domingo, 25 de novembro de 2007

Não tem jeito.
Já fui contaminada pela música, pela boêmia, pela noite.
Não consigo me imaginar longe disso tudo, não me imagino sentada na cadeira de um teatro. Eu quero mais é tá lá no alto, eu quero mais é cantar e tocar pra que o mundo me veja.
Eu não sou mais normal. Desarnormalizei geral.
Sabadão. Acordei e nem tive vontade de colocar a cara pra fora de casa. Fiz almocinho. Eu arrumando a cozinha e ouvindo um tema novo do parceiro. Nesta tarde nasceram duas letras para os temas dele e ainda mais uma canção nossa. E eu arrumando a cozinha, varrendo a casa. E fazendo música. Nem café teve. Só música. Só criação. E ouve outra vez. Grava. E re-ouve. Ficou bom, né? ...Ficou lindo! ...Nós é foda! ...Ô se é...Puta samba massa!
Só quem compõe tem idéia dessa felicidade de fazer uma canção. Ainda mais quando nasce em parceria. Dá uma coisa aqui na gente, uma satisfação do caramba, uma vontade de sair cantando pra qualquer um que passe na rua. "Ei, vem ouvir isso aqui que acabou de nascer...é...você mesmo..vem cá..."
Feliz...isso é estar feliz...
Hoje dei uma canja. Hoje, caramba, as três da tarde. Domingo não é dia de porra nenhuma, muito menos de canja. Mas o Menezes disse "vem" e eu fui, né? Eu tinha dormido as quatro da matina, se não foi mais tarde ainda, tava dormindo ainda. Mas quando me vi lá em cima, aquela jam simples, aquela situação tão espontânea, eu vendo os casais se levantando pra dançar os sambas antigos que tirei lá do fundo do baú, aquele inferno de choque de harmonia - é sempre muito engraçado quando junta muito instrumento harmônico, dá tudo sempre errado e no final dá tudo sempre certo - quando eu me vi ali eu percebi que eu estava feliz. Simples assim. Eu estava feliz de estar cantando e tocando no meio da tarde, depois de um almocinho, em um clube que eu nunca coloquei os pés, meu filho caçula com a maior cara de cu porque eu gosto dessa vida, mas ele não! Eu me vi feliz, bicho. Não tinha glamour nenhum! Gente simples pra cacete, gente povão, gente gente! E eu feliz de estar ali.
Não tem mais jeito.
Eu sou do mundo. Sou da noite. Sou da música.
Quem me acompanha tem que aguentar isso, tem que gostar disso tanto quando eu porque senão eu vou ficar muito triste de passar minhas noites calmamente sentada na frente da televisão. Mesmo que eu saia, mesmo que eu frequente bar. Não é isso que me faz feliz. Se quem tiver comigo não gostar dessa vida, de duas , uma. Ou fica pra trás e aprende a me esperar ou me esquece porque não vai ter negociação.
O que me faz feliz é cantar, é tocar, é ver a galera mudar de espírito por causa da música.
Foi pra isso que eu vim pra cá.
Tem gente que nasceu platéia.
Eu nasci banda.
E só é assim que vou ser feliz!

3 comentários:

Claudia Lyra disse...

E eu sou platéia!!! E quero te aplaudir bem de perto, moça! Será que não sai essa coisa de tocar aqui perto de mim? Caraca, viu!

Tatiana disse...

E verás, minha querida...

Anna disse...

olha só, deve ter sido muito legal!
to esperando ansiosa pra ouvir as novas músicas de vcs, viu.
grande beijo!
uma linda semana!