domingo, 29 de outubro de 2006

Jurada? Eu?

Pelo quarto ano consecutivo eu fui jurada do festival de uma grande colégio aqui de Campinas.
É sempre um suplício, sempre confirmo que o inferno deve ter, de fundo musical, uma banda de rock-pop-punk do segundo grau de alguma escola do mundo.
Todo mundo faz pop, ou pop-rock, rock-punk e uma variação que vi lá: pop-punk brasileiro (!). Saibe-se lá o que é isso...
Bem, até aí tudo bem. É normal nessa idade e eu já esperava por isso. Muito grito, muita guitarra solando e aquela porra de prato de condução da bateria batendo sem parar.
Aí, lá pelo meio do festival sobe um rapaz que é bem humilde, parece ( se não me falha a memória - que sempre falha!) que ele era funcionário da escola, ganhou uma bolsa, e estava lá participando com uma canção que se chamava Maezinha.
Isso mesmo, uma música que ele fez para a mãe, agradecendo o ar que ele respirava, a luz das estrelas que ele via, o peito mirrado que um dia mamou, ela que ele sempre amou, pelo dinheiro que gastou, pelo sol que clareou, Ôu ôu. ôu ôu. Aquela coisa bem piegas na letra.
Ele subiu no palco sozinho, com o violão que ele tinha ganhado ano passado ( prêmio revelação) e antes de cantar ele começou a agradecer a oportunidade de estar ali, mostrando a música que ele fez, falou como era importante aquele momento e que ele tinha feito a música para a pessoa mais amada de sua vida - a mãe! E apontou em direção em que sua mãe estava.
Eu, idiota que sou, olhei para trás e dei de cara com uma senhora completamente emocionada, chorando a pranto livre, o rosto contorcido de orgulho e emoção, uma senhora humilde também, de cara limpa e dedos grossoa, ali no meio da alta burguesia, no meio daqueles meninos ricos, ou pelo menos muito mais ricos que seu próprio filho, ela ali, no meio da homenagem mais sincera e cafona que eu tinha ouvido.
Não pude me segurar.
Me acabei de chorar!
Um vexame!
Achei tão brega aquilo tudo, tão lindamente brega, aquela mãe tão emocionada, no pedestal que lhe era de direito, ai...eu chorei cafonamente também.
Virei rápido, coloquei meu óculos escuro e tentei ser discreta na hora de secar o rosto.
E não foi só eu! Outra Tatiana, professora de literatura da escola, que também era jurada, se debulhava abestalhadamente, exatamente igual a mim...Mal de Tatiana, quem sabe.
E ele cantava e tocava mal, um forte sotaque regional, caipira, o que foi uma benção para nossos ouvidos, completamente diferente de todo mundo que estava ali ( não na parte de tocar mal, nessa questão estavam todos quites). Mas era tão sincero ( ou tão inteligente, o filho de uma égua porque eu caí direitinho) que tocou todo mundo. Foi super aplaudido, até pelos concorrentes.
Ganhou o quinto lugar.

Na hora de entregar os prêmios, olhe lá eu outra vez com vontede de chorar!
E por quê?
Primeiro porque eu sou uma besta, segundo porque eu via a expressão de orgulho dos pais, a felicidade daqueles meninos, a emoção imensa de ganhar um prêmio daqueles. Parecia que estavam ganhando o Prêmio Nobel da Paz, O Gremmy, o Toddy, sei lá que prêmio. Tão felizes com aquele momento que eu me emocionei.
Sim, eu sou uma besta. O que posso fazer?
Assumo, oras.

Minhas conclusões:
-O festival foi um sucesso, dentro da suas limitaçãos.
- Não existem mais cantores afinados nesta juventude.
-O inferno é pop-rock-punk brasileiro
-Eu sucumbo às pieguices musicais
-Poesia e lirismo é coisa de velho, de mais de 26 anos
-Em toda banda tem alguém que pula e toca ao mesmo tempo. Pulando mais e tocando menos. óbvio. Parece que isso é o que chamam de " atitude". Se eu fizer isso posso, ou ficar com hematomas em meus olhos ou entrevar definitivamente os joelhos. Tenho que ter cuidado.
- Falta de concordância gramatical é "liberdade poética"
-Espero que, sinceramente, todos passem em direito, medicina, agronomia, engenharia, química, corte e custura, decoração, qualquer coisa, menos em música!

Uma observação:
Não fui a jurada mais cruel.
Fernanda Dias e Bruno Sotil eram muito mais.
E não têm um blog para se defender então eu posso dedurar à vontade.

8 comentários:

Ronaldo Faria disse...

Linda, a tua pieguice, juro. Sendo bem honesto, só de te ler já enchi os olhos de lágrimas. Estou na pós-fase da arritmia aguda e pré-infarto, literalmente. Por isso faltei no deck. Cuide-se. Daqui, estou tentando me cuidar.
Beijos
Ronaldo Faria

aline disse...

Sabe, eu estudo nessa escola aí... mas em outra unidade =] E na terça-feira algumas das bandas se apresentaram lá na nossa unidade... jesus, que tristeza! Quanta desafinação num lugar só! Hahahahaha!! Realmente não se fazem mais cantores como antigamente, Tati...
Não vi esse garoto do violão tocar... mas aposto que eu também choraria, do jeito que sou derretida! Hahaha...

Até mais!

Vivien disse...

Eu tenho certeza que eu choraria.
E nem importa se ele era afinado ou não....por tudo que vc cantou, ele merecia saber que emocionou.;0)

Tatiana disse...

Como é que eu ia imaginar que uma aluna daquela escola leria este blog???
Aline, não conta pra ninguém, não con ta para ninguém!!!
Ha ha ha aha ha ha

Tatiana disse...

RONALDO,
Meu querido amigo,
Que porra é essa?
Você que sempre me pede que eu me cuide...esqueceu de cuidar deste velho coração romântico!!?
Cuide-se, sim, cuide-se sempre porque sinto falta de você por aqui, no teu blog e detestei a idéia de você debilitadinho.
Pô, meu amigo!
Cuide-se, mesmo!

Ronaldo Faria disse...

Obrigado pela preocupação e por me ligar. Estou me cuidando. E como te disse ao telefone: nada como música de qualidade para devolver o equilíbrio.
Beijos
Ronaldo Faria

Bruno Ribeiro disse...

Jurada de morte seria o título mais adequado para o post.

Paulitcha disse...

Caraca mulher, já faz um ano que eu era a mãe mais louca se acabando de chorar na frente do palco???

O tempo não passa mais, voa!!!!