domingo, 18 de novembro de 2007

Como foi

Primeiro foi aquele inferno pra sair de Campinas. Parece que sempre que tenho que ir a Sampa tudo acontece por aqui. Fomos como loucos por aquela Bandeirantes e eu pensando que se continuar desse jeito eu vou ter que cantar pra São Pedro. Daniel Chaudon, amigo querido, parceiro musical foi conosco e seu tom esverdeado de medo combinava lindamente com seus doces olhos claros.

Chegamos.
Como Luhli mora no Rio e eu e Ugo aqui em Campinas não houve ensaio " fuça à fuça". Foi tudo plea internete em trocas de mp3. Luhli nervosa chamando o Ugo de " meu músico fantasma" e eu tentando tranquilizar. " Calma, minha ruiva, Ugo é puta velha. Vai dar tudo certo".
Um ensaio relâmpago na hora da passagem do som.
Amigos super queridos ali perto. Daniel vindo do Rio e Claudinha, direto de Macéio.

Eu comecei o show e apresentei duas composições minhas com o Ugo. Foi a primeira vez que tocamos em um show nossas canções e foi a estréia formal dessa dupla. Adorei.
Luhli vem e cantamos juntas. Foi a primeira vez que dividíamos um show nós duas. Ela com aquela força ruiva e eu com minha ventania toda. Cantar com ela é quase como estar ainda na minha cozinha, falando da vida, rindo e tocando sem parar. Uma amizade deste tamanho podendo ser expressa em música e em palco. Luhli é uma grande referência em minha vida profissional. Profissional somente não. É uma bruxa velha que me acompanha a séculos e estar com ela no palco é estar no lugar certo na hora certa.
Foi tão bom que esqueci que tinha que sair para ela fazer os números solos.
Denilson estava estreiando em Sampa. Tava nervoso. Mas entrou lindo, cantando lindo, aquela voz de gola rolê, sabe? Macia! Quando estávamos ensaiando a canção que cantaríamos juntos, só eu e ele, eu ouvia a sua voz e me dava uma vontade incontrolável de piscar os olhinhos. Uma voz de piscar os olhinhos de tão bonita.
Cantamos todos.
Ugo, como eu tinha dito a Luhli, arrasou com ela fazendo uma linda versão de " Cry me river", voz, violão e baixo. Lindo...lindo...
Luhli e Denilson cantando seu chorinho faceiro foi um grande momento.
Toda a platéia cantando o ponto das águas. De arrepiar!!
Nós todos juntos.
Não sei como explicar essa sensação.
Uma trepada?
Uma suruba?
Não...é quase tão bom, mas não é assim.
Parece que o tempo pára e que não existe nada além de música e laços invisíveis. Nessa hora nem me lembro das contas, dos problemas mundanos, da calcinha que fica escorregando pra dentro da bunda, você é capaz de cantar e tocar com o fim do mundo rolando lá fora. Acho que é como parir. Você quer mais é botar pra fora!!!
Não sei se me imagino em outra profissão.
Fiquei tão feliz! Tão feliz com isso tudo.
Minha Ruiva me olhava no olho e dizia..." Valeu!"
Sim...valeu!
Puxa vida, como valeu!


PS: as fotos de minha máquina estão uma merda. Esperarei outras melhores para mostrar.
O Zé Luiz, dono do Villaggio, escreveu isso aqui sobre o show...

Um comentário:

Danny Reis disse...

Só quem já fez um show conhece a sensação. Não: só quem ama música e já fez um show sabe. E eu sei!
Coisa boa, hein! Muito bom saber que deu tudo certo, como tinha que ser!
Um beijão!