segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Tenho um amigo que me conhece há mais de vinte anos, ou quase isso. Nos conhecemos pelos caminhos da Unicamp, eu uma baiana de sotaque carregado, ele com seu sotaque do sul. Eu com meu violão amarrado na garupa da minha moto vermelha, ele um boêmio que andava a pé. Eu aprendiz de bruxa e ele um tipo de bruxo que eu nem fazia idéia que existia.
Nos conhecemos, nos apaixonamos, desapaixonamos, viramos grandes amigos, chegou a morar comigo e com meu filho mais velho quando ele ficou sem casa para morar e eu disse que poderia receber ele em minha casa.
Veio ele e seu gato, o Rum, dividir um apartamento de quarto e sala. Acho que nunca tinha visto meu amigo com ciúme até perceber que seu gato o tinha abandonado, preferindo dormir comigo, lá no quarto, do que com ele, lá na sala.
Esse amigo é uma das pessoas que mais me conhece e quando eu preciso de uma opinião de homem para minhas questões de mulher, é para ele que eu corro e ele vem e me dá uma boa de uma cacetada na cabeça que me faz pensar. Eu acho que toda mulher precisa de um amigo homem para ter umas conversas francas dessas. Bom ouvir o outro lado por um outro prisma.
Acompanhou alguns relacionamentos meus, me viu morta de amor, me viu triste de doer e hoje acompanha as minhas divertidas aventuras românticas, rindo de mim ou me dando conselhos sábios que eu faço questão de não dar ouvidos.
Foi a Belém do Pará, no mercado popular de lá, e me trouxe um monte de presentes maravilhosos. Um sabão para lavar roupa que bem embrulhado em uma folha. Sabonetes de benjoin, açaí e castanha do pará. Colares de sementes. Perfume com o cheirinho do pará. Raiz de priprioca. Raiz de patchuli. Fiquei doida com tanta coisa massa!
Mas me trouxe também um preparado de ervas que tem um perfume vagabundo pra cacete dentro que a mulher que vendeu garante que é tiro e queda. Chama-se " corre atrás" e serve para atrair a atenção do sexo oposto. Toda a vez que eu cheiro aquilo eu acredito que tem esse nome porque o povo sente vontade de correr atrás para lavar, porque aquilo realmente fede a perfume de puta de quinta categoria.
Mas a curiosidade feminina é uma coisa incontrolável e eu resolvi usar o bendito perfume atrai-homem e fui tocar com ele passado de leve no pescoço e soquei um perfume mais legal por cima pra ver se dava certo.
Lá fui eu.
Um dos mocinhos que estava ouvindo ficou meio bêbado e ficou bem felizinho pro meu lado. Pensei, uai, a cachaça ajuda nisso, não posso dizer que é o tal perfume.
O guardador de carro do tal bar me chama de " meu azeitinho de dendê", sempre chamou. Desta vez incluiu " minha farofinha temperada", mas até aí, tudo bem, ele estava mais criativo em matéria de gracejos gastronômicos.
Aí eu volto para casa, no meio da madruga, paro o carro paa abrir o portão e tem um cachorro na rua. Não resisto a um vira lata, quanto mais feio mais eu gosto. " Ô, meu bem, tá sozinho, tá? Tá com frio, tá?" Lá vem o cachorro balançando o rabo lentamente, vou passar a mão na cabeça do bicho, ele fica todo dengoso, quem é o fedido da rua, quem é, o cachorro ficando animado até que da um pulo e se agarra na minha perna e fica daquele jeito, sabe aquele jeito que cachorro fica? Tipo batendo punheta na minha perna?
Que isso cara, sai pra lá! Me solta, porra!
Nheco, nheco, nheco.
Aquela cara de tarado.
Sacudia a perna.
Solta, cacete!
Um rosnadinho me avisava que ele não tava a fim de largar não.
Fui subindo no capô do carro, um cachorro vira-lata pendurada no perna, eu com medo de ser assaltada, meu cachorros dentro de casa fazendo um alvoroço danado e o vira-lata muito do feliz se esfregando em minha perna.
No momento que eu decidi dar um chutão bem no fucinho dele para acabar com aquela sacanagem, ele me larga e eu juro que me olhou com uma cara de quem pede desculpas, como quem diz " perdão, foi incontrolável".
E preciso avisar a meu amigo que se aquela bosta não der certo, ele vai ter que voltar lá em Belém e procurar a mulher que vendeu o tal perfume e exigir seu dinheiro d evolta.
Ou, como é meu amigo de anos, tratar de arranjar um potinho de ração porque eu vou levar meu novo marido, o Totó da rua, que é fedidinho, mas é super amoroso comigo.
Então, meu filho, em nome dessa amizade de anos, escolhe aí o que você acha melhor.
Eu aguardo aqui a sua decisão. Agora eu to olhando o tal perfume " corre atrás" e não sei se ele funciona ou não. Sei que não vou resistir e vou ter usar outra vez para fazer a prova dos nove.
Eu conto aqui se deu certo.
Se der, mando trazer litros lá do Pará e revendo. Ficarei rica!



13 comentários:

Claudia Lyra disse...

Deve dar certo sim, Tatiana. Afinal, o padrão de pensamento dos homens e dos cachorros são praticamente iguais. A diferença é que o cachorro é mais autêntico.

Tatiana disse...

ahahahhahahaha
cláudia!
Você hoje está o " cão"!
jahahaahhahahaha

Emerson disse...

Nem todos......

Ana Paula disse...

o cachorro se arrepende...

Vivien Morgato : disse...

eu até ia encomendar um pra mim....mas quando vi que atraia cachorro....rs
Isso eu já faço sozinha...heheheheh
beijos, querida.

fagner disse...

um homen também chora

Zéfiro, virando latas disse...

A grande diferença entre o homem e o cão é que um contenta com a perna.

Renata disse...

não tenho dúvidas de que o perfume funciona!

e se o único tipo de cachorro que ele atrair for o de quatro patas, é só lucro...

Adriana disse...

Ri pra cachorro! arf arf arf
bjks de Nini

Luciana Farias disse...

HAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!!!!!

EEEEEEEE>>> voltei a conseguir te ler!!!! :-)))))

Anderson-kbça disse...

bom tatiana, com já li aqui, o "corre atrás" funciona, mas deve ser algum folclore lá do Pará. Porque se tá atraindo cachorro, é como disse a Vivien, isso dá pra fazer sozinha, quer dizer, sem o perfume.

abraço.

Tatiana disse...

Ainda tenho esperanças.
Espero não atrair baratas...
tenho um certo nojinho.

Perla, do Pará disse...

Tatiana, se der certo avisa mesmo!rsrs Faremos uma sociedade e vc nem precisará vir aqui buscar o produto, eu envio!rsrs (E aproveito pra comprar um pra mim!rs)