quinta-feira, 13 de julho de 2006

7:30
Abro os olhos contra a vontade.
Escritório.
A maldição do pré-ingresso me persegue e quem vai para o tal pré-ingresso ou desiste, ou fecha com outro plano ou não vai nas consultas.

11:00
Sousas pegando amiga queridíssima

12:00
Fazer almoço correndo e falar falar e falar com a amiga queridíssima.
Mais de dois milhões de palavras.

13:00
Estrada.
A amiga queridíssima vai, coitada.
Mais de dez milhões de palavras.

14:00
Hortolândia. Fechei plano nehum mas consegui umas mudinhas que são um mimo. E dadas ainda.

16:00
Capivari. Um gordinho, depressivo e hipertenso está com pouco dinheiro e quer plano.
Mas querer nem sempre é poder.
Eu me fodi e a amiga queridíssima foi incapaz de roubar a planta que estava ali dando mole.

18:00
Piracicaba. Eta cidade grande. Me perdi bastante.
Trinta milhões de palavras e muitas risadas.

19:30
Volta para Campinas.
Alguém mudou a estrada de lugar porque , de repente, estávamos indo na direção oposta, rumo, outra vez, a Piracicaba.
Mistério.
Uma lua imensa e alaranjada nos enche os olhos.

20:00
Sousas.
Descarrego a amiga queridíssima e mais de cem milhões de palavras.
Todas as fofocas contadas. Tô até meio rouquinha.

20:30
Bar em Sousas negociando trabalho.

21:00
Padaria para comprar comidinha para filhote.

22:00
Outra amiga querida precisando de mim.
Okiomi.
Reza braba.
Floral.
Cafuné
Patuá.
Chave de São Expedito benzida, rezada e untada.

23:00

Lembro das mudas no carro.
Planto as mudas.
Molho as plantas.
A cachorra foge e volta com o pior cheiro de peixe podre do mundo.
O cheiro vem todo pra mim e eu me sinto uma moqueca vencida.

24::00
E-mail's.
Recados.
Blog.
Banho de erva na panela, cheiro de lavanda invadindo os cantos, uma cama macia.

00:10
Um gato realmente desequilibrado pega meu isqueiro e foge ( !!!) com ele na boca.
Não tem fósforos na casa nem outro isqueiro.
Caço o gato no jardim escuro e molhado.
Piso na merda do cachorro.
Sento no chão para fazer um drama e chorar um pouco na solidão escura de meu quintal.
A cachorro fedorenta corre para cima de mim e me dá um abraço, me consolando, um mar de amor transbordando.
Estou outra vez fedendo a peixe podre.
Uma vontade louca de comer chocolate. Não posso. Regime que eu já escapuli em Piracicaba e me acabei em uma coxinha, uma coisa que tinha catupiry e calabresa e arrematei com uma bomba de chocolate.
Me sinto imensa e fraca.
E a certeza absoluta que a vida é uma insensatez.
Coloco pijaminha e meiazinha no pé.
Escorrego e bato o joelho no chão.
Praguejo para meu anjo da guarda e caio na cama exausta e ainda com um leve odor de peixe podre.

FIM

3 comentários:

Vivien disse...

A estrada tb muda de lugar pra mim....rs....mistério total ....beijos e sorte.

Anônimo disse...

hsa ha ha ha ha a até a merda fica engraçada aqui

Bruno Ribeiro disse...

Você passa a sensação de que a vida de qualquer um pode ser linda como a sua.