segunda-feira, 5 de maio de 2008

as grossuras que os homem falam

Imagine um café fino, ou metido a fino, e um dono que não é fino nem quer se passar por tal.
Esse é o cenário. Um café cheio de músicos intercalando canjas, um frio gostoso do lado de fora.
Eu dou minha canja relâmpago e passo a vez para uma outra cantora que é uma mulher bonita, na casa do trinta anos, uma linda cabeleira loura e uma bela voz. Ou seja, não é uma criatura que passe despercebida.
Assim que ela acaba de dar sua canjinha, vem sentar comigo e com o Ugo lá no fundão do bar. Nem deu tempo de respirar direito e lá veio o dono do bar, seríssimo, falar com ela.
Quando tem músico junto batendo papo e o dono do bar aparece a gente sempre se cala e presta atenção nele, mesmo que seja uma besta completa.
Seguiu-se umas das cenas mais loucas que eu já vi em minha vida de cantora.

" Deixa eu te falar uma coisa pra você, minha querida. Eu tinha uma secretária que um dia vestiu uma roupa e eu tive que dizer a ela que estava ficando fofa. Sabe fofa? Aquelas coisas meio que caindo para fora. Pois é, meu bem, eu gosto muito de você mas não dá pra deixar de perceber que você também está ficando fofa."

Nessa hora eu estava com o queixo meio que caído, a bocona aberta, ouvindo essa conversa com aquela cara abestalhada de quem não estava esperando um negócio desse.

Ela, elegantérrima, sorriu e respondeu que estava mais fofinha mesmo, mas que ainda se sentia bem.
Ele, não satisfeito, continuou.

" Mas a questão é que a roupa que você escolheu não está te favorecendo. Quando você está de pé até que ainda dá uma disfarçada, espalha as coisas, né? Mas quando você senta...ah, minha filha, quando você senta fica parecendo uma matrona de ópera.

Nesta hora quem estava com a boca aberta, mas muito impressionado, dois olhões esbugalhados, era o Ugo. Que diabo ele está fazendo, Tatiana? O que tá dando nele? Apertava a minha coxa, olhava pra mim como quem pede ajuda. Eu respondi que não sabia mas estava me parecendo um daqueles ataques masculinos, igual ao menininho da escola que faz maldades exatamente na menina que ele gosta. Cada puxão de cabelo é uma declaração de amor. Torta, é verdade, mas ainda amor.
Meu Deus do céu, cadê o botão que manda esse senhor pelos ares e faz ele calar a boca agora??
A cantora, finérrima, ouvia aquelas barbaridades e mantinha a classe.
Eu vendo aquilo.
Aí o dono do bar resolveu se explicar dizendo que só fazia isso com quem ele gostava. Eu tive que me meter!
Não senhor, o senhor só faz isso com quem tem condições de pagar terapia porque depois de ouvir isso, só com muita terapia! Pelamordedeus.
Nem se incomodou comigo, nem olhou pra minha cara. Continuou. Depois dele repetir muitas vezes a história da fofa, de esculhambar com as suas roupas, quase querer procurar cabelo branco na cabeleira divina da cantora, ele partiu, satisfeito.

Agora me diga uma coisa? Isso não é caso de pena de morte? Um homem desse pode viver em sociedade? Nunca, jamais.
Ele é tão letal, mas tão letal que quando oferecemos um pãozinho de queijo, super inofensivo pra ver se alegrava a coitadinha - ela ficou chateada mesmo - ela não só negou como disse, as mãos segurando o rosto, debruçada sobre a mesa:
-NUNCA MAIS VOU COMER!!!

