segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

O CANSAÇO FAZ A GENTE PERDER A EDUCAÇÃO

Fui tocar sexta e chegar até as duas horas acordada não foi fácil. Um esforço sobre-humano mesmo. Mas fiz, né?
Aguentar um bêbado com bafo de cadáver de gambá a essa hora da matina requer controle de monge tibetano. Contei até um milhão quatrocentos e vinte e dois para não mandar ele ir se tratar nos Alcoólicos Anônimos e manter a distância respeitável e um metro. Só saiu de perto quando fiquei do lado dele, em pé, de salto altíssimo e ele se sentiu inferiorizado por bater em meu ombro. Uma técnica que sempre funciona com bêbado baixinho.
Recebi dez reais de gorjeta por ter me lembrado da música Sozinho, feita por Peninha, mas que todo mundo cisma em dizer que é do Caetano.O cara me pediu a música ( e, é claro Chão de Giz,que eu não suporto mais tocar!!!) Eu puxei da memória e nada de lembrar a tal hamonia. Eu dizia pro cara :
-Eu sei esta canção mas to esquecida dela.
Aí o cara falava:
- É assim ó ...as vezes no silêncio da noite....( desafinado de dar dó)
- Não..a letra eu até sei ( mentira, sempre erro), o que eu preciso lembrar é a harmonia, aquilo que eu faço no violão.
-Ahhh, faz qualquer coisa!!
Tá certo.
Mas mexeu com meus brios. Tô ficando preocupada com meus esquecimentos e fiquei forçando a memória até que veio tudinho. Gritei: EURECA! Lembrei!
E cantei a música, errando a letra, claro. O moço ficou tão feliz com meu esforço que veio em minha direção, tirou dez contos do bolso e colocou na pasta, o vento bateu, dinheiro voou e eu cantandoo tempo todo.
Enquanto cantava, pensava que se a cada música que eu cantar pro povo, à pedido, eu ganhar dez reais, posso fazer uam pequena fortuna. Cantava outra canção e ficava brincando de fazer cálculos.
O moço me pediu Borbulhas de Amor, que ele dizia ser do Fagner.
-Borbulhas de Amor???
-Sim, você sabe que vai ser bom pra você, né???
E me olhava como um gigolô metendo as mãozinhas minúsculas em um bolso enorme.
- Ó aqui, meu querido. Borbulhas de Amor não sai de jeito nenhum, nem por dez contos nem por mil porque eu sou sei a primeira frase quem me dera sere um peixe e eu acho que um cara que quer ser um peixe não merece minha atenção.
-Mas que preconceito besta! Golfinho é peixe e é um bicho maravilhoso!! Eu queria ser um golfinho!!

O que que eu posso dizer de um público desses, meu Pai do Céu?




4 comentários:

Ronaldo Faria disse...

Da próxima vez, fale para ele que golfinho é mamífero, apesar de nadar. Tenho pena de você (pena carinhosa) de ter de agüentar este povo. Gente que não conhece o artista (muito menos você) e se sente íntimo há anos, dono do violão e da voz alheios. É foda tocar em bar. Mas ensina. E quem sabe alguém um dia não te ouve com ouvidos de cigarra e gosta e decide investir na carreira? Será? No passado era assim...
Acho que falei besteira e o tempo mudou... Mas sou saudosista, do tempo em que artista ganhava instrumento de fã ou chance em gravadora.
Cuide-se. Sempre...
Ronaldo
Por experiência etílica própria, bêbado bom é aquele que se embriaga em casa e dá baixaria só para o espelho ou para a privada.

Moacir Caetano disse...

hahahahahaha...
me desculpe, eu sei que não deve ser nada engraçado pra vc, mas vc escreve de um jeito tão leve e divertido!
tô doido pra ouvir sua música, mas a placa de som aqui de casa deu pau! rs...
Beijos!

Bruno Ribeiro disse...

Os Raimundos já quiserem ser o celim da bicicleta.

ariadne disse...

É verdade , vc desopila qualquer fígado emperrado, mas que deve ser dureza deve. Cruz credo.