quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A maturidade e o afeto

Sempre digo que meus quarenta anos foi uma libertação. Aos quarenta, eu já sabia o que eu era, o que eu não era e não estava mais preocupada em ouvir dos outros o que eles achavam que eu era. Eu era e ponto.
Já tinha casado mais vezes que uma pessoa normal, tava sossegada em matéria de casamento. Tinha meus filhos, tinha meus projetos, meus cd's, minha carreira. Eu estava bem.
A maturidade não me trouxe calma, muito pelo contrário. Fiquei mais sacudida do que nunca. Uma ânsia de viver que me acompanha desde sempre. Uma energia imensa. Um tesão novo.
Talvez a única coisa mansa que a maturidade me trouxe foi a ternura. Depois de um tempo nem todo mundo é para mastigar e engolir. Algumas pessoas são para ser degustadas de forma lenta e delicada. Algumas pessoas são temperadas na ternura e no doce afeto. Outras continuam sendo apreciadas por seus temperos fortes, suas pimentas, engole tudo de uma vez e depois sofre na hora de botar pra fora. Faz parte da vida.
Eu nunca fui dada a muita pegação, alisamento, beijinhos e carinhos públicos. Acho que foi essa minha vida na noite, desde tão novinha. Precisava botar um certo limite nas pessoas e mantive uma prática de manter uma distância segura. Meu afeto transbordava somente entre meus filhos e meus amores eróticos. Ali eu despejava meus carinhos, meus denguinhos, nas internas, no recolhimento, na maior privacidade. Tenho Vênus na casa 12, gosto de ser discreta nessas aspectos. Preciso ser discreta!
Hoje estou diferente. Mudei . Hoje sou capaz de abraçar sem me preocupar se a coisa vai ser interpretada de forma errada. Beijo por afeto e não necessariamente por tesão. Meu carinho sempre foi muito, mas recolhido. Agora é muito e despejado sem dó. "Tó meu carinho pra você". " Vem cá que eu vou te dar um abraço". " Um beijo na bochecha pra você". Tô toda dadivosa mesmo.
Uma das coisas que me ajudou nisso foi a presença de alguns homens que conheci. Homens que eu abomino publicamente. Homens sensíveis, homens que choram mais que eu, homens que sofrem por coisas que eu não acredito que seja possível sofrer, homens mais doces que eu. Homens de cancêr, por exemplo, ou com muitos aspectos nesse signo. Acho eles um saco, confesso. Mas também tenho que dar créditos a eles. Me ensinaram a ser mais delicada, mais amorosa, menos dura. Muitas vezes aprendi isso quando eu ficava com o papel da carrasca e eles no da vítima. Eu era a ruim. Recuso o papel do carrasco, como recuso o da vítima também. Continuo achando esse tipo de homem um tipo difícil de me relacionar porque eu sou seu oposto e sempre que encontro um moço desse aviso logo que eu não tenho muito saco com as suas sensibilidades. Eles choram e eu me irrito. Eles sofrem e eu tenho vontade de dar na cara deles. Mas entendo o porque de tanto homem sensível aparecer na minha vida.
Eles vieram pra me ensinar a ter ternura, pra me ensinar a respeitar a dor que não conheço. Isso aqui é mais difícil pra mim, mas estou me esforçando.
A maturidade me deu liberdade de expressar meu afeto de forma espontânea e assexuada. Quer dizer, nem tão assexuada assim porque não morri e continuo dizendo que se não sabe exorcizar, não atice o demônio e uma mulher da minha idade, com o demônio no corpo, não é coisa pra qualquer um não. Isso elimina um monte de homem sensível que tem medo de mim, que acha que eu sou a personificação do mito da Vagina Dentada, a Lilith Encarnada, que eu poderia matar um. Coisa que realmente eu não duvido, dependendo do dia, da combinação energética e do resultado obtido. Tenho também minha Lilith do mapa natal em Áries, na casa dez, o que passa essa idéia meio...como dizer...meio agressiva em matéria de mulher selvagem. Para mim, "não se engrace se acha que não vai dar conta", é uma excelente frase.
Mas agora eu estou mais calma. Sei que posso, mas não faço porque sei que não vale à pena, que tem um preço alto ou porque o moço sensível não vai dar conta de tanta objetividade. Hoje eu "reconheço" algumas coisas porque eu já vi antes.
Continuo com a mesma natureza de antes, só que agora percebo que algumas coisas não são da carne, são só da alma e isso é uma outra libertação. Saber distinguir uma coisa da outra. Saber apreciar coisas mais sutis. Poxa, para uma taurina isso é um grande apredizado. Sutileza. Eu, aprendendo a ser sutil, aprendendo a ser mais delicada, aprendendo a ser água em vez de fogo.
A maturidade está me trazendo isso e é bom pra cacete!
Recomendo.

5 comentários:

Patricia(Gô) disse...

gostei , gostei..um dia tbm chego lá!
bjs mil

Carô disse...

Morro de orgulho, minha amiga :-)!!!

Marina F. disse...

Caraca, homens de câncer! Como cansaaaaam.
bjs.

Georgiana disse...

Preciso de homens sensíveis. Eu sou sensível. Dessas que choram e desabam no ringue. Já tive homem duro... não curti. Você é uma delícia! Não interprete mal, apenas que você é um barato.

Lígia Moreli disse...

Belo texto!!! Espero um dia ter alguma maturidade...rs. Beijos, saudades!