quinta-feira, 27 de julho de 2006

PARTE 1- AMPARO
A apresentação lá em Amparo foi muito legal.
Tocar em praça de cidade equena é sempre um desafio. É como um bar, onde as pessoas nãoe stão ali necessariamente para te ouvir, elas podem conversar, levantar, sair para ir ao banheiro.
Uma praça é a mesma coisa. As pessoas estão passando por ali, você tem que pegar pelo ouvido, agarrar pelos olhos, tem que fazer a coisa ser tão interessante ao ponto que elas aceitem ficar em pé, no meio de uma praça, com um frio cortando a pele para te ouvir cantando canções que elas nunca ouviram, afinal, estava fazendo um show autoral.
Um tremendo exercício de controle de público!
Palco grande, alto, massa sonora imensa, tudo do bom e do melhor. Muito bom.
Quando eu desci do placo, depois que tudo tinha acabado, a adrenalina ainda está a mil. Falar com as pessoas foi uma delícia mesmo! Muita gente veio conversar, quase 90% eram músicos ou cantores da cidade, falando do som, das músicas. Não esperava esta reação.
Teve uma mulher que me disse que mora no prédio à frente do palco e que não desceria para assistir meu show porque não me conhecia, estava frio e tudo mais. MAs quando o som entrou na casa dela, ela foi se emplogando, foi arrastando ela para fora e teve que trocar de roupa rápido para poder pegar o meio da apresnetação.
Me senti como aquele flautista das históriads infantis que atraia os ratos com a sua música.

PARTE 2- REFLEXÃO
Pensei muito nestes dias qual é a função de minha vida. Será que é isso mesmo? Cantar as pessoas, oferecer um momento de magia, ser a voz de tudo aquilo que passa na alma de qualquer pessoa. Cantar as dores, as delícias, a vida simples de quem é simples, como eu?
Chega a me dar remorso, em um país com tanta fome, tanta miséria e eu só poder cantar. E o que eu canto nem é ouvido pelos que estão na miséria. Sou uma cantora e compositora de MPB, atualmente um tipo de música que a classe média consome. Se é que consome mesmo. e sinto uma burguesa musical cantando bobagens para a humanidade. Uma Alice no País da Maravilhas.

É..to em crise, de certa forma.
Sei que ser cigarra em mundo de formiga tem esses inconvenientes. E sei também que um mundo sem arte, sem música seria muito, muito triste. Sei que tenho um mínima participação em colorir o universo, mas acho um serviço tão pequeno e eu queria poder fazer mais.
Fazer mais pelos que morrem de fome, de dor, de tristeza. Fazer mais pelas mulheres que são maltratadas, mutiladas, assassinadas. Queria fazer alguma coisa de útil para as crianças que não tem apoio nenhum.

Tá..eu sei que não posso resolver osproblemas do mundo, eu sei. Mas eu queria me ver fazendo mesmo.
Aí eu ouça a minha música e acho que é uma coisa tão simples, tão superficial, tão desnecessa´ria.
Talvez se eu virasse uma compositora política, uma Violeta Parra brasileira. Não sei, não sei...

A arte tem que ser útil?
Para que que tem que servir a arte?


PARTE 3- O Flautista de Hamellin

Me sinto questionando o que faço.
Não que eu queira parara de fazer o que faço, mas queria saber fazer melhor e ser útil.

Um flautista pode arrastar ratos pra fora da cidade. A minha pergunta é:
Para onde eu posso levar os ratos que me seguem?
Para onde eu devo levar?
Se é que levo alguma coisa para algum lugar...

10 comentários:

Anônimo disse...

Ouço um desaforo: Voce é um homem ou um rato?
Sou um rato.
Me leva, vai.

Daniela disse...

Tatiana
às vezes sinto exatamente a mesma coisa. Trabalhar com design e moda
pode ser ainda mais superficial.
E ainda tem a culpa de provocar desejo nas pessoas de coisas que elas não precisam, de fazer as pessoas se sentirem inadequadas, criando necessidades fúteis que antes não existiam.
Mas chego sempre à mesma conclusão - não sei fazer outra coisa. Tudo que eu sei fazer tem a ver com beleza. E prá que serve?
Sei lá. Mas se existe, desde o tempo das cavernas, é pq deve ser uma necessidade do ser humano, não é?
Bjs.

Anônimo disse...

Olha, a arte pura já é política por si, mesmo que não seja engajada. Pois consola, abre mentes, expande consciências. Sua crise é minha eterna crise e a crise de todos os artistas que conheço. Acredito mesmo que a política está nas atitudes, no dia-a-dia, naquilo que exercitamos entre nós mesmos. Só assim conseguiremos "mudar o mundo". Continue no seu caminho, que é lindo e iluminado e ilumina muita gente.
beijos da amiga.
Marina

dine disse...

