segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Taradão da marmita

Já que agora sou uma "camponesa", e o campo é longe pra dedéu, acabo dormindo na casa de amigos.
Na quarta, na hora do almoço, fico no apartamento de uma amiga, bem pertinho da minha ex-ex casa. Para não ter que fazer comida na cozinha dos outros, nem gastar muito em restaurante, resolvi pedir uma marmita de um restaurante bem na frente do prédio da minha amiga. Avisei que era só tocar o interfone que eu iria lá embaixo.
Levei um susto quaundo a campainha do apartamento toca. A porteira deixou ele subir. O que eu vejo? Um rapaz um pouco mais baixo do que eu, no máximo uns vinte anos que me entrega a marmita e fica na porta, dando aquela impressão que vai entrar.
Eu, uma mulher grande, finco o pé no chão e peito o moço. Mas isso tudo com a maior cara de tudo normal, nem fiquei nervosa.
Na outra semana, lá vem ele todo feliz me fazer a entrega, sorrindo como se eu fosse namorada dele. Mais uma vez paro na porta e já começo a achar que o cara é meio doido. Confesso aqui que cheguei até a pensar que fosse do signo de câncer, tamanha a sua entrega, nos dois sentidos. Depois fiquei pensando que ele deve ter lá suas fantasias. Uma desconhecida pede uma marmita e resolve dar , incansavelmente, na pia da cozinha para o entregador de marmita com a maior cara de entregador de marmita. Ou, quem sabe, uma trepada nervosa por sobre a farofa e o feijão, uma coisa mais gastronômica, cheia de pimenta e ajinomoto.
Decidi que o tal é uma mistura de maluco com tarado, o que me colocou em uma posição de defesa. Não iria deixar mais ele subir, eu é que desço e pego pelas grades do portão. Ou mudo de restairante. Ou pior ainda, vou lá e abro o jogo pra dona do estabelecimento comercial dizendo que eu to querendo uma marmita e não uma trepada, mesmo levando em consideração que seis conto é um valor até que bem razoável para foda vespertina.
Aí hoje eu e minha amiga resolvemos pedir uma marmita. Avisei a ela que o cara era meio esquisitão e pedi que atendesse a porta, em vez de ser eu.
Abriu a porta, eu sentada no sofá atrás dela de forma que o taradão da marmita não podia me ver. Ficou desolado, tentou ver, fez aquele mesmo movimento de entrar sala a dentro. Minha amiga, braba, brecou o cara, e ele pergunta pela outra mulher que pedia marmita também. Aí minha amiga sai da frente e ele me olha. Sorriu como se visse a Virgem Maria de cintaliga e eu, serérrima, senhora de comportamento absolutamente impecável que não dá mole pra entregador de marmita.
Quando ele foi embora minha amiga cai na risada dizendo que o garoto se apaixonou. Eu já digo que o moço é meio lelé da cuca, porque não é possível que tenha mulher que saia por aí dando trela pra entregador de marmita. Só se o tal entregador tivesse a cara do Tiago Lacerda. E mesmo assim, tem que ter alguma conversa, alguma coisa além de um pratinho de alumínio.
Fiquei encanada com esse cara. Minha intuição diz que é melhor eu parar de pedir marmita.
Vou cozinhar em casa que é mais seguro. Aliás, comida fora de casa é sempre meio complicado.

7 comentários:

Anônimo disse...

Difícil ter que se alojar em casa de amigos, não é? Bom mesmo é a casa da gente de local a pintura passando pela alma dela que é a cozinha, claro! O fogo fica aceso o tempo todo agregando e juntando pessoas e isto é ótimo. Os meus amam e nossos amigos também.
Coitado do moço, quem sabe ele não vê a figura da mãe ehhehe pode ser.... não pré-julgue. Na sua cabeça uma sentença na dele, outra(que pode ser a mesma, rs...), ao menos a comida é boa?
Abraços
India

Menininha bossa-nova disse...

Loiro?
Hahahahahahahahahaha...

Alan Pascal disse...

Cara, essas suas histórias são ótimas.

Morena disse...

Hum ... esse cara não bate bem. Ou melhor, deve andar batendo ( se é que me entendem). Hum! Eu vi ...Menino novinho, com cor de formiga, cheio de imaginação , simpatia , meio invasor ... hum!
Melhor mudar de restaurante! hahahahahahahahah!

Georgiana disse...

Caraca! Cada coisa que acontece com você!!!! =D Mas dão um ar de absoluta normalidade à minha vida! Hoje, peguei o ônibus para voltar para casa e lá estava um alegre grupo de rapazes de norte sul leste e oeste do Brasil. Vim conversando animadamente com eles e só quando descei é que me dei conta de que, talvez, e apenas talvez, nem todo mundo estivesse interessado no que conversávamos...

figbatera disse...

Tatiana e seus "causos"; muito interessante este! rs

Dani disse...

Gargalhando aqui...
Mas lelé ou não-lelé... faz um bem danado pro ego, não faz?
Adoro suas histórias.