segunda-feira, 11 de maio de 2009

Intuição é uma coisa doída

Eu bem que senti. Estava ali, dentro de mim, aquela sensação que alguma coisa aconteceria.
Aconteceu.
Eu lido muito mal com a morte. Não com a morte em si, mas com o que sobra dela. O corpo. Não consigo, eu tentei , juro, mas eu não consigo pegar em morto. Me dá uma gastura, um incômodo, me arrepio toda. Travo.
Travei desta vez também. Ainda bem que meu filho estava lá. Filho, definitivamente, meu herói, meu ponto de equilíbrio, meu parceiro e meu cúmplice.
Saí do veterinário chorando, entrei no carro chorando, acomodei meu gato morto no chao do carro chorando e recebi o abraço de meu filho chorando. Fiquei ali, enganchada nele, agradecendo a Deus por ter aquele ombro pra me apoiar.
Engraçado isso, né? Quando a gente tem filho, logo no começo da jornada, somos nós que damos o apoio, que fazemos a parte de fortaleza e coragem. Temos que ser fortes porque um pequenino precisa de nós. Mas quando os filhos crescem a coisa fica mais equilibrada e eu acho isso muito lindo e justo.
Não queria ficar dando uma de durona. Estava doendo mesmo. Eu estava triste e muito, muito brava. Chorava por isso tudo. Raiva e dor.
E meu filho, aquela calma que eu conheço e que sempre me impressiona. Estava simplesmente ali, do meu lado, pensando lucidamente e retrucando as minhas idéias loucas de vingança. " Vou jogar o corpo do gato dentro da casa do vizinho". " Vou metralhar a casa toda". "Vou deixar um despacho no portão deles". " Vou espalhar gasolina e tascar fogo".
Me olhava como quem entende e sabe que eu não faria nada disso. Não naquela hora porque naquela hora eu poderia, realmente, matar um. "Jogar o corpo dentro da casa pode ser bem dramático, metralhar a casa eu não aconselho, a macumbona também causaria um efeito bem bom e colocar fogo pode ser perigoso já que é as casas são coladas."
Eu não conseguia dormir. Entrei em todos os sites que orientam o que afzer em caso de envenenamento de animais. Boletim de ocorrencia, fotos, tinha que ser feito. Quem tirou as fotos não fui eu, foi meu filho.
Eu não sabia o que fazer com o corpo. Deixei no carro. depois pedi que Lucas tirasse do carro. Depois pedi que cobrisse o corpinho com um pano. Depois fiquei incomodada com o fato do gato está no chão e eu vi que Mancha , meu cachorro gagá estava deitado do lado do gato, como que se dividissem o paninho. Não dava pra dormir desse jeito! Resolvo colocar o gato dentro de um saco plástico. Vou na área, pego a pá, um sacão de lixo, vou à varanda, olho o gato e quem disse que eu consegui pegar nele. Não deu. Entro em casa, tento acordar o filho que grogue de sono não entendia nada. " Filho, me ajude aqui. Eu brungfruf não trvisbrow porque o gato destraberum e o Mancha cafandramdrum e eu buaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaá!"
Estava foda.
O coitado sai debaixo das cobertas, vai cambaleando pelo corredor ( eu ainda choramingando no quarto), resolve o problema, me olha com um misto de piedade e sono e volta a dormir.
Eu fico no quarto por mais de trinta e seis minutos. Trinta e seis vezes fazendo a mesma coisa. Trinta e seis vezes repetindo a mesma coisa. Trinta e seis emoções diferentes. Trinta e seis pedidos. Trinta e seis...
Acordo sem graça em pleno dia das mães. Meu presente melhor estava ali, no quarto ao lado. Meu filho resolveu todas as questões funerárias. Eu nem vi mais o gato. Não peguei, não segurei, não fiz nada. Ainda bem que meu filho estava comigo.
Foi aí que eu me dei conta que a gente tem os filhos, eles crescem e a gente começa a passar as responsabilidades pra eles ou eles simplesmente as tomam pra si.
Meu filhou virou homem e isso é um grande presente para mim.



"Uma tigresa de unhas negras e iris cor de mel..."




" Gosto muito de te ver leãozinho..."


NOSSA ALMA FELINA FAZ GROWWWWW PARA O VIZINHO...

Ps: No domingo não resisti e me dei de dia das mães essa pantufinha fofa de tigre. A pantufa de leão é a mais perfeita representação de alguns tipos de leões, os primos distantes dos ursinhos carinhosos: Os Leões Fofos...

Agora todo mundo junto:
GROWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWW

3 comentários:

Gui Dante Benevides disse...

Olha aí! Olha aí! Olha aí... Ah! O meu guri! Olha aí! Olha aí! É o meu guri! E ele chega... pra fazer tudo o que você não tem mais coragem, pra fazer coisas que você aprendeu a ficar com medo, pra dar um abraço! beija a buchecha dele Tati! Ele mereceu! Tem que ser uma gente assim maravilhosa como você pra ter retribuições e reciprocidades assim!

Beijos minha linda!

Georgiana disse...

Tomara que a calopsita caia dura no chão da casa deste povo sem alma e sem coração. Meus gatos não saem, mas, a minha rua acolhe os gatos. Tem uma gata com 3 filhotes. Lindinhos demais!!! Bom, quanto ao seu filho, vi o meu refletido no seu... ai, meu coração. Lá vem ele.bjos

Anônimo disse...

Ai Tati, chorei com seu texto, pelo gato morto, pelas emoções, pq sei bem o que é isso, pelo fato do seu filho estar ao seu lado. Concordo em genero, numero e grau...e ri com as pantufas tenho uma de pata de leão, GIGANTESCAAA....AHAHAHAHA e como uma boa leonina que Sou....GROOOOOOWWWWWWRRRRRR, MORTE AOS ENVENENADORES DE GATOS...@#$%&*&%$###@!


Beijoks

Gika