sexta-feira, 6 de julho de 2007

Viadagem de cu é rola?

Refletindo sobre os comentários que surgiram com o texto à baixo, eu percebi que o mundo é careta.
O homem ideal tem que ser de um jeito mais ou menos óbvio, tem que estar mais ou menos ajeitado dentro daquilo que a maioria tá acostumado a ver e que não cause estranheza nem incômodo. A mulher ideal também.

Eu tive um namorado que acabou o nosso namoro dizendo que estávamos ficando próximos demais e que a família dele não aceitaria bem uma mulher que tinha um filho, que cantava na noite e que não se enquadrava nos padrões. Um bocó de quase aos trinta anos ainda precisava da aprovação da família, afinal eu, com meus 25, 26 anos já morava só, sustentava filho e casa, era dona do meu nariz, poderia namorar um camelo se eu quisesse porque não devia explicação para ninguém. Ele não. Ele dependia da grana da família e se a família não me aprovasse, ele perderia essa boquinha de ser sustentado. Eu não era a mulher ideal para ele.

Sempre ouvi de minhas amigas gays que eu era mais sapatão que muitas delas. Sim, eu adoro a Leroy Merlin, adoro uma furadeira, uma serra tico-tico. Carrego bujão de gás nos ombros na boa, tenho cicatrizes no corpo de brigas de rua, minha tatuagem cobriu uma canivetada nas costas, alguns amigos me tratam como se eu fosse um " cara" como eles, não sou delicada, não sou um poço de feminilidade, sou mais forte que a maioria das mulheres, sou maior que a maioria das mulheres, já vivi muita coisa que a maioria das mulheres não viveu, mas, mesmo assim, não sou gay. Mas pareço gay. Eu fujo do padrão. Mas nunca ouvi de homem nenhum que tenha dividido a cama comigo que eu não seja fêmea na hora de se ser fêmea.

Um homem tem que ser macho na hora certa de ser macho. E isso vai além de um crochê, de um gesto feminino ou do seu cu. Porque o CU é o grande tabu no mundo masculino. Como a prova da viadagem dos homens estivessem ali. O buraco negro da sexualidade masculina é o cu. Ah...fulano? Fulano é viado, só que não sabe. É só dar duas cachaças, deixar ele facinho que ele libera o cu.
Quem nunca ouviu uma frase dessas?
Pois eu sei que tem muito viado, viado viado mesmo que não dá o rabo, mas gosta do cheiro e da pele de um homem. Ama homens, sofre por eles, necessita da proximidade de um corpo masculino. Mas o cu dele tá lá, absolutamente impenetrável. Este é menos viado do que o outro? Tem muito viado malhado, fortão, casado, com filho e aliança no dedo. A maioria dos fregueses dos travestis do Largo do Pará, são homens bigodudos, casados que querem mesmo é ter, por trás, uma mulher de pau. Eles não são viados? Não sei. Mas estão lá, pagando pra travesti comer eles.
Sabe porque eu adoro ver as lutas de vale tudo? Porque eu acho erótico aquele monte de homem fortão, semi nu, tudo suado, se agarrando e gemendo. Jiu-jitzu para mim é a personificação da viadagem masculina mais dissimulada, aquela esfregação toda, aquela virilidade toda, aquela pegação toda. Adoro. Acho erótico e gay aquilo. Mas vai falar para um cara daqueles que ele gosta mesmo é de se esfregar em macho? Tu apanha, meu filho. Tu apanha porque viado é quem dá o cu.

Você aí que é casadinha com um cara todo certinho, seguro saúde, aliança no dedo, prestação do apartamento para pagar pode ter seu marido frequentando boate e sauna gay em outra cidade. E teu marido não faz crochê, não sabe o que é fucxia e você não pode chegar perto da bunda dele que ele dá um pulo na cama berrando: na bunda não! na bunda não! Mas lá em Sorocaba, ele mantem uma bichinha de 18 anos que é um arraso.

