terça-feira, 25 de outubro de 2005


Eu sempre quis ser bailarina, de roupinha cheia de fru fru, sapatilha de ponta, leve e saltitante. Elas sempre me pareceram diáfanas, quase fadas, lindas e estranhas.
Comecei a fazer balé aos 6 anos. Tem as fotos. Uma menininha, uma menininha, uma menininha, uma meninona, uma menininha. A meninona era eu. Um palmo acima das cabeças de todas as outras.
Eu não me lembro direito, mas eu devia ser tão suave quanto um crocodilo!!
Percebi que este caminho seria difícil para mim quando, em todos os festivais de fim de ano, me colocavam um bigode, um cavanhaque e eu ficava levantando aquelas bailarinas minúsculas e magricelas.
Abandonei a carreira antes que me causasse uma confusão de gênero.
Aí eu fui ser atleta. Fiz handbol, volei, karatê. Minha força agora era útil, meu tamanho também. Fui três vezes seleção baiana de volei,treinava seis vezes por semana, musculação cinco vezes, corrida na areia fofa, agachamentos e saltos...até que meu joelho apodreceu de vez, meus meniscos se desintegraram e minha carreira de atleta acabou abruptamente.
Ainda choro vendo a Morte do Cisne ( que eu ouvia meu irmão dizer que se fosse eu dançando seria a Morte da Ema!), Quebra Nozes. Me emociono vendo meu filho mais velho se interessar pelo volei, batendo bola juntos, rindo e brincando da mesma forma de quando eu era uma mocinha cheia de energia.
O tempo passou correndo por mim mas deixou uma lembrança forte em meu corpo. O corpo tem memória por isso ainda arrisco alguns saltos e saques, mas por pouco tempo, porque o corpo tem memória, mas o pulmão é esclerosado mesmo!

2 comentários:

Dani disse...

Oi... Ainda não tive tempo de escutar as músicas, mas assim que der ouço e prometo um feedback. Quanto à comunidade, pode deixar que eu entro. Adorei o convite. Abraço.

Renata disse...

ahhhh.. cadê o meu comentário que tava aqui? o gato comeu... :(