quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Ontem teve ensaio

Não é fácil ajeitar as agendas de todos os músicos. Meu inferno pessoal. Ligo pra um, religo pra outro, mando email, falo duro, falo doce. Tudo pra ver se acerto tudo e o ensaio rola. A data da primeira gravina já está marcada - dia 21 de setembro - e temos que deixar as canções perfeitas.
No primeiro ensaio, o Felipe do baixo não pode vir. No segundo, foi o Bruno da percussão que não pode.
Tudo bem, a gente filma e grava tudo e vai passando via email e assim mantem tudo mais ou menos às claras até o dia do próximo ensaio.
Raul ( batera) e Cris ( percussa) vieram aqui na segunda pra dar uma limpada no som, ouvir e ir tirando coisas, acertando detalhes e definindo frases ritmicas. É muito engraçado ver dois ritmistas conversando. " Não, é assim, ó..pracatá, praca, tá tá tá... Tchum, tchum, tchum, chá com pão, pão pão". Eu ali vendo aquele diálogo percussivo achando tudo muito doido. Agora escreve pra não esquecer porque amanhã tem ensaio com a banda.
As dez da manhã, Negão Fidelis me liga dizendo que já está livre da gravação que estava fazendo e pode vir para casa. Pego Negão, passo no mercado, chego em casa e vou direto pro fogão fazer comida enquanto Cris me ajuda a picar temperos e Felipe se inteira do que a gente está fazendo. O fogão dividido em dois. Enquanto eu faço o frango e o milho refogado, Cris assume o tempero do feijão e dá uma olhada no arroz.
Adoro essas farras de cozinha. Adoro essa comilança comunitária, a mesa farta, gente boa rindo e conversando.
Daqui a pouco chega Raul e logo depois Samuel, vindo de Piracicaba.
Podemos começar.
Nossas limpadas deram certo. A música nova que entrou no disco, o maracatu, está bem bonitinha.
Vamos pegar a Caatingueira, o coco. Nessa hora os meninos tinham que acertar algumas convenções e era um, tal "pratimbum, bum, bum, bum...catáprum, prum, prum, tá á tá" Aquela forma de conversar ritmicamente. Eu estava sobrando ali. Fui lavar a louça. Alguns momentos me chamavam pra cantar alguma parte e lá ia eu, de avental, secando a mão no pano de prato.
No primeiro intervalo, uma duas horas depois do almoço, Felipe já sinaliza que está com fome. Tem que dar de comer ao Felipe, o negão é grande. Então Felipe quer comer, Samuel quer café, Cris coca-cola e Raul diz que se contenta com leitinho puro. Abro a geladeira e vou tirando tudo que é de comer. Comam, crianças.
Voltam a ensaiar. A louça toda lavada e me deu vontade de fazer um bolinho de aipim. Fiz. O bolo perfumando a cozinha. Cris e Raul se atrapalhando em uma parte da música. Felipe e Samuel já tinham pego a tal viradinha. Por causa disso, só eles recebem bolinho quentinho, saído do forno. Enquanto não acertarem a merda da convenção, Raul e Cris não comem bolo.
Funcionou. Rapidinho pegaram o que tinha que pegar e a comilança voltou.
No fim do ensaio, todo mundo satisfeito.
E eu aqui pensando que lidar com músico é uma arte. Eu descobri que dar comida ajuda muito no entusiasmo para ensaiar. No nosso próximo encontro vou fazer alguma coisa muito boa. Talvez um bobó de camarão...ou talvez meu pavê de sonho de valsa...ou, quem sabe, depende do horário, meu cozido baiano.
Definitivamente, músico se pega pelo estômago.


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Um comentário:

claudia lyra disse...

Menina... se eu continuar acompanhando os relatos de ensaio, vou engordar por sugestão!!!