E você, minha amiga. Lembra daquele moço que te deixou arriadinha? Aquele que era uma beleza na cama? Machérrimo e tudo mais? Não se esqueça que ele adorava quando você metia o dedo na bunda dele e isso bem que deixava doida. Eu nunca achei que ele fosse viado por causa disso. E nem me lembro de você ter duvidado da masculinidade dele por causa disso. Ali, tava tudo massa porque ali, na intimidade do quarto, ninguém poderia dizer para você que estava saindo com um viadão, porque na sociedade, ele fazia a linha barriga, bigode e cerveja. O macho clássico que jamais pegaria em uma agulha de tricô. Mas para muitas pessoas, teu parceiro era viado. Porque, pra maioria das pessoas, homem que gosta de ter algo dentro do rabo, é viado. E como eu definiria você? Uma mulher que gosta de penetrar seu homem? Eu poderia dizer que você tem vontade de ser o macho da relação, ser a lança, a vara, aquilo que penetra e domina. Uma mulher que quer ser o homem, por definição não é assim tão mulher. Logo, eu te chamaria de sapatão, porque aquilo que não é o óbvio e o certo deve ser gay. Mulher gay é lésbica, sapatão, sapa, trator, lambedora de tapete, coladora de velcro, amassadora de bom-bril e enfiadora de dedo nos cus e bocetas alheias. Mas como você come o cu de seu homem, eu diria que você é , então, um sapatão-viado. Uma nova variação identificada nesses tempos contemporâneos. Você que come a bunda de seu homem é um sapatão-viado. Difícil, né?
Madame Satã era um travesti que brigava para caralho. Batia em três, quatro. Macho pra cacete aquele viado.
Lampião costurava todas as suas roupas com esmero.
Maria Bonita era boa de faca e cortou algumas orelhas por aqueles sertões.

Os homens ficam doidos com essa idéia de ver duas mulheres trepando, acham " bonito". Ver dois homens é repugnante, é o que falam. Como a sociedade é machista , inclusive as mulheres, lesbian é chique. Viadagem é escroto, é nojento. Uma moça não é execrada se confessar que já teve uma experiencia gay. Ela é moderna, aberta, vivida. Mas se um homem confessar isso, ele é viado mesmo.
Agora a onda é beijar na boca. Saia em uma balada de moçada por aí. Não to falando de balada gay não. Balada de moçadinha. Você vai encontrar um monte de mocinha nova trocando saliva com a sua amiga. Modernidades, meu bem. A mudança dos paradigmas da sexualidade.
Para alguns, qualquer tipo de homossexualismo é abominável. Impensável. Pau é na xereca, ou nas suas variantes mais comuns. Mas sempre menino com menina.
Mas o mundo está mudando, isso é um fato. Você tem é que saber de você. Do que você aprecia, do que você gosta, do que te faz feliz. Não adianta tentar definir o que o outro é porque as coisas estão se transformando muito mais rápido do que podemos catalogar. Mas se souber de você, já tá muito bom, tá massa! E se você for um ser simples e de fácil definição, melhor para você. Sofre menos. Porque viado é viado, sapa é sapa, cu é cu, boceta é boceta e você sabe aproveitar, dentro das suas possibilidades, o que o mundo te oferece. Uma benção. Aproveite mesmo porque eu realmente acredito que o corpo é o paraíso na terra.
Mas nem tudo é tão simples e com linhas tão bem marcadas assim. Nem todo mundo é assim, tão óbvio.
Então, deixa eu dizer uma coisa aqui.
Gay, para mim, é quem ama eroticamente o mesmo sexo. Ponto.
O resto é firula.
Nos tempos de hoje, eu ouvir que um homem que faz crochê é menos homem do que um que troca pneu é a mesma coisa que eu ouvir que eu sou menos mulher porque troco pneu, furo parede que é uma beleza e, se necessário, entro em uma briga.
E eu bem sei que tipo de mulher eu sou. Eu bem sei onde está alicerçada a minha sexualidade e o que posso fazer com ela.
E o moço do crochê...bem o moço do crochê terá a oportunidade de mostrar do que é capaz. Mas aí vai ser uma coisa entre mim e ele.
Uma coisa eu garanto. Eu pelo menos abro a minha cabeça para viver experiências novas e instigantes e acabo conhecendo gente muito, muito interessante. Não posso reclamar da rotina.
Eu gosto assim! Gosto de homens. Homens bonitos, feios, engraçados, burros, inteligentes, gentis, toscos, diferentes, mauricinho, abestalhado, gordo, magro, de pau grande, de pau pequeno, de pau torto, que bate, que apanha, que ri ou que chora. Existem homens de vários tipos neste mundo. Quem aprecia mesmo, aprende a apreciar as sutilezas e experimentar as variações. Como um gourmet. Adoro um arroz com feijão. Mas gosto também de um prato mais exótico e pouco comum. Eu gosto do inusitado e essa escolha sempre me traz surpresas bastante saborosas.
Cada um é cada um.
E bom apetite.

19 comentários:

Anderson-kbça disse...

legal.

