quinta-feira, 27 de outubro de 2005




O GATO E EU

Tem gente que gosta de gatos , tem gente que gosta de cachorros.
Eu gosto dos dois.
São relações diferentes, formas de convivência bem distintas.
O cachorro é um ser mais óbvio. Ele gosta de você, ele abana o rabo, você sabe, você está vendo que ele está feliz. Cachorro gosta de gente tanto quanto nós gostamos de cachorros.
Os gatos são diferentes. Eles são econômicos em matéria de afeto. Mas quando amam, amam mesmo.
Eu tive um gato, Napoleão, o primeiro de toda a linhagem que se seguiu, que me amava profundamente. E eu a ele. Posso até dizer que mantínhamos um tipo de caso mesmo. Eu o chamava :
- Vem , meu loiro! - a voz melosa que só as amantes sabem fazer e ele vinha, pulava em minha barriga, se deitava entre os meus seios, me olhava nos olhos, ronronava e eu sentia as borbulhas de amor saindo dele.
Onde eu ia, lá estava Napooleão me olhando. Se ia ao banheiro, sentava aos meus pés. sem nenhum pudor, e esperava. Quantos banhos tomei com aquele gato me aguardando no tapetinho de borracha!
Me dava presentes, o danado! Presente de gato, é claro. Ratinhos mortos, largatixas semi-mordidas, baratas então, era o máximo! Para ele aquilo me fazia feliz. e até fazia, por debaixo de todo o nojo que me causava.
Eu era a única que conseguia pegá-lo para passar remédio, tomar injeção, limpar feridas. Era brabo o bicho! Mas comigo ele deixava. Algumas vezes levei umas mordidas e unhadas mas quem não arranaria e morderia se tivesse alguém muito maior futucando um ferida aberta para passar alguma coisa que devia arder horrores!
Um dia resolvi castrá-lo. Juro que não era ciúme, era cuidado mesmo. O gato estava se acabando nas brigas noturnas, já nem tinha mais orelha, coitado, todo lenhado, mordido. Castrar perpetuaria sua existência.
Deixei Napoleão preso no quartinho dos fundos porque não se faz cirurgia com gato de barriga cheia, a hora com o veterinário acertada. Mas a empregada não sabia disso, abriu a porta e ele nunca mais voltou.
Sofri pra burro. Condesso. Sofri de culpa, de saudade, de preocupação.
Mas sofri mais ainda quando ouvi que Napoleão poderia não ter fugido, mas sim, levado embora pelo meu marido ( na época) e deixado longe de casa. Para o marido, melhor longe, com todas as bolas, do que ali castrado. Acho sim, que se isso aconteceu, foi por ciúme. Ciúme do marido!! Nunca tive a confirmação, mas ainda sinto a presença daqueles olhos amarelos me acompanhando e sempre que eu estou assistindo televisão, a barriga para cima, espero ver pulando em mim, meu loiro, meu bichano, meu gato amado.

Saudades, Napoleão. Muitas saudades.

3 comentários:

Maurício disse...

Amo gatos...
são misteriosos, lindos, lãnguidos e estranhos..como eu!

Andréa Reis disse...

Estou com dois gatos em casa, a gata, Ártemis e o gato, Blue Kori. Quando vc vier nos visitar vai conhecê-los. Mimi (Ártemis) me acompanha o tempo todo também e só atende quando eu chamo (é loura como seu Napoleão - Eduardo ameaça despachá-la, espero que não aconteça). Estou adorando ter gato em casa. Trouxemos de Salvador para cá... imagine a viagem como foi, quatro pessoas e dois gatos no carro, em 3 dias de viagem!
Bjs

ariadne disse...

Nunca consegui me entender com gatos, sou um ser de cachorros. Mas os respeito, são bonitinhos, eles lá e eu aqui. :-)