sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

o pão nosso de cada dia

Acho que hoje quero fazer pão, pensei eu, ainda de manhã. Passei na padaria e comprei exatos 50 gramas de fermento biológico e voltei pra casa toda feliz com a decisão de espalhar farinha de trigo pela mesa de mármora, salpicar o chão da cozinha, melecar a mão, cansar os braços com aquele estica-puxa-soca. Ahhh, a preciosa arte de fazer pão!
Parecendo coisa do destino, uma amiga me liga perguntadno o que estou fazendo. Conto minha intensão e ela me oferece sua maravilhosa máquina de pão.
- Virge, já tem máquina de fazer pão?
-Ô, nem suja nada. Soca tudo lá dentro e máquina faz tudo.
-Oba! Vamos fazer!

E lá fomos nós, mas o diabo que mora nos detalhes estava a fim de sacanear meu pão nosso de cada dia. O livro de receitas que vinha com a máquina havia se perdido. Procuramos receitas na internet. Encontramos. Eu tinha um monte de aipim e resolvi utilizar, adaptando a receita. Neste momento eu deveria ter percebido que aquela merda não ia dar certo mas não dei ouvidos à minha intuição de padeira.
A minha cozinha já estava uma festa. Em pleno dia de semana um bando de mulher de várias idades cocorejando, tomando uma cervejinha (até carteado rolava !), cada uma falando de alguma coisa, os assuntos mudavam enquanto eu e uma amiga íamos colocando os ingredientes, pesando com cuidado tudo.
Mas eu me distraí e não vi que o catupiry que serviria para rechear meu pão de aipim foi jogado na máquina junto com todo o resto.
Olhávamos para aquela massa que parecia um pudim estragado, a massa não crescia de jeito nenhum. Fui acusada de abrir a máquina e prejudicar a fermentação. Magoei. As crianças corriam pela casa esperando o momento de colocar a manteiga que derreteria no pãozinho quente, recém feito.
Quando abrimos a máquina, uma massa que parecia o cérebro podre de um crocodilo saiu de lá. A cara de profunda decepção era unânime. Nem cheiroso estava. Uma meleca gigante tinha nascido.
A decepção foi tanta que a farra acabou e eu fiquei com a maior cara de cu e com meu orgulho feridíssimo.
Mas eu não sou de me deixar abater assim. O pão é o símbolo, minha gente.
Peguei mais umas receita na internet e meti a mão na massa, literamente. Soquei tanto, puxei tanto, toda minha frustação ali, toda a minha vontade de comer pão ali, toda a minha teimosia taurina ali. Até parece que eu ia desistir por causa de um detalhe desse. Eu queria comer pão caseiro e ia comer pão caseiro!
Lá pelas nove da noite saiu do forno o mais lindo pão do mundo. O mais saboroso, o mais perfumado, o mais atraente pão já feito em toda a eternidade. Infelizmente eu já tinha comido demais e bebido litros e litros de sucos variados de minha centrífuga e não consegui nem provar.
Mas eu tinha vencido! Fiz o pão e na manhã seguinte me fartaria com minha iguaria.
Acordo no outro dia babando de vontade e corro pra cozinha pra ver meu amado pão no chão, todo roído por um bando de gatos sem educação. A manteiga também tinha sido lambida e tinha farelo de pão pela cozinha toda e marquinhas de pata de gato pela casa toda.
Pensei em fazer vários tamborins, de couros variados. Pensei em afogar todos no tanque. Pensei em chorar, mas não fiz nada disso. Peguei um pacote aberto de bolacha água e sal e comi pura com café preto.

Moral da história:
Se não tem pão, que se coma brioches!

9 comentários:

Ju Hilal disse...

Não acredito que eles comeram o pão!
Eita.
rs
Beijão

Georgiana disse...

Gatos são criaturas... abusadas, digamos assim. Eu ia fazer os tamborins.
bjos

Leandro Souza disse...

ganhei um maquina de pao dessas. Quando consegui encontrar uma receita que ficava razoavel, a panela da maquina quebrou.

Moral da historia, maquina pode servir pra lavar, secar, esquentar, MAS NUNCA COZINHAR!

Arnaldo disse...

Essas máquinas só funcionam naqueles programas de TV que servem para vender esas máquinas.

Lá, tudo funciona. E a gente ainda tem que ficar aturando aqueles caras chatos falando sem parar a respeito da maravilhosa máquina.

Georgiana disse...

Pô, a da minha sogra funciona... ela faz cada pão gostoso!!!

Tatiana disse...

Ju
Nã sei e cmeram ou fizeram joguinho do " saacode-corre-joga".
Nã achei o pão. Só os farelos.

Tatiana disse...

Georgiana
Duvideodó!
Sãtã charmosamente sedutores. Eles ronronam pramim! Eles deitam comigo. Eles me amam.
E a meu pão também.

Tatiana disse...

Leandro
Não desisti do pão.
Achoq ue faço outro hoje.

Tatiana disse...

Arnaldo
Eu precioso tirar a prova dos nove.
Serápossível??
Minha amiga, a dona da m´~aquina, diz que é uma beleza.