Perdi o debate de ontem, adoro essas coisas... como fui um dos comentaristas, no texto de hoje estou no meio.

Como eu disse, é muita modernidade pra mim, mas nada que me mate.
Afinal ter essas habilidade não significa ser gay, como deixou claro em seu texto, pra quem quis entender...

Apesar dos meus 27 anos tenho esse pensamento primata, não sei porque, não deveria, mas confesso que tenho.

Concordo com os exemplos de gays que citou e são os mais comuns. Não levei pro lado homosexual da coisa, levei pro lado de ser diferente é errado.

Minha esposa é igual a você... furadeiras, pregos, martelos, butijões, enfim, serviço braçal!!

Mas é como disse, ainda existe muito preconceito por ae, não sou precoceituoso, nem posso ser.


abração.

Tatiana disse...

Mas, Anderson, a gente tem preconceito sem perceber. O tempo todo. Daquilo que é diferente. Do preto, do pobre, do rico, do branco, do fresco, do macho. Aquilo que a gente não se reconhece é o perigo.
Preconceito mora nas esquinas da mente e se esgueira nas escuridão.

Marina F. disse...

Querida, concordo com tudo. Até acho que todo mundo é bi, na real. Acho mesmo. Não há nada mais sexy do que um homem bi. Na minha opinião, claro. Adoro. A sociedade tem que evoluir neste sentido, passar mesmo, esquecer estes padrões idiotas. E tenho dito.
beijo.
Má F.

quina vida disse...

pode não ter naa a ver, mas pode ter tudo a ver.

em relação a preconceitos e medos: ontem ,na coluna de Contardo Calligaris, na folha:

Está com medo de tornar-se doméstica ou prostituta? Bata em pobres, índios e putas.

Lord Broken Pottery disse...

Tati,
O assunto é preconceito. Somos criados para tê-los, é difícil lidar com eles. O primeiro movimento, a palavra que escapa, o instinto, é sempre preconceituoso. É necessário, muitas vezes, uma chamada como a que você faz nesse texto, para que possamos analisar friamente e sentir a vergonha professora, a que ensina. Só o tempo é capaz de melhorar os estragos feitos pela nossa educação judaico-cristã. É o que aprendemos na escola, em casa. Particularmente sinto que já fui pior. Consigo hoje, aos cinqüenta e três, aceitar melhor a diversidade, fugindo dos estereótipos que os antigos cristalizaram em nosso sentimento. Até porque, no final, a questão é também de sensibilidade. Nada de pior gosto que a falta de sensibilidade.
Grande beijo

Fernando disse...

O preconceito não está na razão.Ninguém se assume como preconceituoso. Preconceito não é o pai falando para o filho que bicha, negro e sei lá o que é feio, é sujo. Preconceito se mostra sem que se perceba. Uma criança não aprende ouvindo, ela mama o preconceito no peito da mãe e guarda ele muito bem encaixado em algum recôndito da alma. Ele vai aparecer de surpresa, quando menos o dono dele esperar, questionando até quem na verdade é dono de quem.

Morena disse...

Preconceito, ou melhor, Pré-Conceito”, é uma conceito pré-estabelecido na sua mente sobre qualquer coisa. No sentido mais generalizado, o preconceito é colocado como algo que você tem contra outra pessoa… No entanto, não é apenas isso. De fato, nossa mente se constrói através de associações e de informações prontas que recebemos. Todos temos muitos pré-conceitos. É com eles que nos guiamos em nosso dia-a-dia… O ruim é quando a gente passa a não dar chance para que o outro seja diferente ou, que se possa reavaliar uma situação e encará-la diferente. Quando antipatizamos com alguém, por exemplo, e já criamos um preconceito de que aquela pessoa é “má”. Baseados nisso, por vezes não enxergamos a verdade como ela é.
É difícil parar e recomeçar todo dia, todo minuto. Passar a enxergar o mundo sem preconceitos e sem julgamentos… Classifica-se como errado e péssimo o que foge da idéia discutível do normal e não é fácil mudar isso. Por isso acho que você deveria respeitar a liberdade de interpretação pessoal de cada um, já que colocou uma situação particular à público. Falou , tem que aguentar.

Anônimo disse...

Olha eu de novo!
E, novamente, que os tempos sejam ainda mais contemporâneos.
Que o hoje, o ontem e o amanhã se façam com a liberdade de se fazer o que gosta, sem ser fútil ou inútil.
Preconceito: pra quê?
E que nossas mentes cresçam.

Zéfiro Encanado disse...