Se amanhã sair nos jornais JOVEM CANTORA SALTA DO 13° ANDAR DE PRÉDIO vão dizer que foi TPM! Que faltava pinto pra essa moça! Mas isso não é verdade. Nada disso, minha gente. A compreensão de uma alma de mulher tem que ir muito além de um pedaço de carne mutante ou de uns pinguinhos de hormônio. Qualquer um tem vontade de morrer depois de ouvir um coisa dessas! Ou de morrer ou de matar!
É que foi com ela que não era um tipo bélico, uma mulher calma e centrada. Um tipo desse só pensa em morrer mesmo. Se fosse comigo eu matava! Morra, diabo! Morra, demônio!
Mas é muito mais provável que ela amanhã resolva fechar a boca de tal forma que nunca mais coma nada, desenvolva uma anorexia nervosa aguda e súbita! Se essa mulher definhar como uma rosa murcha no sol, já sabemos de quem é a culpa.
Dele, o destruidor de auto estima.
Um tipinho desse merecia as piores atrocidades. Merecia ficar nu, no frio, com umas quinze mulheres meio bêbadas - e com TPM, para dar uma apimentada maior- rindo da cara dele e dizendo que aquele pintinho não tinha nada de fofo. Que aquela mixuruqueza era uma grande de uma bosta. Que ele todo é um boa de uma bosta. Que é velho, caquético, grosso como poucos. Que ele sim, nem fofo nem desfofado, nunca, em tempo algum, ele teria um décimo da beleza daquela mulher ali, aquela que morreu acabada por uma frase tosca que saiu dessa boca porca e desastrada. Que nunca haverá perdão para um comentário nefasto desse. E que ele queimará no fogo dos Infernos com uma mulher bem magrelinha enfiando um tridente no teu cu, seu filho da puta!!!

Então se uma mulher, conhecida ou não, muito mais importante se for a tua mulher que te perguntar se você acha que ela está gorda, a resposta certa sempre será:
- Não, meu bem.
Se ela te perguntar se a roupa deixa ela gorda, você tem que responder:
-Não, meu bem.
Se ela te perguntar se você acha que ela engordou alguns quilinhos você manda o " não meu bem" de praxe mas é permitido uma pequena variação desse clássico. Pode ser também o famoso " não percebi, querida". Ou ainda esse " se engordou, foram gramas, pouquíssimo mesmo, uma nada". Ou o mais bagaceira de todos e que às vezes funciona, não posso garantir neste caso, mas eu acho que existe uma boa possibilidade de dar certo. Se guentar o tranco lance o " tá é mais gostosa. odeio mulher magricela. vem cá, minha nega e deixa eu pegar nas suas carnes!"
Fui clara? Tá entendido? Não é difícil de comprreender, não é verdade? Qualquer idiota sabe disso!
Vamos recapitular pra fixar bem na memória:
Se tua filha de três anos perguntar se você acha que ela engordou a resposta ainda é " não meu bem". Sua mãe, sua tia, a recepcionista da academia, até a porra da tua sogra te perguntar, a resposta certa sempre será, para o bem da humanidade e para você não ficar nos Quintos dos Infernos junto com aquele homem hediondo, o famoso "NÃO, MEU BEM!".

Um pequeno adendo:
Só quem pode chamar uma mulher de gorda é outra mulher. Ainda mais se a outra mulher for alguém que não se vai muito com os cornos e ela causar uma vontade incontrolável da gente dar na cara dela. Bem, nestes casos chamar a outra de gorda é um excelente recurso para desestabilizar as tropas adversárias. Já fiz isso e confesso aqui, de peito aberto e sem vergonha das minhas humanidades, que eu adorei chamar uma vaca de gorda. E quando eu soube que a tal ficou arrasada, chorou horas e fez um regine pra perder uns oito quilos, eu fiquei nas nuvens. Afinal, ajudei uma vaca gorda ficar mais leve, ficar somente...vaca.
No fim, fiz até uma boa ação.
Moral da história:
Eu posso porque eu sou mulher. Algumas coisas são só para mulheres.

7 comentários:

Bruno Ribeiro disse...

Tati, tá na cara que o cara é viado. Belisca o azulejo.

Rodrigo disse...

Tatiana, ia postar o meu comentário, mais o Bruno foi ligeiro. Viado, Bambi e os cacetes.

Tadinha da cantora.

Rodrigo

Morena disse...

Concordo plenamente !!!!! Viadão.
E pior, viado invejoso !!!!!

Danny disse...

Hahahahahahaha! Ia xingar o idiota, mas o Bruno deve ter razão! Olha, eu não tenho NADA contra os gays... Eu mesma sou gayzinha, gayzérrima, uma bichona louca... Mas um homem ofender uma mulher assim do nada... Só pode ser VIADO! Bicha rampeira!

Tatiana disse...

Bicha velha..o pior tipo...

Anônimo disse...

Eu cantaria pra mina: Um cantinho, um balcão.

Mônika Mayer disse...

Filho da puta, corno mal comido, bicha mal resolvida e por aí afora.

Credo, como tem gente mal amada nesse mundo!!! Manda ele roer o cotovelo se tá com inveja, mascar um bombril, puta merda!

Desculpe. Mas os palavrões são mais do que merecidos.

Tô me sentindo mais leve, agora. rsrs