sexta-feira, 11 de novembro de 2005


confessando meus medos



Como todo mundo tenho medos, medinhos e medões.
Tenho medo de ficar velha solitária conversando com cachorros e gatos, minha casa povoada somente por quadrúpedes.
Isso acontece mesmo!
Eu tive uma sogra que era um ser diferente. Gostava tanto de gatos que morava em um apartamento de dois quartos com 30 gatos presos em gaiolas em um dos quartos. Somente um gato podia passear pela casa. Os outros ficavam só olhando.
Ela havia comprado uma televisão especialmente para os gatos assistirem desenhos da TV a cabo enquanto ela trabalhava durante o dia. A casa fedia a xixi de gato e quase todo o salário da doida ia para areia de gato, comida de gato e veterinário porque todos os bichanos estavam adoentados. MOTIVO: estresse!!
Para completar, ela achava que Elvis era o messias e tinha tudo dele. Poster, discos, filmes, camisetas, panfleto, toda e qualquer quinquilharia. Mas tinha tudo em DOBRO! Vai lá que alguma coisa estraga, né? Qualquer coisa era: valhe-me Elvis!
Pois é. Tenho medo de ficar assim. E não pense que eu ou você, ou qualquer um, não ficaríamos! Porque um dia esta mulher foi tão normal como nós, só que, em determinado momento, começou a ficar estranha e nunca mais parou de endoidecer. Vivia em um mundo a parte, cheia de rancores, só amando gatos e sem perceber que matava aos pouquinhos cada gatinho preso. Uma sociopata.
Assustador.
Sempre achei que um dia estes gatos se rebelariam, dariam um jeito de sair das gaiolinhas e o porteiro, percebendo um cheiro estranho, encontraria a velha morta, metade do corpo comido por delicadas mordidinhas felinas. O osso aparecendo. E de fundo musical love me tender girando sem parar na vitrola, repetindo, repetindo, repetindo a mesma melodia...


5 comentários:

Geraldão disse...

Caramba, tive uma namorada que me trocou pelo gato. Passou a noite inteirinha com o Alfredo. Ela simplesmente "catou" o bichano numa lata de lixo, no campus I da PUCamp. A troca foi realizada em público, num ponto de ônibus. Cerca de 23 pessoas assistiram ao espetáculo.

Pedro Camargos disse...

Eu até gosto de gatos, mas aí já é doentio.
Bom, desse seu medo eu também compartilho.

Andréa disse...

Caramba, até parece filme de terror. Tadinho dos gatos.
Bjs
Andréa

Anônimo disse...

Tatiana,
Sexta eu fui ao show da alzira Espíndola no SESC Campinas. Fui pra ouvir a poesia de Alice Ruiz. Acho que a música Ladainha tem tudo a ver com a sua voz e seu jeito de interpretar. http://www.aliceruiz.mpbnet.com.br/discografia/paralelas/ladainha.htm
Beijão!
Ciça

Bruno Ribeiro disse...

Tatiana é Tatiana. Sei lá, dizem que não existe nada puro. Nem a conheço para saber. Baixei as músicas que a guria canta, tô ouvindo. Ela me lembra Diana Pequeno, Minas Gerais, Milton Nascimento... sei lá... parece.
Ouvi Alquimia com a janela aberta, num puta e baita pôr-do-sol invandindo minhas pupilas. Um copinho de cachaça. Entrou nas veias. Sou um Guimarães Rosa da Vida.

Geraldo Magela