Misteriosos são os caminhos do tesão!
Concordo plenamente com a definição de homosexualidade da Tati: o lance de sentir erotizado pelo mesmo sexo. Brincar com o terceiro olho é só mais uma safadeza, tomar um dedinho no kundalini pode deixar a rola de um jeito q vc pode usar como a furadeira da Tati.

Zéfiro Zunindo disse...

O preconceito se esconde se traveste, a Tati mais uma vez mostra que não está aqui a passeio e fez um grande post.
Eu q sempre me achei o cara mais sem preconceito percebi q o meu mais gritante era contra...careta!
Tinha preconceito com certinho.
Mas era preconceito e como tal, cega, ofusca a real.
Como dizia o fabuloso Nelson:
-Toda unanimidade é burra!
Todo preconceito também, digo eu.

Jasan Frei Madruga disse...

Quem nunca deu o cú é viado!

Zéfiro, alugando disse...

Lembrei de uma sensacional: Um dia, em um boteco, que é onde os melhores papos rolam, o cú entrou na roda. O papo era o cú, quem já deu quando era moleque, aquelas coisas. Eu descaradamente disse q adoro dar uma bunda para as moças. Fui imediatamente tachado de viado.Caguei montes, mesmo porque é vasta e feliz minha vida na bucetolândia. Daí um amigo saiu com uma maravilhosa: - Claro q é legal brincar com o cú! Eu mesmo já mordi uma teta com o cú!
Há há há! Sensacional!
Sexo também é diversão e palhaçada.
Enfim: Aos maus fodedores até os culhões atrapalham!
Tenho dito.

Luciana Farias disse...

Querida:

Como eu falei outro dia: aqui em casa, quem cozinha é o marido. Eu até faço, se precisar, mas ele cozinha melhor que eu. Sou desastrada, então não pico salada, aliás, ele nem deixa, pra não precisar correr comigo no PS. depois, HAHAHAHA... Maridão também costura melhor que eu, corta as unhas das meninas (agora só da Vanessa). Eu jamais consegui cortar, de medo de arrancar o dedo delas fora. Uma vez estávamos assistindo a chamada do FX, pelo menos na época intitulado como canal de homens e aí ele falou que então deveria ter alguma coisa errada com ele, porque não gostava de nada daquilo que eles anunciavam... Aliás, ele se irrita profundamente com comercial de cerveja e também com um uma vez em que o pessoal fazia o maior auê porque o rapaz ia comprar modess pra namorada/noiva/sei lá. Em geral, quem compra modess aqui em casa é ele. Pra mim e pra Ju. E também já mudou muita fralda, e etc., etc., etc... e tem uma cumplicidade com as nossas filhas que muito pai à antiga não consegue ter.

Portanto, se você me perguntar o que acho do rapaz fazer crochê... eu sou suspeita, né? Marido não faz, mas eu acho que se aprendesse, faria na boa. Melhor que eu, diga-se de passagem.

Eu não sei se agüentaria ficar casada com um homem que passasse o domingo na frente da TV assistindo futebol e aquelas coisinhas básicas.

Sou mais meu maridão, pro que der e vier.

Beijão, querida!!!!

Luciana Farias disse...

Ah, sim, esqueci de comentar: ele sempre repara quando a gente muda alguma coisa no visual e eu em geral só percebo que ele fez a barba uns dois dias depois... uahahaha

beijoooooo

Tatiana disse...

Zéfiro,
Eu adoro seus comentários.

Tatiana disse...

Lu,
Eu sou quase como vc...mas nunca arranjei amrido prendado.

Adriana disse...

Menina, to atrasada no crochê! Esse assunto rendeu, hein?
Não sei, não sei... Essa dificuldade dos machões com seu próprio rabo sempre me soou estranho. O ministro sabiamente já disse: o importante é sentir prazer, não importa por onde!
bjks de Nini

Anônimo disse...

Bom sou lés..mas sou honesta! e calo a boca d muita genti q tem preconceito. Pois nuam jugue ninguem..pq seus filhos podem ser piores. E naum desejo isso a ningugem.., entrar nessa vida para ser julgado pela comunidade é foda..e muito desagradável.Todos mi falam pelas costas a maioria homens..mas na Real todos ME DESEJAM!!!!

Anônimo disse...

EU SOU Gay com muito orgulhoooo..pois ninguem é perfeito..E ninguem sabe q vivo NESSA VIDA SOU UM VERDADEIRO HOMEM NINGUEM SABE E AS MULHERES SÃO LOKAS POR MINHA PESSOAS.