregar o homem necessitado para casa dele. Exemplo. O negócio é dar exemplo!!!

- Carregou ele, mãe?
- Carreguei. - uma pontinha de orgulho estava ali na minha voz.
- Mas eu acho q ue ele não queria isso não.
-Como não? Ele estava pedindo para eu dar uma mão, uma ajuda. E a gente não pode recusar ajuda, meu filho. Ele queria uma força para poder voltrar pra casa dele. Fiz uma boa ação, viu?
-Tava pedindo ajuda nada, mãe. Eu ouvi direitinho. Ele estava pedindo assim ó: moça, me dê uma vodka, me dê uma vodka!!!!

Vodka? Era vodka que ele estava pedindo?
Uma imensa cara de bunda surgiu em minha face.
Meu filho riude mim até não se aguentar mais, e enquanto eu entrava no banho e esfregava com toda força a bucha vegetal em meu cangote, ouvia meu filho dizer:
- Moça, me dê uma ...vodka!! ha ha ha ha ha E carregou o bebeum nas costas!! ha ha ha ha ha .

Bêbado filho da puta!
Filho escroto.

8 comentários:

Vivien disse...

Não dá pra não gargalhar....mas, olha, eu te achei heroína, ok?

Anônimo disse...

ô minha amiga

Dine

Anônimo disse...

Pequena Tati, você sempre me remete ao ordinário - detesto o extraordinário!

Geraldo Magela Matias
www.mineirotauro.blogspot.com

quina vida disse...

é io que dá ter a necessidade de exercitar o heroísmo.

a gente ainda é taxado como babaca.

Ronaldo Faria disse...

Parabéns, o santo dos bêbados te agradece!
Ronaldo Faria

Gika disse...

Ai Tati, já vi esse filme...tá muito dificil ser mãe hoje em dia. A gente vai nas melhores intenções e depois é sempre assim.
Os filhos de hoje são todos iguais, principalmente esses de 11 anos, só muda o endereço..ahahahahah!

Beijo Tati

Bruno Ribeiro disse...

Seu Zé Pelintra te protegerá!

Carlos disse...

Esposa malvada essa...