quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Ver meu filho caçula de 11 anos com os olhos compridos para uma roda de violão, perceber ele pegar um caxixi discretamente, entrar na brincadeira, ver a sua satisfação quando encontra o ritmo é algo que me assusta e me encanta.
Me assusta porque foi assim mesmo que entrei nesta vida de artista e só Deus sabe como é difícil. Muita dureza, muito trabalho, muita frustação e muita persistência.
Me vi nele, pequena como ele, ouvindo o melhor que a música brasileira tinha na época e isso ficou marcado na minha memória e hoje sou o que sou por causa daqueles momentos. Descobri a delícia de poder cantar, fazer música, ser parte da banda. Como diz meu amigo Gustavão: eu quero é ser banda!!!

Mas me encanta também saber que tá no sangue, que tá correndo por dentro dele, como corre em mim, em meus irmãos, em meu pai, em minha mãe. Herança de família.
E a primeira vez que ouvi uma pessoa dizer que se emocionou comigo? A percepção que podia alterar totalmente o astral de algum lugar e de todas as pessoas? Podia escolher fazer luz ou fazer sombra. Poder, sim, isso é poder e poder é fascinante.
Depois, quando percebi que queria ser uma guerreira da Luz, que queria fazer, através da música, minha parte na batalha. Eu queria ser Luz, queria iluminar o povo, esse mundão de meu Deus precisava de canto, precisava de coragem e que eu podia ajudar esse povão todo.
Eu, a Cigarra Maldita, a proscrita, eu, a escória do mundo podia contribuir de uma forma muito importante.
-O que você faz? canta? Mas trabalho, você não trabalha???
- Hummm...cantora, né? Vida fácil...
Quantas vezes ouvi isso em minha vida...perdi a conta.
E a felicidade de dividir o palco? A eletrecidade que corre, a profunda intimidade dos sustenidos e bemóis, a conversa muda, só no olhar, a satisfação, a alegria. Muitas vezes foi tão bom quanto um bom sexo. Tocar sozinha é punheta. Tocar com banda é suruba! Totalmente Baco. Aquele instante perfeito é a felicidade para mim.
E eu vi em meu filho caçula esse mesmo olhar, esta mesma satisfação. Eu vi, ali no meio do olho dele, no momento que nos olhamos e sorrimos, eu vi. Estava ali.
Música: um dom ou uma maldição?
Não sei ainda.
Mas ali não tem jeito mais.
Já virou banda.

6 comentários:

Mauricio Gato Preto disse...

Eita, eu sou o primeiro a comentar nesse negócio aqui, que beleza!

Pois é, tem profissões árduas que o povo acha que é moleza. Me lembro que um dia dando aula o aluno perguntou? Professro, vc trabalha ou só dá aula? Cruel.

Beijos e confesso que dificilmente lembrarei esse lance de lua cancer e sol em áries...

Vivien disse...

Bacana mesmo era há "alguns" anos poder chegar no Ilustrada e saber quem ia estar lá conversando, saber que vc e a Carô estariam cantando.
Pode crer, não foram poucas as vezes que me emocionei com vcs!bj.

Tatiana disse...

ai..essses " alguns" anos é que mata!

Taïs Reganelli disse...

... e eu vi a carinha de satisfação dele quando entrou no rítmo...

Ronaldo Faria disse...

Banda. Meia vida, meia bunda (num banquinho qualquer). Tesão e paixão. Junte repinique, batuque e o que quiser. Filho de peixe, peixinho é... E se a emoção e a beleza forem iguais, o mundo todo agradece e aplaude de pé!
Beijos. Mesmo sem CDS.
Ronaldo Faria
Cuide-se. E cuide do teu herdeiro.

Gika disse...

Dom ou maldição??
É um dom maldito de bão...rs. Pq qdo fazem essa carinha a gente quase explode de orgulho. Esse texto tem td a ver comigo, tenho um tocadô/cantô e um batuqueiro.
E eu sou uma mãe babona...
Adorei Tati.
Precisamos juntar essa banda pra uma roda em casa né?
Bj