segunda-feira, 26 de dezembro de 2005

Receita do Pavê de Bis ( ou Sonho de Valsa, depende do bolso)

Deixo aqui a receita. O meu pavê não durou nem duas horas fora do congelador. Pode dobrar a receita.

Misture na panela uma lata de leite condensado, a mesma medida de leite, três gemas e uma colher de maizena. Com o fogo baixo aceso fique mexendo até ferver.

Pode parecer estranho eu pedir que se acenda o fogo, mas um amigo ficou dez minutos mexendo a panela e o fogo apagado. Melhor garantir.

Coloque este creme em um refratário untado de manteiga e comece a esbórnia gastronômica raspando o que sobrou deste creme e comendo tudo com uma colher, sozinha, sem avisar a ninguém que tem creme na colher.
Cubra com ameixas em calda ( tire o caroço para evitar acidentes desnecessários mas não coloque a calda da ameixa), espalhe o bis ( ou sonho de valsa) picado em pedaços pequenos até cobrir tudo. Deixe de miséria e não pense nas calorias.

Quão pequenos? Do tamanho da sua unha do dedo mindinho da mão. Porque a unha do dedo mindinho do pé é minúscula e não seria pedaços de bis e sim farelo de bis. Pelo menos a minha unha do pé é pequena, se a sua não for, pode usá-la como referência. Mas evite colocar o dedo do pé dentro do creme para conferir o tamanho porque deve estar quente. Se não der pra resistir, lave o pé antes. Com escovinha. Se conseguir lamber o próprio dedo do pé depois ganha o prêmio ginasta gulosa do ano!!!

Por sobre esta camada você colocará outro creme feito de leite ( uma xícara), duas colheres de acúçar e quatro de chocolate em po e uma colher de sopa de maizena. Isso aqui é um mingau de maizena sabor chocolate. Simplíssimo de fazer. Quando ferver e engrossar você coloca sobre o outro creme que já está com as ameixas e o bis. Raspe de novo o creme de chocolate restante na panela, coma tudinho e mantenha a discrição.
Depois você bate em neve as três claras, tem que ficar bem duras, daquele jeito que se você virar de cabeça para baixo não caia no chão.

Um dado importante: é o pote que você está batendo as claras que tem que ser virado de cabeça para baixo. Não você. Mantenha a elegância.
O braço dói se você não tem batedeira. Eu não tenho, quer dizer, tenho mas perdi as lâminas que batem as coisas, só ficou o corpo da batedeira. Por isso tenho braços musculosos e um ritmo de fazer inveja. Coragem, amiga. Tudo é ritmo e perseverança. Em neve, um, dois, um dois, firme e em neve, um dois, um dois...De jeito nenhum permita que gotas de suor caiam nas claras em neve. Desanda o creme e causa, em quem come, uma vontade incontrolável de ouvir Julio Iglesias. Um coisa terrível.

Nas claras em neve coloque quatro colheres de açucar ( vira suspiro!!), bata mais um pouquinho e coloque uma lata de creme de leite gelado e sem soro. Misture com ternura e afeto. Nada de violência ou pensamentos agressivos. Suavidade. Delicadeza.
Sua obra de arte esta quase pronta.
Despeje este último creme por sobre os outros dois. Mais uma vez raspe o que sobrou e como é o menos gostoso de comer, avise que sobrou creme e ofereça para os outros lamberem as sobras. Garanta assim a sua fama de quituteira talentosa e generosa.
Observe o que você fez. Lindo, não?
Não permita que ninguém meta o dedo no pavê ainda mole. Ameace. Oprima. Iniba. Só você pode fazer e isso e se fizer mesmo, roube o pedacinho masi próximo à beirada do refratário. As quinas são deliciosas quando ainda moles. Eu garanto.
Leve ao congelador por pelo menos quatro horas e coma escondida no meio da noite.
Engorda horrores mas é bom pra cacete.
Eu ainda coloquei uns bis inteiros em cima de tudo isso, em formas geométricas, só pra me exibir e dar a impressão que eu sou uma doceira experiente e cheia de nhenga.
Arrasei.

Lili e Renata, espero que possam aproveitar desta singela receita. Um abraço

13 comentários:

Lili Cheveux de Feu disse...

Adivinha o que foi que eu acabei de postar lá no Filhas???

Renata disse...

Nooooosssaaa.. é nóis no pavê nesse fim de ano.. uhuuu... nunca ri tanto com uma receita de pavê. hahaha.. Só vc mesmo Tati!

Plyn disse...

E só falta a piada sem graça de tio velho no fim: "é pavê ou pra comer?"

quina vida disse...

bom pra fazer, pra comer, pra ler, pra rir.
(ah, se você me prometer que não irá ver os meus erros de grafia no blog, eu também não vejo os seus... brincadeira querida)

bjos

marcio

Dora W disse...

vou tentar esta receita.
será q consigo fisgar minha sereia Thereza pelo estômago?

pedro disse...

O Plyn chegou primeiro...

¬¬'

Acho que é a coisa mais hilária que eu já li nos últimos 83 anos!

Sou teu fã.

Musical e literário!

pedro disse...

PS.: Li seu texto "Natal".

LINDO!

Márcia Nestardo disse...

Foi a receita mais gostosa de todos os tempos... Principalmente o dedinho do pé... pensei coisas!!!!

Vou guardar esse pavê maravilhoso, pra comer escondida num dia difícil, e pra rir junto num dia feliz.

Marina Franco disse...

Lindona, ontem comentei com o Zé que estou com saudades de ti e de Silo. No dia 7 estarei aí e quero muito vê-los. Beijos no coração (dos dois!)...

Lili Cheveux de Feu disse...

Essa receita rodou meio mundo esta semana...

Tatiana disse...

Márcia..eu queria tanto ler teu blog , se você tivesse um que a gente conseguisse entrar!!

Márcia Nestardo disse...

Que legal, Tatiana.
Sabe. Tenho pensado muito mais que escrito e sonhado muito mais que feito...
Não demora nada nada e eu começo.
A escrever e a fazer...!

Beijinho.

Bruno disse...

Eu provei do pavê e aprovo.Quando der, provarei de novo.Mas,provavelmente do pavê que eu provei, ninguém mais provará!