ô minha amiga! vc ilumina os corações sombrios, planta esperança em terrenos secos,chama para vida quem acreditava que ela já havia acabado! e de quebra ainda anima sempre um pouco mais os eternos otimistas.Se cada melodia das suas canções fizer surgir um sorriso, um sentimento pode ter a certeza de que o que vc faz,faz toda a diferença, por isso minha linda amiga cante! cante sempre,cada vez mais!
amo vc,beijo Dine

Tatiana disse...

acjho que eu vou chorar

Ronaldo Faria disse...

Parabéns pela apresentação. E música salva. Ou ajuda a esquecer. Não pare nunca.
Ronaldo Faria

pedro disse...

Tati, eu já sentei e chorei pensando nisso. Faz parte da vida de "cigarra em mundo de formiga".

(Já disse o quanto eu adoro essa sua comparação?)

Eu não posso te ajudar muito nessa que não deeve ser a primeira e com dcerteza não será a sua última reflexão em tom desesperado acerca do assunto.

Mas posso te falar do que me ajudou.

(Aí você para e grita: se enxerga pirralho. Você só tem dezoito anos, quem é tú pra dar testemunho de vida?)

Eu não sei se nasci pra fazer música. Mas descobri que fazer música me faz feliz pra caralho. Como instrumentista, eu já tive realizações importantes, toquei em lugares bacanas e tal. É isso aí. Não se se você sabe, mas eu faço faculdade de Antropologia. E todo mundo que entra lá, no fundo quer um puco mudar o mundo. Só que a voz da música falou mais alto. E eu descobri que eu podia mudar o mundo (bem pouquinho, confesso, mas já é algo) com o que eu faço de melhor: música. Meu maestro (e melhor amigo) é coordenador de um projeto de música como instrumento de desenvolvimento humano no Instituto Pão de Açúcar. Tà que pode ser só uma desculpa da família Diniz pra se isentar dos impostos. Mas quando você vê uma vidinha só, que seja, mudada pelo brilho que a música dá, sabe, vale a pena. E hoje eu tenho a sorte de ser professor nesse programa maravilhoso, e pretendo solidificar cada vez mais a minha carreira como arte-educador. Pode até não adiantar de muita coisa, mas ver aqueles olhinhos brilhando enquanto fazem música me dão um motivo pra levantar da cama todos os dias.

Não tô falando que você tem que largar tudo e abrir uma comunidade hippie de culto à música para a salvação, nem que dar aula é a única coisa que serve pra algo.

Só te sugiro pensar um pouco sobre como o que você faz pode ajudar a salvar vidas, nem que sejam só a sua e a de mais alguém.

Seja feliz, isso já é de grande ajuda pro mundo.

PS.: Em tempo, eu já disse que eu gosto pacas de ti, não só como musicista, mas como gente? Vamos gravar um blues juntos, um dia.

Marlon Vilhena disse...

Estou escutando "O Som do Silêncio"... isso é maravilhoso! Vou baixar as outras músicas do seu CD, já que vc me permite. Sabe, eu sinto falta disso, e muito, por aqui onde estou em Belém/PA. Morei em Campinas, e pretendo voltar para aí, mais tarde ou daqui a pouco, vai depender da minha disposição para continuar o mestrado que me propus a fazer aqui.

E vi que você vai se apresentar na Cachaçaria Água Doce em Barão Geraldo. Nunca entrei lá, mas conheço o lugar de vista, eu morava em Barão, minha irmãs ainda moram lá. Tomara que dê tudo certo pra você. E continue assim porque, se depender das coisas que se escuta nas rádios hoje em dia, o mundo está perdido. E temo que isso não seja exagero.

Beijos pra você.

Ricardo disse...

A praça é do povo como o céu é do aviâo, já cantava Caetano Veloso.

Bruno Ribeiro disse...

Boa conversa no sábado, vamos estendê-la pela semana? Separei em casa algumas coisas do Silvio Rodriguez, que falam exatamente disso tudo. A arte tem sua função política independente de qualquer coisa. Mesmo quando alienada, a arte é politica - neste caso serve apenas para a manutenção dos interesses de quem sempre esteve no poder e no comando desta merda toda. Cabe ao artista direcionar corretamente sua mensagem, ser uma voz ativa e socialmente comprometida. O artista é um trabalhador como qualquer outro. Como tal tem de dar sua contribuição à sociedade. Que seja para algo grandioso e não para a alegria estéril que entorpece a consciência geral. Você está no caminho certo, Tatiana. A dúvida e a crise são indicativos positivos!