segunda-feira, 23 de abril de 2007

Louco? Eu?

Loucura:
s. f., alienação mental com modificação profunda da personalidade;
estado de louco; ato próprio de louco; temeridade; imprudência; extravagância; doidice; tresvario.

De médico e de louco todo mundo tem um pouco, isso é um fato.
Mas eu fiquei aqui pensando onde é esse limite entre loucura e sanidade. Quem é que diz, que decide quem é maluco ou quem não é?
Eu sempre sou chamada de maluca, mas entendo que eu me enquadro naquela palavrinha lá em cima " extravagância" (qualidade daquele ou daquilo que é extravagante; excentricidade; esquisitice; capricho; singularidade). Sim, aí eu até entendo. E, às vezes, esse meu jeito pouco ortodoxo, causa um certo estranhamento, um certo desconforto. Viro doidinha.
Mas maluco? Quem é maluco mesmo?
Quem rasga dinheiro? Bem, um cara pode se dar ao luxo de rasgar uma grana se ele não vai sentir falta. Não é maluquice tão terrível assim. Se não rasgar o meu dinheiro, tudo bem.
Quem come bosta é maluco para mim, porque eu não vejo nenhuma necessidade disso. Mas eu não sinto essa necessidade escatológica, eu não tenho esse tipo de anseio. Quem tem, deve achar super natural. Ai, que fome. Vou comer um cocozinho. Ai que sede. Um xixizinho. Nossa, me lembra o povo da urinoterapia. Bebe xixi como remédio. Malucos? Para mim são. Tem tanta erva nesse mundo para fazer chá terapêutico, vai beber mijo pra que, meu Deus do Céu!? Mas se ficam lá no canto deles e nem vem com a idéia de me dar beijinhos, eles não me incomodam. Pode beber e comer o que quiser, meu bem.
Eu defino a partir dos meus parâmetros.
Em alguns lugares da África se corta fora o pinguelo das mulheres. Eu acho isso uma loucura total. Mas lá, isso é cultural. Posso ir lá e colocar camisa de força em todo mundo? Não, não posso. Posso fazer uma campanha mundial pelo fim da mutilação de mulheres? Sim, posso. Mas eu posso dizer que aquele povo é completamente maluco? Até posso, porque se alguém vier com uma gilete pro meu lado dizendo que a cultura pede uma coisa dessas, eu vou sair correndo, berrando, achando que o mundo enlouqueceu. Para mim é uma barbaridade. Mas não posso dizer que são malucos. Não querem é ver a mulherada gozar. Povo egoísta da porra!
A mulher que cortou o pingolim do homem fora é louca? É. Judiação. Chega ser pecado nos dias de hoje cortar um pingolim em uso fora. Mas vai saber o que fez ela chegar nesse ponto. Nada justifica um ato desses. Afinal, ele não é mulher, não mora na África e não existem mais eunucos por aí. Eu acho que não existem.
Boa essa. Os castratis, os meninos castrados, para mim eram completamente loucos. Cortar os bagos fora para manter a voz fina para mim é o fim da picada. Vá gostar de cantar assim na casa do caralho. Que deve ser na lata do lixo, porque, zup, cortaram todos.
Dizem que os loucos extrapolaram o fino limiar da normalidade. Estão em outra dimensão, conectados em outra esfera.
Os artistas loucos são os melhores. Van Gogh cortou uma orelha fora. Menino, isso é coisa de louco mesmo. Depois ainda foi lá e pintou a carona mutilada. Loucura para mim. Para ele deveria ser o must!
Loucura e genialidade andam de mãos dadas? Lembra da foto do Einstein com a linguona para fora? Naquela época era coisa de excêntrico, maluco. Foi considerado retardado! Depois, deu no que deu.
Isadora Duncan dançava descalça, solta, como as loucas. Sofreu pra caramba até ser reconhecida como uma artista de respeito porque ninguém entendia aqueles movimentos sem pé nem cabeça dela. Cadê a forma? Cadê o que é reconhecível?
Joana D'arc. Doida de pedra de ouvir vozes e ter visões. No intante que oo que ela dizia foi interessante para alguns, deixou de ser maluca e virou santa. Taí, até hoje na boca do povo.
Galileu Galileu se fodeu de verde e amarelo quando dizia que a Terra não era o centro do Universo. Mas se fudeu, que se fudeu bonito. Carimbo de maluco na testa e prisão, excomungado e o cacete. Tá aí hoje a prova que ele era muito do são. Mas não sabia vender seu peixe bem. Se ferrou. Hoje é “o” cara!
Eu tenho um amigo que é bipolar. Tem épocas que tá um saco, mas nos momentos de euforia ele fica tão divertido, tão criativo. Adoro ele! Adoro até a página três, quando ele chega no limite que ele começa a me dar nos nervos e a me fazer passar vergonha. Aí eu chamo ele de maluco de merda e quero distância. Por quê? Porque passou dos meus limites de paciência e tolerância.
O outro é maluco no instante que começa a nos incomodar.
Essa é a minha definição de maluco. Aquele que me incomoda com suas atitudes.
Meu vizinho é maluco. Ouve Tati Quebra Barraco aos berros. Maluco e mal educado. E com péssimo gosto musical.
Meu filho é maluco quando fica sambando em vez de ir tomar banho.
Minha mãe é maluca quando fica me dizendo “ eu não disse? eu não disse?”
Todas as pessoas que batem em meu portão, no domingo antes do meio dia, são malucos.
O taradão da net é maluco.
Eu, quando fico horas aqui nesta merda de computador, escrevendo como louca ( que redundância) quando eu tenho milhares de coisa para fazer, e eu fico muito incomodada com essa minha urgência de escrever, me auto-defino como maluca babante grau um.
Por isso que eu digo:
Todo mundo é um tantinho doido, mas vai com sua maluquice para longe que aí tudo fica bem.
Maluco, lá. Eu, cá.
E se não tiver jeito mesmo, então que me venham com a doce loucura, com a arte, com a criação, com os desvarios de lirismo. Não me venha com maluquices piegas e óbvias que aí vira um saco, perde toda a graça.
Quer ser maluco?
Então seja, pelo menos, um maluco diferenciado e original.

3 comentários:

claudia lyra disse...

Só pobre é maluco; rico é excêntrico...

Ninita disse...

Entendi,funciona mais ou menos assim: "Cada maluco no seu galho", é isto....muito inteligente.
Beijo + Saudade.
Ninita

Ana Paula disse...

mais louco é quem me diz e não é feliz. eu sou feliz!( e ainda bato palmas...ahahahah)
beijo lindona! já to com saudade!
:)